O caminhar se dá num espaço escuro, com o chão entre o cinza e o verde, talvez pela mistura de uma leve camada de lodo. “Talvez esteja num Castelo, mas certamente se trata de um ambiente estilo medieval” penso, com o andar lento e vacilante. Os corredores são finos e dão acesso a tantas portas como se poderia imaginar.
Um sentimento abrupto, construído com o tempo, tanto mítico como saturnino, dá a impressão de que teria um infarto do miocárdio! A onda de sentimento, a cena mais linda, sublime e terrena, reunindo os mais amplos espectros de Afrodite: elas se beijaram e fizeram carinho, um no rosto da outra, como se o universo fosse apenas uma rosa. Pensei, naquele momento, que as guerras seriam impossíveis depois de então, tamanha a beleza contemplada.
As paredes rugem. Retomando a realidade, num fustão vermelho, tenho medo. Será que esta realidade poderia ser experienciada por um mortal ou seria apenas reservada aos deuses? Estaria eu ultrapassando a medida e me colocando numa armadilha de sereias, fiando um destino sinistro?
Já estava na esquerda, há muito tempo, e não havia sentido com tanto ardor a sua face bela, quanto naquele momento. Não podia acreditar no pior, mas a dúvida é uma cobra sinistra, obscuramente fálica.

O calor do desejo ainda cria fungos, onde havia matéria bruta. “Vou insistir, não tenho outro caminho”, pensa nosso jovem, já não tão jovem, mas ainda a espreita do sentido, idolatrando as imagens da alma, que nos fizeram chegar até aqui.