domingo, julho 31, 2005

Discurso e Sexualidade

Uma mudança brusca ocorreu em nossa sociedade e em nosso atavismo dogmatico é díficil percebe-la. Essa mudança se torna manifesta e é a mudança nos mecanismo do poder; continuamos ainda numa compreensão binária de governantes e governados, repressores e reprimidos como tudo viesse de um único, central, hegemonico e estático poder ideologico. Na sexualidade não é diferente, as compreensões psicanalíticas Freudianas e Reichianas permanecem até os tempos de hoje com a compreensão de que, a burguesia ou a sociedade reprime os indivíduos e estes recalcam seu desejo.

O que acontece é justamente o oposto, a burguesia tem incitado o discurso sobre a sexualidade apartir do seculo XVII e justamente é neste incitamento, que, ela estabeleceu seu novo mecanismo de controle. A troca entre burguesia e aristocracia foi paulatina e de ruptura ao mesmo tempo, como em toda revolução; a burguesia trocou o sangue e a genealogia dos indivíduos (o que tornava a casta nobre) pelo poder da norma. Isso se deu numa lenta diminuição do poder jurídico. A aristocracia que detinha o poder sobre a morte do indivíduo passou para a burguesia que quis controlar a vida dos mesmos. Ao invés de matar o poder de normalizar, dominar. Ja dizia Foucault "Quanto a nós, estamos em uma sociedade do 'sexo', ou melhor, 'de sexualidade': os mecanismos de poder se dirigem ao corpo, a vida, ao que a faz proliferar, ao que reforça a espécie, seu vigor, sua capacidade de dominar, ou sua aptidão para ser utilizada. Saúde, progenitura, raça, futuro da espécie, vitalidade do corpo social, o poder fala da sexualidade e para a sexualidade; quanto a esta, não é marca ou símbolo, é objeto e alvo." A tão procurada e temida, sexualidade.

Apartir dai se insere um dominio dos discursos, a classificação e rotulação frequente. A criação de sub-grupos no dominio da sexualidade. Isto não foi calcado sob o egide de um discurso único, mas de diversos saberes-poderes que se interagem para criar uma teoria da sexualidade, os saberes-poderes que são justamente o poder de saber, a verdade do sexo. Nisto podemos ter uma união de ciências distintas como demografia, medicina, psiquiatria, psicologia, entre outras com saberes que, ora se integram, ora são antagonicos entre si e sempre são dinamicos.

Obviamente a troca da enfase na norma ao invés do poder juridico não foi absoluta e o poder juridico permanece forte contra os que ainda fogem ao poder das normas. A repressão e o recalque continuam existindo mas também podemos considerar que não são mais a enfase dos mecanismos de controles.

Um dos mecanismos utilizados nas normas é a hierarquização dos saberes-poderes, trabalhando com o dito, o não dito e o interdito. Hoje existem locais apropriados, maneiras apropriadas, modelos apropriados de conduta para cada momento situação. Por exemplo, quando falamos de homosexualismo temos que dize-lo de modo pejorativo e como comédia, em forma de pequenas piadas; quando falamos de sexo existe local apropriado para dize-lo e isto se modifica de acordo com genero e idade.

Marques de Sade foi um dos divisores de àguas entre poder da soberania, da força, do sangue e o poder da sexualidade. Uma sexualidade em Sade sem norma ou um sangue sexuado. Após vieram Charcot que trouxe o discurso sobre a histeria, Freud sobre a sexualidade infantil, os Eugenistas e depois a psicopatologia o discurso sobre as "patologias sexuais" e assim cada vez mais o discurso sobre a sexualidade foi se proliferando e criando a normalidade sexual, a sexualidade burguesa, enquanto o "proletariado" permaneceu "sem uma sexualidade" até serem inseridos discursos sobre o mesmo; os discursos de controle (natalidade pela demografia, bio-loucura ou bio-patologia pela psiquiatria e medicina) e o discurso de incitação de uma sexualidade libertadora com Wilhelm Reich, porém Reich também incutiu numa normalização sexual, no seu livro Análise do Caráter ele faz divisões bem rígidas entre diversas patologias sexuais, inclusiva na impossibilidade de orgasmo e livre fluxo de orgone (ou libido) de "neuroticos-compulsivos, histéricos, sadomasoquistas, fálico-narcisistas, entre estes pessoas com energia voltada para zonas erogenas". Reich, portanto, fez a sua crítica histórico-política dentro dos mecanismos de sexualidade, foi segundo Foucault uma "reversão tática no grande dispositivo da sexualidade. "

Os modos de sexualidade então são inseridos em nossos corpos onde existimos de acordo com nossa sexualidade. A analítica de dominação e controle. Surgem esteriótipos de cada modelo de sexualidade, o machão, o viadinho, o enrustido, a lesbica, o libertino, etc... Inclusive, foi apartir desta inserção nos corpos que foram "legitimados" vários modelos de sexualidade (dentro da hierarquia) como o homosexual que só se constituiu como homosexual quando inserido no próprio corpo a marca de sua sexualidade. Não que, antes não existissem homosexuais, tanto existiam como poderiam em algumas épocas ser até queimados vivos. Todavia não existia uma nítida distinção tanto de conduta, persona, ou algo flagrante entre um homosexual e um heterosexual e a jurisdição era algo raro neste aspecto.

Deveriamos também aqui, fazer uma distinção entre as teorias da sexualidade ocidentais e as orientais, entre a scientia sexualis e ars erótica. A ars erótica procura o prazer do sexo, "Na arte erótica, a verdade é extraída do próprio prazer, encarado como prática e recolhido como experiência; não é por referência a uma lei absoluta do permitido e proibido, nem a um critério de utilidade, que o prazer é levado em consideração, mas, ao contrário, em relação a si mesmo..". E, enquanto a ars erótica oriental se torna a episteme do prazer, nossa ocidental scientia sexualis procura a verdade do sexo em sua confissão, procura sua patologias, sua analítica, procura dominar a sexualidade em todo dominio que ela esteja, até o mais obscuro. É justamente ai que encontramos o prazer do poder; na própria procura da verdade, no próprio dominio, ou seja, no proprio saber. Exatamente por isso, desde o incio do texto usamos a palavra saber vinculada ao poder; saber-poder.

domingo, julho 24, 2005

Formiga Psicoide

Formiga Psicoide

Doi.... doi... é o que quero, um mundo sem posses, poder viver, viver o desejo, o sonho, a realidade é maleavel...mas tudo que nos cerca esta inscrito em nosso corpo e livrar-se disso doi...doi... e quanta força temos? é dificil lutar contra nos mesmo... desde crianças com o discurso... fale sobre isso, fale sobre aquilo mas tudo tem um modo e um lugar e não ultrapasse a linha (essa linha existe? parece que poucos a veem)... doi.

sexta-feira, julho 15, 2005

Em busca de Si.

Temos em nosso tempo, uma cega visão de que, a totalidade da realidade em ultima instancia poderia ser captada pelos nossos sentidos (empirismo), ou, do lado oposto desta crença, a crença de que o real já existiria a priori em nossa mente, sendo o mundo dos sentidos apenas um simulacro (racionalismo). Mas, como diria Jung, o que captamos através da nossa consciência é tão pouco que é como se acendêssemos uma lanterna em uma caverna, tudo que a lanterna não capta(ilumina) não faz parte de nossa consciência. Essa compreensão de que, nossa consciência é incapaz de abarcar todo fenômeno sem duvida não é tão nova e podemos vê-la também no existencialismo, na fenomenologia e na gestalt.

Aquele conteúdo que não captamos do fenômeno empírico se armazena, segundo Jung, em nossa inconsciência pessoal, tal qual, o que é esquecido por nós na consciência.Porém este conteúdo pode voltar a consciência caso seja dada devida atenção ao mesmo, ou seja, que a energia psíquica se volte para tal fenômeno.

Os conteúdos sociais que moldam, de certo modo, nossa existência são chamados pelos Marxistas de ideologia, que seriam sempre conteúdos em prol de uma classe, lembrando-se que, para os marxistas, a história se faz na luta de classe (luta dos opostos). Poderíamos compreender essa consciência coletiva também como no esoterismo na qual ela é chamada de egrégora. Estes conteúdos e papeis pré-criados usurpam uma energia essencial ao desenvolvimento do ser, de seu rumo ao seu si mesmo, chamado por Jung de Self, pelos magistas do caos(o qual falaremos ainda) de Kia, por Crowley de Santo Anjo Guardião, o eu profundo de Pascal, etc..

Os conteúdos já criados e já ali se seguidos pelo ser são sempre limitações da existência, o ser encara o mundo como o já criado e inibe assim toda a possibilidade do mundo vir a ser (porvir), segundo Heidegger este seria um modo impróprio de existência, onde o cuidado¹ (sorge) é o da ocupação onde se trata tudo como sujeito ou objeto e como o simplesmente dado, sempre dentro da manualidade. O modo mais próprio de existência seria o da preocupação, onde se está onde tudo ainda não é, portanto, tudo ainda pode vir a ser. Deste modo o ser está em abertura e espera o ente se mostrar, desvelar-se no fenômeno, é a compreensão Grega da alethéia, do desvelamento. A partir da possibilidade de tudo vir a ser a compreensão de certeza se finda, como na fenomenologia. A partir dai podem existir milhões de interpretações do fenômeno (variação eidética), mas nenhuma será o que ele realmente é.

O ser em abertura é um ser pronto a integrar os conteúdos do inconsciente coletivo e rumar ao self (Jung) ou pronto para caminhar rumo ao seu augoeides, grande avatar de Kia (Peter Carroll), ou mesma a Vontade de Potência de Nietzsche. Claro que cada uma dessas idéias ditas diferem entre si e contem peculiaridades, contudo, para chegar a tais estados (ou abrir-se a eles) deve-se passar por uma série de provações, Aliester Crowley chamou este período de Travessia do Abismo. Heidegger, do qual já citamos, falava que para o crescimento do ser é necessária a angustia, e Nietzsche sempre falou da dor, e usou muito um modo específico para chegar a Vontade da Vontade (Vontade da natureza que seria suprimida pela vontade do ego) que seria, por exemplo, o vinho. Nisto a ênfase de Nietzsche ao Dionisíaco, aos estados provocados pela embriaguez que dissolvem o ego, este desolvimento temporário do ego poderia dar vazão à vontade da natureza (que é vontade de vontade) e esta defesa pode ser observada no livro A origem da Tragédia, onde Nietzsche não defende apenas o dionisíaco como se fosse viver de inconsciência, mas a união do dionisíaco com o apolíneo para chegar a totalidade.

Mas o que seria o ego que todos querem tornar no mínimo maleável para permitir a entrada dos conteúdos inconscientes a consciência? Segundo Jung, o ego é “um dado complexo formado primeiramente por uma percepção geral de nosso corpo e existência e, a seguir, pelos registros de nossa memória. Todos temos uma certa idéia de já termos existido, quer dizer, de nossa vida em épocas passadas; todos acumulamos uma longa série de recordações. Esses dois fatores são os principais componentes do ego, que nos possibilitam considerá-lo como um complexo de fatos psíquicos. A força de atração desse complexo é poderosa como a de um imã: é ele que atrai os conteúdos do inconsciente, daquela região obscura sobre a qual nada se conhece. Ele também chama a si impressões do exterior que se tornam conscientes ao seu contacto. Caso não haja esse contacto, tais impressões, permanecerão inconscientes.”

Já Osman Spare, magista do caos, vai sugerir o Nem-Nem (neither-neither ou do sânscrito Neti-Neti) para romper com toda unilateralidade que possa ter o ego, de certo modo, romper com o modo de ocupação do qual fala Heidegger e o modo de compreensão das ciências naturais. O inconsciente coletivo, segundo Jung, teria uma tendência espontânea a ‘corrigir’ a unilateralidade da consciência o que também entra em conformidade com o nem-nem de Spare. O nem- nem, segundo Lucio, é uma técnica ‘criada’ por Osman Spare e “Trata-se de uma verdadeira forma de meditação, com ressonâncias taoístas e advaítas, cujo resultado mais importante é libertar a consciência de sua adesão cega a qualquer perspectiva unilateral da realidade, sobretudo os sistemas de crenças impostos socialmente.” E depois continua, “Por meio dessa técnica, o praticante pega cada opinião estabelecida e a lança contra a opinião oposta, fazendo com que elas se aniquilem mutuamente”. Poderíamos dizer que o nem-nem é como um omnibus dubitandum (duvidar de tudo) onde algo não é isso nem aquilo e se adapta a famosa frase de Carroll “nada é verdadeiro, tudo é permitido”.

O que podemos compreender desde já, é que é um árduo caminho que se batalha contra os condicionamentos que nos são impostos pela sociedade hierárquica. Criam-se através de condicionamentos, sempre baseados no reforço de ações submissas a ordem hierárquica, como desejam os detentores do poder, a submissão dos indivíduos, a prisão sem a violência, a retificação do diferente.

Mas o que é preciso para superar todo esse condicionamento? O que é preciso parar superar a limitada visão do ego? Segundo Jung é justamente através de um sistema do ego que se supera o próprio ego, este sistema se chama endopsíquico e é a ligação dos conteúdos conscientes com o ‘lado obscuro da mente’, é justamente neste contato com o inconsciente que esta o que Jung chamou de função transcendente (a qual o homem depende para alcançar sua mais alta finalidade) , este contato com o inconsciente é algo irremediável a todo ser e é só mantendo o contato com o que seu si-mesmo (self) que o indivíduo pode conservar sua saúde psíquica. O como conseguir esta ligação, e chegar até esta Vontade é sempre algo idiotípico, todo crescimento e principio de individuação é um caminho próprio.

Alguns modos para se facilitar este processo de individuação são a integração de conteúdos do inconsciente coletivo, a integração de seu anima ou animus, e a não projeção de conteúdos “internos” em objetos externos, ou seja, não projetar conteúdos que são seus em outros. Um exemplo básico de projeção do arquétipo da sombra seria você ser um grande homofóbico e achar que todos a sua volta são homossexuais(e todo homossexual é mal, por exemplo) sem evidencia, ou sem serem de fato. É só aceitando que aquele medo de ser homossexual ou aceitando ser um homossexual (cada caso é um caso) que o indivíduo poderá integrar aquele conteúdo.

Qualquer compreensão unilateral portanto será prejudicial ao crescimento do ser, já que, irá gerar seu conteúdo oposto em forma de sombra, como um maniqueísmo, onde o ser que discursa é o bem e o seu oposto é o mal. Esse confronto só pode ser apaziguado quando se aceita os conteúdos opostos para formarem uma unidade, é como a etimologia da palavra símbolo (e são sempre símbolos que provém do inconsciente coletivo) que vem do de sym que significa unir e baylen que significa em direção a uma meta, os Chineses consideravam unir as duas faces de uma mesma moeda. Eis o teleiosis.


¹ - O ser do dasein designa-se como cuidado que é um desenvolvimento integrador da multiplicidade estrutural que a análise fenomenológica do ‘ser-no-mundo’ revela na obra de Heidegger Ser e Tempo.

Referências :

http://malprg.blogs.com/francoatirador/ocultismo_e_esoterismo/index.html
http://thecauldronbrasil.com.br/article/articleview/339/1/12/
O pensamento de Martin Heidegger : Roberto Novaes de Sá
Fundamentos da psicologia Analítica; Carl Gustav Jung
O homem e seus símbolos, Carl Gustav Jung

segunda-feira, julho 11, 2005

eu tinha botado aqui o livro : Bela-Parrachia, vida e morte dos mitos que eu traduzi porém eu linkarei ele daqui porque quando eu boto nesse site ele se bagunça todo...os dialogos, capitulos...etc... e estou sem paciencia para organizar isso, portanto, ai vai o link :

http://madmix.fateback.com/discordia/Bela-Parrachia.html

em breve um texto Bela-Parrachiano será posto aqui e em outro sites, que estou escrevendo conjunto com o amigo 5 e mi namorada Lidiane... talvez ainda outras pessoas ajudem a escrever, mas nada certo... valeuz.

quinta-feira, junho 30, 2005

Anarquismo, diversidade e o misticismo.

“Todo aquele que bota a mão em mim para me governar é um tirano, um usurpador, e eu o declaro meu inimigo”. Começar o texto com uma frase clássica é uma ótima combustão para novas idéias e, nos tempos modernos realmente é de novas idéias que precisamos. Vivemos em tempos onde a força não mais é a principal arma de dominação dos detentores do poder e dos valores, ela é apenas um instrumento ineficaz perto das modernas armas da dominação. Se não é ela a maior valia da repressão e do controle também não pode ser ela o instrumento de mais valia na luta contra o controle, pelo menos, não enquanto os indivíduos continuarem paralisados como estatuas.
A tempos atrás e ainda hoje, temos órgãos como a igreja institucionalizada que mantém os valores necessários para a manutenção do ciclo nascimento-trabalho-morte em meio a total resignação das massas ao poderio intelectual, bélico, financeiro, moral e midiático dos duques sociais. As massas permanecem objetos de uso dos detentores do poder, ou simplesmente seres estratificados, presos a valores que não criaram, regras alienadas de si.
Por seres estratificados entende-se seres que perderam suas condições de humanidade, de possibilidade, mantendo-se de modo objetivo ou subjetivo, numa relação fechada no mundo, como o mundo fosse o já dado, como as relações sociais fossem as já conhecidas e tudo seguisse uma falsa causalidade linear que nada muda, uma causa sem efeito, um defeito espasmódico.
Hoje a estratificação faz-se por vários meios, como os condicionamentos desenvolvidos por psicólogos como Skinner e Watson, pela moderna psicologia comportamental cognitiva ou mesmo pela necessidade de sublimações do desejo das teorias psicanalíticas. Essas crenças são empregadas nos veículos de aculturação, a nossa valorada cultura, prima da doutrina. A estase de nossos desejos, de nossas possibilidades é inserida em nosso próprio corpo, o lar da mundanidade, do instinto e da valoração do que nos cerca.
O mundo, compreensão que será resultado do discurso do ser, ou seja, da ontologia, é também estratificado com o ser, já que não se pode separá-los como um fosse possível um sem o outro. A compreensão do mundo é sempre resultado de uma relação do mundo com a consciência não podendo haver objetividade, nem realidade per si, só é possível um modo de compreensão da realidade, o “o que é?” deve ser substituído pelo “pra que?”.
É justamente a realidade predicativa, nomeada e já ali que o ser deve superar, pois a totalidade está dentro e fora de si e lhe pertence, não há necessidade de criar o que já se possui, a singularidade. Para chegar a singularidade é necessário que o ser quebre o já conhecido, o já dado, a moral, os costumes, e chegue ao si-mesmo. Este caminho é justamente o caminho do descondicionamento, da quebra da autoridade, do enfrentar os conteúdos assombrosos que se projeta nos outros e reconhecer este como seu (muitas vezes a ganância, o egoísmo..), enfrentar a autoridade que deixa o ser em estado de submissão não permitindo o mesmo esticar o braços e gritar, possibilitar que suas potencialidade sejam manifestas.
Defacelar o já dado é sempre um árduo caminho pois este conta com artefatos de manipulação direta e indireta de extrema eficácia psico-física, como os reforçadores econômicos, sociais (amizades, parceiros sexuais, comodidade), e psíquicos.
Descondicionar-se é cair no abismo, experenciar a angustia e viver novamente, é o ciclo de vida-morte-vida, renascer como a fênix, restaurada, com novos olhos, com um novo corpo, em um novo mundo, este que agora é criado pela sua possibilidade de estar antes da valoração do ente, das coisas, do mundo. Estando onde nada ainda é, existe a possibilidade de tudo vir a ser, ai cria-se a ética – que é pessoal e não coletiva como a moral-, as valorações das relações, o mundo.
Ai já estabelecida a quebra da autoridade individual, psíquica, luta-se com vapor pela sociedade, o indivíduo deixa de ser pessoal e passa a ser coletivo, seu ego não mais existe e paradoxalmente é ai jaz a liberdade, existe uma meta-motivação, um estar além de seu tempo e de seus contemporâneos, visa-se o futuro e compreende-se o presente, mas não de modo a achar que é si mesmo superior aos outros, não se infla, se vive. É o sentimento de numinosidade que leva o indivíduo a seguir seu caminho individual e coletivo, ser único e viver por sua meta. Compreende-se finalmente que todo poder necessário a mudança está em si mesmo, no ser, ele é agora uma estrela, uma totalidade.

quarta-feira, junho 29, 2005

Pessoas, pessoas, poesia e é isso:


Existencia ou existente?

Romper por bel prazer,
a permanencia do marasmo,
com calma e clamor fantastico
piso sobre os valores condicionados,
como se fossem fezes de gado

Não vês a formusura de tal gesto?
Pois com aurora e dejeto
o mundo é formado,
a evolução não é feita no momento dado,
e sim na ousadia do safado
que malogra em seguir o predicado

Impedes ainda o mal dito,
a viver como erudito,
que és, pobre coitado
ja fadado ao enfado,
de ser caracterizado
como algo destinado
a ser o inferno na terra,
os umbrais de seus anais

Que mundo louco malfajesto
Entre-mentes indi-gesto
Para com os que lhe levam a ser
o que virá a ser
é este mundo deformado
Cravo de uma rosa,
anátema de um sonho.

segunda-feira, junho 27, 2005

2 poesias, a 1a escrita a um tempo atrás e a 2a mais recente...

Imunda,
minha existência de vazio,
Calo minha boca e suo frio
Pois de sentimentos sou tomado

A genêse da dor vem do meu peito
E aceito a contra gosto a cruz amarga
Sem escolhas se grassna aguda infamia
Eu, senhor de minha desgraça

Aguentar,
imperativo da existencia
ajoelho-me e peço minha clemencia
mas ja é tarde,
a noite tornou-se onisciencia.








2a- O que procuro

Um canto,
uma nota,
um rota
continua..
harmonica ou não
distoando a natureza
almejando a mudança
tornar-me desarmonico

procuro procurar
até nunca encontrar
o que realmente desejo,
um sonho,
real,
uma viajem
pelo universo,
em um plano
transverso
e virar tudo de cabeça pra baixo

desejo desejar o quanto mais
e não ficar so desejando
conseguir e partir pra outro plano
meta-universal,
infinito,
finito
astral
logo eu, robo da aparencia
me transmutar em inocencia
e vagar no ar,
transbordar de emoção

particulas a esmo,
sentido sem sentido
errante sem pidante
cantarolando sem pudor.

segunda-feira, junho 20, 2005

parte de Jung

Bem, como vocês ja sabiam (ou não) estava eu "escrevendo"(ou puxando de livros) um projeto de pesquisa sobre o tema: O Bem e o Mal em Jung e Nietzsche... estou fazendo-o e tenho que intregar quinta-feira... a primeira parte sobre Jung ta pronta... então eu postarei primeiro ela, depois a do Nietzsche mesmo porque a idéia do projeto não é fazer um amalgama e uma conclusão sobre o tema e sim apresentar o dito-cujo copiando literalmente o escrito por autores ou ditas autoridades sobre o tema (tendo publicado artigos ou livros). Então farei isso e depois tentarei fazer + da minha cabeça essa ligação e concluir usando apenas algumas passagens dos autores e considerando + o que eu sei sobre o tema e ai sim talvez propiciar algo novo... bem, o assunto ficaria maior mas como meu cpu deu problema enquanto eu fazia o trabalho resolvi diminuir (ja q o professor tinha dito que era no minimo 20 paginas e agora são apenas um minimo de 5!) ok... ai vai babys:

O Bem e o Mal em Nietzsche e na Psicologia Junguiana.
Em épocas de extrema violência, destruição e guerra, faz-se necessária uma melhor compreensão moral e filosófica acerca da antinomia do bem e do mal, princípios que, nos parecem a priori indissociáveis, como a necessidade do dia e da noite, da luz e da sombra. Tentaremos apresentar uma visão abrangente do tema, buscando tal na visão do filosofo Frederich Nietzsche (1844-1900), do psicólogo Carl Gustav Jung (1875-1961) e de psicólogos que seguiram a psicologia de Jung.
Muitos psicólogos, filósofos e religiosos ja tentaram compreender o mal, um conceito ou realidade muito difícil de lidar, porém a maioria acabou por ignorar o tema ou considerar o mal apenas como algo de menor valia, que não tem existência em si, apenas como diminuição do bem. Um dos teólogos que mais exerceram influência a visão ocidental e cristã que reduz o mal a uma privação de bem (privatio boni) é santo Augustinho. O conceito de privatio boni e do summum bonum são descritos por Paulo Bonfatti em seu artigo : A questão do mal, uma abordagem psicológica Junguiana:
"..., Summum Bonum, é uma concepção de que Deus é totalmente bom, que é o sumo bem. A Segunda, Privatio Boni, coloca o mal à ausência ou diminuição do bem do Deus totalmente bom."
No mesmo artigo cita Augustinho:
"E santo Augustinho em uma de suas obras contra os maniques e marcionistas, dá a seguinte explicação:
todas as coisas boas são boas porque umas são melhores do que as outras e a qualidade das coisas menos boas faz crescer o valor das boas... Mas aquelas que chamamos más, são falhas da natureza das coisas boas e nunca podem existir absolutamente por si mesmas, fora das coisas boas... Mas até mesmo estas falhas testemunham a bondade da natureza dos seres. Com efeito, o que é mau por alguma falha essencial é verdadeiramente bom por natureza. A falha essencial, com efeito, é algo contra a natureza, porque prejudica a natureza. E não poderia prejudicar, senão por diminuição de sua bondade. Por conseguinte, o mal nada mais é do que a ausência do bem. E por essa razão só se encontra em alguma coisa boa. E é por isso que as coisas boas podem existir sem as coisas más, como, por exemplo, o próprio Deus e todos os seres celestes superiores; não são maus...; se, porém, prejudicam, diminuem o bem e se continuam a prejudicar, é porque encontram ainda algum bem que podem diminuir; e se o consomem todo, a natureza já não tira mais nada que possa ser prejudicado; por isso, quando já não houver uma natureza cujo bem diminua, ao ser prejudicado, também não existirá mal algum para prejudicar."
Segundo Sanford em mal: o lado sombrio da realidade :
"Jung atacou a doutrina da privatio boni, submetendo-a a minuciosa crítica." (171)
E o próprio Jung citado por Sanford diz:
"de acordo com a doutrina da Igreja, o mal é meramente a ‘carência acidental de uma perfeição’" (171)
Segundo Sanford pode-se dizer que as críticas de Jung a privatio boni podem ser resumidas em três pontos:
"1- Pelo fato de a privatio boni encarar o princípio do mal como insubstancial e isolar o mal de qualquer relação divina integral, a figura de Cristo, tal como se apresenta no dogma da Igreja, é necessariamente unilateral. Cristo é somente bondade, amor, justiça e perdão; nele não há nenhum vestígio de obscuridade ou malícia. Como resultado dessa unilateralidade, o lado obscuro aparece na imagem do Anticristo, uma figura que compensa a unilateralidade da imagem de Cristo. Como escreve Jung ‘o símbolo de Cristo falha em relação à totalidade no sentido psicológico moderno, já que não inclui o lado obscuro das coisas, mas o exclui especificamente na forma de um oponente luciferiano’".(171)
Prossegue com o segundo ponto,
"2- Jung se torna um tanto quanto entusiasmado quando ataca a privatio boni porque ele acredita que a separação entre o mal e a divindade causou resultados prejudiciais para a humanidade. A imagem compensada e dividida do Anticristo resultou na autonomia do princípio do mal. O mal não está mais relacionado com o todo, mas é inteiramente livre para agir por si mesmo, o que resulta numa humanidade vitimada pelo mal, com desastrosas conseqüências..... Além do que, diz Jung, o sentimento humano é contra a doutrina da privatio boni, ou qualquer doutrina que de forma semelhante não se detenha sobre o sofrimentos da humanidade, propiciando o enfraquecimento do preparo psicológico para se reconhecer e lidar com o mal." (173-174)
E finalmente a terceira crítica:
"Finalmente Jung encontra uma objeção lógica à doutrina da privatio boni: ele percebe que o homem é compelido a pensar em termos de bem e mal, embora tanto um quanto outro são julgamentos humanos e não sabemos o que eles são em si mesmos. Ele atesta que não podemos pensar no bem sem pensar no mal. Eles são um "par de opostos logicamente equivalentes...Do ponto de vista empírico não podemos dizer mais do que isso.... Teríamos que afirmar que o bem e o mal, sendo metades coexistentes de um julgamento moral, não derivam um do outro, mas estão sempre juntos. O mal, assim como o bem, pertence à categoria dos valores morais". E em outra parte, numa de suas cartas, ele escreve: ‘A nível prático, a doutrina da privatio boni é moralmente perigosa, porque ela subestima e não se dá conta do mal e, ao mesmo tempo, enfraquece o bem, porque o priva de seu oposto necessário: não há branco sem preto, direita sem esquerda, acima sem embaixo, quente sem frio, verdade sem erro, luz sem escuridão, etc. Se o mal é uma ilusão, o bem é igualmente uma ilusão. Essa é a razão pela qual sustento que a privatio boni é ilógica, irracional e até uma bobagem". (174)
Para compreendermos melhor a idéia de Jung sobre o mal, melhor será definirmos alguns conceitos de sua teoria psicológica, como a sombra e o processo de individuação mas antes teremos que falar sobre os arquétipos. Não caberá nesse trabalho analisar minuciosamente conceitos tão vastos, contudo, irá se dar neste uma introdução aos mesmos. Aniela Jaffé em seu livro "O mito do significado ‘na obra de C.G.Jung’" nos fala do conceito de arquétipo :
"A palavra arquétipo deriva do grego e significa "a cunhagem original". Com relação a manuscritos, denota o original, a forma básica para cópias posteriores. Em psicologia, os arquétipos representam padrões da natureza humana, ‘a especificidade humana do homem’. Como grandezas inconscientes, permanecem também irrepresentáveis e ocultos, mas se tornam indiretamente discerníveis pelas combinações que produzem na nossa consciência: os motivos análogos apresentados pelas imagens psíquicas e os motivos típicos de ação nas situações primordiais da vida – nascimento, morte, amor, maternidade, transformação, etc. O arquétipo per se é como um criador por trás dos motivos arquetípicos, mas só estes são acessíveis a consciência." (19)
E mais afrente ela diz:
"A concepção do arquétipo de Jung é uma continuação da idéia tradicional de Platão. Assim como para este a "idéia", uma espécie de modelo espiritual, é preexistente e supra-ordenada à exteriorização ou fenômeno, para Jung é o arquétipo. ‘’Arquétipo nada mais é que uma expressão, já existente na Antigüidade, sinônima de ‘idéia’, no conceito platônico’¹. Os arquétipos são ‘‘inclinações’ vivas e ativas, formas ou idéias no sentido platônico’². Existem em cada psique, preformando instintivamente seu pensamento, seu sentimento e sua atuação." (19)
Ela ainda diz :
"Em 1919, Jung fez pela primeira vez a comparação entre o arquétipo como fator estrutural da esfera espiritual-psíquica e o instinto como "tipo de natureza apriorística’ ordenadora da esfera biológica."
Jung ainda modificaria o conceito de arquétipo até sua concepção final formulada segundo Aniela Jaffé em 1946, mas este projeto não visa adentrar em um assunto tão vasto. Voltemos ao tema do bem e do mal abordando um arquétipo especifico, a Sombra. Marie L. Von Franz no livro organizado e escrito em parte por Jung "O homem e seus símbolos" nos diz sobre a sombra:
"A sombra não é toda personalidade inconsciente: representa qualidades e atributos desconhecidos ou pouco conhecidos do ego – aspectos que pertencem sobretudo a esfera pessoal e que poderiam também ser conscientes. Sob certos ângulos a sombra pode, igualmente, consistir de fatores coletivos que brotam de uma fonte situada fora da vida pessoal do indivíduo.
Quando uma pessoa tenta ver a sua sombra ela fica consciente (e muitas vezes envergonhada) das tendências e impulsos que nega existirem em si mesma, mas que consegue perfeitamente ver nos outros – coisas como o egoísmo, a preguiça mental, a negligência, as fantasias irreais, as intrigas e as tramas, a indiferença e a covardia, o amor excessivo ao dinheiro e aos bens – em resumo, todos aqueles pequenos pecados que já se terá confessado dizendo : ‘Não tem importância; ninguém vai perceber e, de qualquer modo, ás outras pessoas são assim.’’" (168)
Segundo Jung, o mal e o lado negado da personalidade, a sombra, fazem parte da unidade do indivíduo que deve ter consciência desta sombra para seu processo de individuação, rumo a totalidade psíquica. Nos diz Aniela Jaffé (1983):
"...os "poderes da esquerda e da direita" fazem parte da unidade, e o objetivo da individuação não é o homem perfeito, mas o homem completo com sua luz e com sua escuridão. O mal, assim como o bem, é dado ao homem juntamente com o Dom da vida. Não pode nunca ser completamente vencido, embora o homem tenha a chance de contê-lo, tornando-se cónscio dele e analisando-o. Quanto mais consciente for de suas predisposições para o mal, mais condições terá de resistir às forças destrutivas dentro de si.
Em geral, a individuação tem início quando o homem se torna consciente da própria sombra, da escuridão e do mal inconscientes, que são, no entanto, parte integrante de sua totalidade."
E logo após nos mostra como a Sombra não é simplesmente o mal:
"Na sombra, vive tudo o que não quer ou não pode se adaptar aos costumes e convenções, assim como às leis religiosas e civis. É a "negação" mefistofélica, a contra-realidade com a sua desobediência, a vontade recalcitrante e a revolta contra o cânone cultural. Uma conformação com a sombra, entretanto, torna-se singularmente difícil pelo fato de ela não ser sempre, nem de modo inequívoco, um ‘mal’. A sombra não é tão-somente destrutiva, e a consciência nem sempre está do lado das prescrições gerais."
Jung não quis em momento algum a perfeição do ser humano, ou que este fosse totalmente bom –apesar da relatividade do termo- mas sim que este pudesse integrar os conteúdos que fossem seus ou que "brotassem" do inconsciente coletivo, o que muitas vezes atrapalha esse crescimento, esta individuação continua é o que Jung chamou de persona, Bonfatti nos fala sobre a mesma :
"Além de máscara a Persona é um papel. São os papéis desempenhados ao longo da história (pai, mãe, sacerdote) que orientam a nossa conduta. Apesar de orientadora, quando ela se torna dominante, pode abafar o indivíduo. (7)
E mais afrente diz:
"Mas, ao mesmo tempo, a identificação com a persona, com a máscara, leva a uma perda do contato com o lado sombrio da personalidade e a personalidade total e real fica distante e oculta." (7).
Bonfatti cita Jung e nos demonstra uma boa síntese da visão Junguiana acerca do assunto:
"Só o auto-conhecimento mais amplo e severo possível, que olhe o mal e o bem numa relação correta e seja capaz de ponderar todos os aspectos, oferece uma certa garantia de que o resultado final não será muito ruim." (10)
Será necessário ao artigo adentrar as idéias Nietzscheanas, para que seja levado a fundo as ligações e divergências entre Nietzsche e Jung acerca do assunto tratado.

quarta-feira, junho 15, 2005

O Arquétipo Psicóide.

Livro: O Mito do Significado de Aniela Jaffé ; cap 2.

O Arquétipo Psicóide

O arquétipo é "um elemento do espírito", o instinto, "natureza pura não falsificada" - tais são as suas descrições contraditórias (ou, para ser mais exato, do seu "modelo"). Deve-se, assim, pensar nele como uma entidade paradoxal. Não é raro o estabelecimento de paradoxos na ciência, mesmo nas ciências naturais. Um exemplo bem conhecido é o eletron, que se apresenta à observação ora como onda, ora como partícula. Embora a observação de uma realidade exclua a de outra, ambas são válidas. Elas se completam mutuamente. O Dr.Robert Oppenheimer fala, nesse sentido, de uma "dualidade" que se aplica à natureza da luz e de toda matéria. Uma dualidade, "um problema dos opostos que é profundamento característico da psique", é válida também para os conteúdos do inconsciente. No fundo, trata-se menos de opostos do que de antinomias, de modalidade de manifestações que se completam.

No decorrer dos anos, Jung fez constantemente novas e mais realísticas formulações da "idéia" do arquétipo e do "modelo" projetado por ele. A concepção de sua antinomia, no entanto, não só permaneceu intacta como foi aprofundada. A correção final e decisiva, formulada em 1946, foi a afirmação, à primeira vista surpreendente, de que os "arquétipos têm uma natureza que não pode ser designada, com certeza, como psíquica". Ele tirou essa conclusão teórica do fato de a natureza real do arquétipo como conteúdo do inconsciente coletivo permanecer irreconhecível, do fato de ela ser uma entidade "metafísica" e, como tal, não suscetível de definição final e inequívoca. Desde então, denominou o arquétipo "psicóide" ou semelhante a alma. "Psicóide" é um conceito adjetivo que exprime a possibilidade de algo ser tanto psíquico como não-psíquico. Enquanto o modelo arquetípico fora até entçai descrito como uma antinomia entre instinto e espírito, esta lcança agora a mais extrema tensão entre "espírito e matéria" ou "espírito e mundo". Com isso, não sugere apenas a idéia da possibilidade de uma "cunhagem" arquetípica do mundo e do cosmos, mas Jung vê no arquétipo psicóide uma "ponte para o assunto em geral". A rigorosa sepração de psique e mundo é abolida. Em 1951, escreveu ele : "As 'camadas' mais profundas da psique perdem a sua singularidade indivídual à medida que aumentam a profundidade e a escuridão. 'Para baixo' quer dizer que, aproximando-se dos sistemas funcionais autônomos, se tornam progressivamente mais coletivos até se universalizarem e desaparecerem na materialidade do corpo, isto é, nas substâncias químicas. O carbono do corpo é simplesmente carbono. Portanto, 'no seu amago', a psique é simplesmente 'mundo'."

Essa nova caracterização do arquétipo como "psicóide", com todas as consequências que isso implica, é uma ampliação audaciosa senão lógica do modelo original do arquétipo como um todo autinômico e paradoxal. Seus aspectos complementares de largo alcance (como espírito e natureza, como elemento estrutural da psique e do mundo) explicam a sua aplicabilidade às ciências espirituais tanto quanto às ciências naturais e também por que a psicologia profunda pertence a ambos os campos.

sábado, junho 11, 2005

É de ponte e travessias,
que se faz a evolução
ou isso é um imperativo
que nos corta em solidão?
Evoluir é congruir,
ser os dois lados ao mesmo tempo
ou permanecer saltetando,
de lado a lado,
de extremo a extremo..

Ser humano dual,
A procura da tragédia,
que nos corta o sentimento
de dominio e de ordenação
que no corta o logos e,
nos esvai em contradição
-pois ainda queremos ser imortais-

ah, anátema da vida de superação,
oh maldição, oh improbabilidade,
ai estas, temporalidade
É essa continuidade de dor,
de amor, de prazer
Esta é a vida,
um universo de axiomas
que ainda podem ser,
ou que ja se foram,
neste céu evanescente.

"O meu olhar precipita-se para o cume, enquanto a minha mão quereria fincar-se e amparar-se... no abismo!" F.Nietzsche

quinta-feira, junho 02, 2005

-.-.-.-.-.-

Obs: este post não trata de assuntos filosoficos, metafísicos, literatos, baboseiras, ou etc... trata-se de uma catarse escrita de maneira espontanea e direta, agradecendo desde ja, seu piloto, John Stuart.

Tem dias que acordamos pensando só na desgraça. Até onde pode chegar a hipocrisia do ser humano, muitas vezes, nos vemos como os proprios hipocritas, "aquele que luta contra demonios deve tomar cuidado para não se tornar também um demonio". A queda no desfiladeiro é bem simples, e la podemos escolher alguns caminhos, a paranoia, a esquizofrenia, a subida do abismo, a negação do abismo como inexistente ou mesmo a aceitação do abismo como parte de nos.

E nessa luta contra a dor não há vencedores, nem derrotados, apenas uns que consguem lidar de "melhor" forma com o arrancamento de sua própria pele... tem gente que consegue aguentar ser mordido pela vida, tem outros que não. "O que eu provo a prato pleno, pode ser o seu veneno.."

Pensar que o universo conspira contra nos é tolice, é só mais um argumento pra tirar a nossa propria responsabilidade... mas talvez não seja tão tolo crer que existem situações as quais estamos cercados por todos os lados por onças e leões e existe apenas uma passagem de meio metro após todos eles e é por la que devemos passar... Ser mordido é inevitavel, desistir é uma escolha... vencer mesmo dilacerado, é outra.

A hipocrisia é maligna, mas podemos supera-la, não seguindo um caminho linear... mas com um salto, um pulo em rumo ao enfrentamento por mais doloroso que isso nos pareça, um salto quantico, um rumo a fé, um rumo ao agnosticismo, um rumo ao amor sufi, tanto faz... simplesmente um pulo necessário - que cada um tem suas necessidades, por adversas ou positivas que nos pareçam -.

Enfrentar, enfrentar, enfrentei... so espero ter feito a coisa certa, so espero que tudo possa brilhar... como um sonho estelar.

sábado, maio 28, 2005

Poesia Nova

A parada da critica a psicanalise eu apaguei, em breve boto a parada completa e re-estruturada (tava mto feio). Poesia nova :


Mor-mento.


Seus olhos vidrados,
naquele doce momento
Janelas treminam,
Portas quebravam
Flores morriam

Tensão
Re-tensão
Tesão

O universo para ele tornou-se uno
um momento singular
um crepusculo solar
explosão de um fenomeno oportuno

morte do dia-noite
pertenceu ao universo
morreu em dia chuvoso
para nascer, renascer

no gozo da explosão
em um universo de criação
continuo
fogo,
ardor,
situação
calor
repentino

e hoje, o que mais lhe fascin
aé saber que a vida,
além de tudo e mais que tudo
é energia
vibração
amor.

quarta-feira, maio 25, 2005

Figuras Mitologicas PARTE II

Desta vez traremos a tona não só uma figura mas um "casal".
O primeiro do casal que apresentaremos se chama Mescalito. Ele é reportado em muitas tradições e aparece constantemente e seu nome deriva do Shamanismo no México, onde ele é o espirito do peiote, o cacto sagrado dos xamanismo Mexicano.
A aparencia do Mescalito, visto por Robert Anton Wilson era um homem verde, com verrugas e orelhas pontudas, o Mescalito foi visto também por Carlos Castaneda e constantemente pelos Shamans.
Atualmente o Mescalito poderia se manifestar como figura do Peter Pan, ou o Sr.Spok, pelo menos segundo Robert Anton Wilson... mas não estou muito certo disso.
A segunda figura e sua parte feminina seria "A Rainha do Espaço". A Rainha do Espaço segundo o dr. Jaques Valee entraria em contato constante com crianças (diferentes de outros supostos ufos) e completa o doutor Jaques "os ovnis e as aparições de virgem Maria, parecem ser o mesmo fenomeno".
Robert Anton Wilson então faz paralelos com as citações de "Nossa Senhora do Espaço" com a Egipcia Nuit e finalmente com a paralela feminina de Mescalito que seria a mulher peiote. Essas co-relações entre mescalito e seus similares e a mulher peiote e seus similares seriam manifestações de arquétipos do Inconsciente Coletivo segundo a teoria de Wilson, se é ou não... ja não sei, mas que é divertido (e misterioso), isso com certeza.

sábado, maio 14, 2005

Palavras de um santo homem, sábio indío Sioux, Lame Deer

"doença, cadeia, pobreza, alcoolismo - eu tive que experenciar de tudo isto por mim mesmo. O pecado faz o mundo girar. Você não pode ser tão imutável, tão inumano querendo ser puro, como se sua alma tivesse embrulhada num saco plástico durante todo o tempo. Você tem que ser ambos, Deus e diabo. Ser um homem curandeiro significa estar exatamente no meio da confusão, e não defender-se dela. Significa experienciar a vida em todas as suas fases. Significa não ter receio de ser profundamente marginalizado e bancar o bobo uma vez ou outra. Isto também é sagrado.

E em outro lugar o mesmo Lame Deer anota :

"Os brancos pagam o orador para ser "bom", saber comportar-se em público, usar colarinho, manter distância de certos tipos de mulheres. Mas ninguém paga o índio curandeiro para que seja bom, comportar-se e agir respeitavelmente. O wicasa wakan (homem santo) apenas age de acordo com ele mesmo. Foi-lhe dada a liberdade - a liberdade de uma árvore ou de um pássaro. Esta liberdade pode ser bela ou feia; não importa muito."

Salve! Salve!

terça-feira, maio 10, 2005

Série : "Figuras incriveis da mitologia, parte I"

Hoje abordaremos a misteriosa e excentrica figura do Embusteiro, figura típica nos mitos amerindios, nosso "heroi do dia" era também conhecido pelos cod-nomes Coyote, saynday, Velho, Corvo, Aranha, Wisagatachak, Coelhou ou Wakdjunkaga.

O embosteiro era uma figura não muito moralizada, dentro dos padrões indigenas, ou segundo John A. Sanford (em o Mal; o lado sombrio da realidade) ele é um ser moralmente inferior, que tem qualidade burlescas. O fato é que o embosteiro era um ser que só fazia cagada, ele "tacava areia" nas grandes criações do Grande Espírito (uma especie de Deus da natureza indigena).
Reza a lenda que o velho embosteiro seria uma figura dotada de um membro de tamanha magnitude, que em suas constantes viajens, este ser precisaria enlaçar o falo gigantesco nos ombros, e não para por ai, esta rara espécime magnifica ainda contaria com outras peripercias, inclusive sexuais, ele tem a capacidade de retirar o próprio pênis do corpo possibilitanto coisas nunca vistas antes.

O embosteiro acaba fazendo muita bagunça no mundo, não por possuir uma maldade em si, mas por ter uma consciencia "muito baixa" e um poder muito grande (oq ja é visto pelo genital do sujeito), Todas as atitudes dele são sempre "idiotas" e ele acaba fazendo coisas que ajudam quem ele quer atrapalhar, ou se ferrando no final... e em suma, é um típico Herói!

quinta-feira, maio 05, 2005

História da geladeira e do fogão.

Dias cinzas e nublados eram de praxe o tempo em Loki City, onde morava a figurava mais
misteriosa de todo estado e segundo alguns, de todo país.

Andando com suas capas cinzas grafite, seu chapeu estilo blues, caminhava pelo parque as 2:00 da madrugada. Era ele, o vulto, a sombra, o fantasma. Era mais conhecido por esssas redondezas como Jullius, filho de padres e neto de bandidos, idolo de uns, o inferno para outros.

Nessa mesma hora, da quina de sua janela, que dava para o parque, Gabriel o observava... e como o admirava, quase em mesmo grau do quanto o temia. Gabriel era um garoto comum, tímido, herosexual, conservador, observador, contido, e que adorava cantar sonetos sobre solstícios e equinócios.

- NÃO!! POR FAVOR!! VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO!!!!!!!!!

- Ja se foi o tempo da misericordia, ad infinitum, relembra-se? Estas a vilipendiar teu
destino? Não sejas tão covarde, logo ti, dono do fogo, hahahahaha! Que doce tragédia! Seja
feliz, tua vida terminará em arte, em ousado ditirambo.

Continou por mais ou menos 30 minutos olhando Jullius, da greta da janela, então resolveu
dormir, precisava descançar, amanhã teria um dia cansativo... é que fora escolhido para um
trabalho em estágio de Psicologia.

- Droga! Logo um estagio de psicologia organizacional? Eu não gosto nem um pouco disto,
ficar manipulando pessoas, resolvendo conflitos - que deveriam aumentar-. Isso tudo me parece muito chato. - conversava com o espelho Gabriel.

Tiririinnnnnnnn!! Tiririnnnnnnnn! Tocou o desperador em bom som, sem nenhum tipo de piedade!

- Ahhh, maldito! pensava Gabriel.

- Enfim, ja é hora de me levantar...a faculdade me espera. Partiu então em seu rumo, apos um bom café da manhã. Não podia reclamar, sua vida era boa... estudante de uma boa faculdade, filho da classe média, o que poderia querer mais?

- Deixarei-te beber um gole mais, desta cicuta gloriosa, desta heroina doce, embebede-se, ao
menos pela ultima vez...

- VOCÊ NÃO PODE!! POR FAVOR!! EU TE IMPLORO!!! disse as lagrimas, caiu então de joelhos, pediu misericordia, clamou por Deus, clamou, clamou...

Era um pequeno garoto quando começou a se envolver com o rock´n´roll, filho de familia
pobre, extrovertido e alegre foi humilhado por patrões, humilhado por irmãos, humilhado por
ser quem era... um feliz, entusiasta, estudante rebelde e bisexual, isto bastava para cavar seu
tumulo... tornou-se então aquele ser escondido, vagando por entrar as cinzas, na margem, no
lixo, por baixo do véu de Maya, onde só ele e muito poucos poderiam ir...

Chegando enfim no estagio começou a fazer o trabalho de recursos humanos, Gabriel estava
muito apatico a tudo aquilo, não via metas, onde estava o sentido de tudo aquilo? Perpetuar a
desgraça? Preferiar se enforcar numa corda, tomar um veneno, e assim seria...ad infinitum,
repetiu consigo mesmo...ad infinitum...paulatinamente foi ficando tenso, e mais tenso, mais
tenso....

- AHHHHHHHHH! DESGRAÇA!!! - após o grito desesperado Gabriel correu pra floresta, entre sua casa e a empresa, onde agora trabalhava -temporariamente-.

- NãOOOOOOOOOOO!! escutava-se de longe o grito do jovem, sua voz irreconhcivel logo sumiu, talvez pelas cirunstancias tenebrosas, uma adaga enfiada em seu coração, um universo perdido, um triste gemido, um gozo de dor!

- Se faço isso amigo, é pelo teu bem, é ja hora de tua sentença, se queres a morte não podes teme-la, não permitirei que permaneças no inferno no qual estas, deves agora estar pronto para tua sentença, e quando estiveres lá, caido e perdido, ainda assim possa se
levantar, e como a Fenix que urge, ter em mãos teu próprio destino.

Ja na floresta Gabriel suava e chorava, sua vida monotona entrará em crise, em decadência,
estava agora aquiecido pelo fogo, pela irá, em ponto de ebulição. Ficaria ali, naquele lugar
deserto, o que teria a temer? A morte ja manisterara-se para ele em vida, não a temeria, ja
desconhecia a palavra ser, era puramente estatistica, era puramente estatico, tornara-se
estatua, ente, demente.

- Arvore, dai-me a luz, destrua essa desgraça que se chama vida, quero sair deste local sem
sentido, quero sair dessa inferno, quero sair dessa paralisia! Paulatinamente viu uma luz aparecer de maneira arbitraria. Não, não tinha controle sobre ela... e ela foi aproximando-se, aproximando-se...

Roqueiro, bisexual, perdido no mundo, estava pronto a aceitar a derrota mas algo em si ainda
pedia para viver, algo ainda pedia para explodir. Sim! Era isso, viver em fluxo continuo,
valorar o bem e o mal, superar e sentir a dor, viver é agora! Enfrentou a morte de frente,
olhou-a face a face, isso aos seus 17 anos... isso, a longas datas...

Após sua morte com a adaga enfiada no peito, aceitou finalmente a morte, e paradoxalmente
aceitou também a vida, resolveu não negociar mais e viver, resolveu surtar e se atraver, pois
se a vida é limitada, ilimitada seriam suas possibilidades, voou, resurgiu, com o fogo de
Deus, com o fogo dos céus, com o fogo que é teu.

A sombra finalmente revolou-se, era o tenebroso e sinistro Jullius, Gabriel assustou-se
sobremaneira, olhou face a face, Jullius sorriu e levantou uma adaga... A vontade de Gabriel se manifestou, em pouco tempo estaria morto... ou finalmente, VIVO.

Feliz 05/05/05

Dia do caos, da discordia, da quintaessencia, dia do quinto dia, quinto dia do quinto mes, quinto mes do quinto ano.
Salve Éris, Salve Johrenko nemes illie Ja Vi, Salve Alquimistas! Salve Reverendos, Diaconos e etc.. hoje é o dia da confusão, façam confusão e se reabilitarão no reino da discordia.
Amém.
Ah sim, o trabalho de pesquisa aplicada a saude (o projeto) eu não consegui achar artigos sobre aquele tema, então o que farei será falar sobre o seguinte tema : O bem e o mal em Nietzsche em Jung, ja to com algum material, peguei 2 artigos no site pos-Junguiano : http://www.rubedo.psc.br/inicio.htm que se chamam o "a questão do mal, uma abordagem psicologica Junguiana" e "O que fazer para viver bem com o mal". Peguei na biblioteca para emprestimo o livro microfísica do poder do Foucault, ai ja são 3. Ai eu uso o homem e seus simbolos do Jung, o Além do Bem e do Mal e Ecce Homo do Nietzsche ai são 6, faltam 4.
Se alguem quiser ajudar (q deixaram mensagem mas não sei quem é) será totalmente bem vindo(a).

domingo, maio 01, 2005

Frases da his.da magia

Algumas frases do livro História da Magia pra vocês, meus queridos:

"Infeliz do homem que não quiser sofrer" Eliphas Lévi
"Eu creio porque é absurdo" Tertuliano
"Eu não tenho medo senão dos que temem o diabo" Santa Teresa
"A luz só, sem sombra, seria invisivel para nossos olhos e produziria um deslumbramento equivalente às mais profundas trevas." Eliphas Lévi
"Deus chama-se verdade, e nele a sombra e a luz fizeram um. Aquele que conhece isto não mente nunca, porque se ele quiser mentir, ele fez de sua mentira uma verdade." livro Oupnek´hat, livro mágico dos Brahmas
"Deus: Eu sou a alma universal, em mim estão o bem e o mal que se corrigem um pelo outro. Aquele que sabe disto, não será nunca um pecador; ele é universal como eu." livro acima.
"O que é superior é como o que é inferior e o que está em baixo o que está em cima para formar as maravilhas da coisa única." Grande Hierofante Egicio (principio Hermético)
"Toda vida repousa sobre a morte." ditado Grego (não sei quem).

sábado, abril 30, 2005

Ontem fui no show do placebo, banda que nem fede nem cheira pro meu gosto...boazinha, o show foi bem razoavel, enfim, um show em demasia morno (e eu não gosto muito de coisas mornas).
Hoje comi comida Chinesa e fui comer meu famoso biscoito da sorte e quando eu abro veio 2 mensagens (que minha familia logo falou: "ah, é q ele ta precisando de mais.."... isso nunca tinha acontecido... sempre vem UMA. Mas enfim, esses biscoitos me dão muito medo... as mensagem foram as seguinte :

1- "quando um fruto cai e apodrece a semente germina em uma nova planta."
2- "Atinge-se a sabedoria quando suas ações tornam-se tão evidentes quanto ás da natureza."


Em breve colocarei aqui dois posts, que serão os seguintes : a pedido do Rafael e do meu ego...um post explicando os motivos de por que sou contra a psicanalise.... e o outro será um projeto de pesquisa que tenho que fazer...estou pensando no tema : Inconsciente Coletivo, sistemas de magia e totalidade em Nietzsche... é um tema dificil eu sei...mas se eu achar artigos cientificos sobre o mesmo eu farei.. o professor falou que tinham que ser 10 mas que podia varias com livro...e livro sobre o assunto q ja li pensei em 4 : O homem e seus simbolos (Jung), Além do bem e do mal (nietzsche) ou assim falva zaratustra, história da magia (eliphas lévi) e sei la, eu invento outro... posso usar o fundamentos da psi analítica ou pegar na bibrioteca

segunda-feira, abril 25, 2005

O pensamento, a garrafa e o garoto

Um pequeno e audaz garoto uma vez decidiu botar todos seus pensamentos dentro de uma garrafa, afinal, sua mãe sempre lhe falava que não podia deixar suas coisas soltas por ai.
- Mãe! Vou organizar meus pensamentos, vou botar todos dentro de uma garrafa, posso pegar uma garrafa na cozinha?
- Pode filho, mas não vai fazer bagunça - respondeu a mãe desatenta.
O garoto então foi viajar em sua aventura. Pronto, tinha tudo que queria, seus pensamentos, uma garrafa e ele para organizar e enlatar seus próprios pensamentos... Começou então lentamente a separar pensamento por pensamento em categorias, aposteriori começou a separar os pensamentos que não queria botar na garrafa....sabe como é, organizar as coisas tem essas vantagens...
- Hmm, vejamos, chingar a mamãe? Ah, esse fica do lado de fora, de preferencia de baixo do travesseiro...
Pensou então em beijar sua amiginha, ficou corado e nem cogitou em falar alto, guardou esse para si, no fundinho do coração. Depois de tudo categorizado pensou agora em como ele poderia botar tudo dentro da garrafa. Achou tudo estranho demais, nem sequer ele via seus pensamentos e como então botar nas garrafas?
Resolveu que iria anotar tudo no papel e colocar na garrafa, paulatinamente foi lotando a garrafa que outrora fora recipiente de um liquido gasoso. Começou a perceber que seus pensamentos não acabavam, se multiplicavam como por meiose, mitose ou seria mitopoese? Não sabia bem a diferença... ouvira falar de algo assim na escola, mas isto ainda estava muito "além de sua idade", ou seria aquém?.
Com o passar do tempo a garrafa não cabia mais nada!! Começava então uma pilheira de garrafas cheias de pensamentos mas mesmo assim eles não acabavam, a ordem aos poucos sucumbia ao caos...o garoto então começou a pensar:
- Será que os pensamentos são infinitos? Se eu for separar tin tin por tin tin não viriam eles do mesmo elemento? Não seriam portanto em essencia os mesmos? Da onde vem os pensamentos? Por que não os vemos? Seriam pensamentos a mesma coisa que o nada, deus ou o ar?
De todas as perguntas só chegara a uma conclusão, não adianta querer ordenar todo o mundo, as coisas são mesmo assim... A gente cria razões, causas, elementos de elementos e outras coisas estranhas, mas no fim é tudo pra não encararmos a verdade:
- "a vida não cabe em garrafas de refrigerante."
Bem, mas talvez caiba em mochilas de algodão pensou o garoto e começou a categorizar seus pensamentos......