quarta-feira, agosto 31, 2005

Tote

Em um momento de lembrança
Me vem passagens rúbreas na memória
também cinzentas e as de glória
no surgimento da esperança

grita a escada que a mim dança
e pede-me que de alento eu suba nela
Oh querida, bela donzela
Não a deixaria só, nesta novela

A minha história é de subidas e descidas
de feridas e magoas perdidas,
que por entre negros tuneis cerebrais
guardo em profundos lobos temporais

Puxo e sugo estas memórias perdidas,
Dou a mão a Satanás
Em lúgubres recantos infernais
Deixo de açoitar lembraças primordiais

E se me envergonho de meus erros do passado,
Sei que melhor seria valora-los diferente
Para uni-los nesta sinergia intermitente
que produz aqui dessa energia, um sol, de um dado

que luta para viver
mas que não sabe amanhecer
sem ser um novo ser

domingo, agosto 28, 2005

Sagitário e o Amor

- texto devidamente usurpado do livro de minha mãe astrologa : O livro dos Signos de Maria Eugênia de Castro -

Sagitário e o Amor:

O amor de Áries e do Sagitário tem algumas semelhanças, sendo oportuno lembrar que são dois signos de fogo, igualmente impetuosos e arrebatados quando amam. Os dois são inclinados ao amor a primeira vista. A paixão acontece como o raio de Júpiter, direto e intenso, porém algumas características marcantes evidenciam as diferenças entre eles. O Sagitário se apaixona com bastante facilidade, aliás, dá a impressão de que está sempre pronto a inciar um tórrido caso de amor; entre de corpo e alma, sem muitas elucubrações quanto às consequências ou ao futuro, se houver. É um signo que não se faz de rogado, não dificulta os primeiros contatos nem complica os ritos de aproximação. Quando quer e sente alguma receptividade no outro, vai em frente com o maior entusiasmo, soltando foguetes. Por sua natureza ativa e yang, prefere estar no papel de caçador e não costuma se adaptar à neutralidade do conquistado.

Mas, quanto à continuidade... o arqueiro não é o mais fácil. Mostra grande relutância em aceitar os vínculos de um compromisso muito sério, detesta as cobrança, as cenas de ciúmes e possesividade, bem como os regulamentos mais corriqueiros que passam a ser habituais em qualquer relacionamento. Para esse indivíduo de alma livre e coração aventureiro, os vínculos equivalem a pesadas correntes, e as regras sociais de manutenção muitas vezes afastam-no das alegrias de uma união estável, apesar de ele gostar muito de companhia e de ter horror a solidão.

A frase "até que a morte os separe" apavora 0 arqueiro parcialmente. Ele é capaz de viver um bom casamento, se o parceiro souber ser uma pessoa muito especial. Isto é, amarrar um Sagitário numa união requer muita arte e algumas estratégias. É fundamental que este(a) parceiro(a) seja uma pessoa mentalmente dinâmica, com uma capacidade de mutação constante e uma variedade infinita de interesses a partilhar.

O alimento principal de um espírito sagitariano é a troca. E ele precisa estar constantemente conversando, interagindo, "filosofando sobre a vida", enfim, literalmente trocando idéias e crescendo junto com seu(ua) parceiro(a).

O Sagitário necessita de alguém interessante. A beleza física e o sex-appeal nunca serão atributos desprezíveis, porém o equipamento mental (Mercuriano) do(a) companheiro(a) precisa ser de alta qualidade, porque é um ponto muito mais valorizado do que se pensa. Se um Sagitário tivesse que escolher entre um(a) companheiro(a) de grande beleza física ou mentalmente superdotado(a), iria preferir a segunda opção. Para ele, é muito mais divertido e instigante o intercâmbio mente/mente do que apenas a apreciação estática de atributos puramente físicos.

Para "prender" um Sagitário, só existe uma "corrente segura" - alguém dotado de uma mente jovem, portanto curiosa, versátil e, se possível, inteligente. O Sagitário gosta de alguem que esteja sempre disposto a aprender, a questionar e a motivá-lo a exercer sua vocação inata de professor.

O Sagitário, em resumo, é um tipo fácil de viver e conviver porque gosta de gente, comunica-se bem, é alegre, estudioso, religioso, simpático, extrovertido, bem-humorado, namorador, grande amante, excelente pai, gosta de arriscar em jogos, apostas e inúmeras outras brincadeiras, esportivo, ama as crianças, os animais e os desprotegidos, mas tem uma imensa necessidade de sentir-se livre, permitindo-se estar sempre em atividades e movimento.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Sobre existência e conhecimento.

Inter-rompo-me por um momento, com meu eu e meu não eu que sou. Preciso pensar o que diz meu desejo, minha Vontade, meu inconsciente coletivo, minha vaidade, meu ego, meu self. Preciso pensar e deixar de seguir... o que seja, não importa, se tiver que ser doloroso será, se tiver que me destruir, destruirá, o que não posso é permanecer entre filósofos e cientistas, como eu não fosse um artista e nos papeis da vida só copiar e copiar... não sou maquina de xerox, nem apenas um artista de colagens, quero pintar e re-pintar, quero desenhar e apagar... construir novas coisas e destruir, influir, refluir, estar em fluxo.

Não existe momento mais oportuno para isso que o caos, a ordem complexa que foge a linearidade e é justamente esta fuga do causal e do mecânico que posso influir de maneira alógica e parafusar coisas estranhas, doces estranhezas, que me propiciem uma vida acessa e com muitas mutações. Não quero ser sempre o mesmo, "nem ser o que já sempre fui", não me importa o que diz a teoria de Jung, Heidgeer, Deleuze, Freud ou Japiassu. Foda-se, não me importa, talvez este seja meu texto mais inteligente ou o mais inconseqüente, mas isto também é só um modo de compreensão que neste momento sustento com o vento e com os sonhos adolescentes de um momento singular.

Agora vamos lá: o que penso hoje e agora, alguns pontos e algumas horas, de catarse epistemológica impensada:

A - É impossível alcançar o real, apenas é possível captar fenômenos, partindo da idéia de que, nossos sentidos não são capazes de captar primeiramente todos os estímulos que se encontram no ambiente, e este ambiente é também apenas uma organização organismica própria, isto da margem à diversos "tuneis-realidade" que não são falsos ou reais, apenas diferentes entre si. Socialmente isto leva a diminuir bruscamente as considerações sobre delirios, loucuras, paranoias. Enquanto realidade consensual, deveríamos ter portanto uma maior abertura a diversidade (o que não significa abertura absoluta, pois um "tunel-realidade" serial-killer por exemplo, apesar de não ser falso ou real, é uma existência que causaria um enorme prejuízo afetivo-psiquico nos fenômenos 'existentes').

B - O presente é relativo, pode-se prever o futuro ou modificar o passado... podemos dar algumas explicações mas apresento aqui apenas uma descrição do fato dentro de realidade especificas.

C - Não existe causalidade linear absoluta, portanto pequenos fatos a longa distancia que nada causaram num momento especifico podem se intrometer espontaneamente num fato a posteriori. Nem toda causa gera efeito e nem todo efeito é gerado por uma causa, existe livre-arbítrio relativo, ou seja, não absoluto, algo é condicionado e algo não. Alguns efeitos provêm do Nada, outros, do Caos. Caos e nada se diferem, sendo caos a ordem complexa que tudo possui e o Nada onde nada existe.

D - Existem várias maneiras de existir no mundo e nenhuma é certa ou errada, mas algumas são dotadas de maior força, o enfrentamento é um imperativo a evolução. O conceito de evolução é relativo e cada pessoa pode criar o seu, mesmo que não tenha coerência alguma e todo conceito tem uma intenção, mesmo que inconsciente. Dentro de minha perspectiva observo que a coerência é importante para levar-nos a algum ponto que desejamos, então todo conceito e teoria mais interessante seria se dotada de intencionalidade consciente(teoria-objetivo). A evolução em minha visão seria portanto feita a partir de mutações (sejam conscientes ou inconscientes) que levam a uma maior complexidade.

E – Não existem objetos, tudo é vivo, nada é simplesmente um receptáculo de um sujeito, tudo se modifica, todos chamados objetos tem um sentido e evoluem, quase tudo se modifica e se relaciona, os ‘objetos’ nos dominam e nos dominamos os ‘objetos’ ou ambos se relacionam, é a diferença fundamental entre ‘seguir ou guiar a natureza’ ou simplesmente se relacionar.

domingo, agosto 21, 2005

Luz e Sombra

Parte I : O sonho e a gravidade;

Hoje, não sei ao certo em que dia estou, pensamentos vagos da realidade são o que me sobraram, ora ou outra quando acordo lembro do que exatamente me ocorreu, o dia é nublado e turvo. Meu momento é todo sonho, é todo linear, me impressiono as vezes com a falta de coerencia que é o que muito chamam de causalidade.

Neste estranho e bizarro mundo em que alucino, todo são dominados em teias, esperando a aranha chegar para come-los, é como um pesadelo, aqui não existe o poder da possibilidade, é como um planalto de complexos reificados, maquinas que seguem estranhas leis que eles (ou eu mesmo) chamam de física. A singualaridade é só um fetiche ilusório nesse mundo.

Não entendo! Me perco, as vezes penso que preciso de ajuda para sair desse imperativo sombrio, deste lado infernal, grito e peço suplicio mas minha própria policia me espanca a qualquer tentativa de fuga; meus complexos me ridicularizam e aos poucos fogem de mim, meu medo é cada vez maior, a cada segundo que pareço chegar mais perto, e mais perto, da realidade.

O limiar é o desespero, a angustia pura e talvez o meu enterro, mas planejo aos poucos, ismiussadamente, uma estratégia estridente para metamorfosear este universo em real.

- Preciso pensar, preciso pensar!

Me sufocam os pensamentos compulsivos e o momento, estou solitário, preciso de alguem, de alguma companhia mas no fundo sei que todas as companhias que me restam não passam da policia que eu mesmo criei contra mim.

- Isso tudo faz razão! Calma! Preciso me convencer.

Enquanto saio da lógica do poder do sonho, cada vez mais enlouqueço mais para os demais e, é só quando acordo, e quase nunca recordo (quando volto a dormir) que alguma verdade me aparece, se desvela e berra comigo; provável que eu ja tenha assustado muito as luas que falam, os sols que divagam e o coelho que joga lampião constantemente. Contudo sei, que estas são minhas únicas lembranças manifestas do que resta deste mundo real.

Meu plano é simples e complexo ao mesmo tempo, um paradoxo realista. Observei durante anos uma pequena possibilidade de fuga, provém de uma bactéria do sonho que pode trazer paulatinamente uma irrupção de realidade momentanea; todavia é possível que eu não esteja pronto para uma irrupção muito grande de realidade, ja que, neste momento singular meu objetivo consiste em minar a cidade de bombas de chocolate, tocando tamborin de abacate e isto, ora isto, é totalmente irreconciliavel com as leis do sonho.

Encontro-me numa situação emergente, e o umbral que se mostra pode ser minha passagem para vida ou para morte; espero poder transmutar o mundo num doce e desta forma trazer as crianças a luz.

E nesta luz de esperança, crianças e vontade, que, mil estrelas brilharão, na aurora bureal do lapis gigantesco, que tudo escreve, que tudo valida, que à tudo da vida. É este lapis filosophorum, esta desgraça e explosão que tomará o incendio e a maldição de meu próprio ser.

sábado, agosto 20, 2005

Biscoito da Sorte Chinês

Veio o seguinte ; "Não se preocupe com o que se passa do lado de fora de sua porta."

quarta-feira, agosto 17, 2005

Poesia de enantidromia

Oh, doce ascleplio que conjura,
dai-me dor e dai-me a cura
para o que ainda não vivi
Traz-me Baco, teu doce vinho
de prazer e de delirio
e entre esta cosmogonia e a escatologia
abre o olho do que não sorria
quando era amedrontado;
Para paroximos hoje canto
louvo e levo-me ao pranto,
nesta conjuntura de prazer
de deslumbre e de escandio
Não me prendo mais a uma voz cega
seja de Artemis, ou da mãe terra
de Apolo ou de Lucifer,
seja do céu ou seja do inferno
hoje prefiro a miríade energética do processo
gerada na dor da guerra
e unida finalmente a fera,
em um belo conjuctio oppositorum

terça-feira, agosto 16, 2005

oh, céus!

"O conceito de verdade se opondo ao de falsidade que tem data e lugar de surgimento, o poder procura convencer que tem suficiente consistência para determinar o que deve ser considerado real e irreal para a coletividade. Nesse sentido, ele tem a força da magia, forjada pelo ocultamento de sua própria historicidade; assim molda fetiches, ilusões do real, aparências de verdade." (Kuperman)

Um pouco de Física.

"Não colocamos nossa confiança,
Na virgem ou na pomba,
Nosso método é ciência,
Nosso objetivo é religião" Aliester Crowley

ERP e o Teorema de Bell

A demonstração Einstein-Rosen-Podolsky (ERP) indicou que, se a mecânica quântica é verdadeira, algumas particulas estão em contato instantâneo, mesmo que elas se encontrem em extremidades opostas do universo. (Isso só é verdadeiro para partículas que ja tiveram contato físico, mas trata-se de um ponto técnico que não tem importância neste contexto.) O problema dessa demonstração ERP é que:

a - Tal comunicação instantânea através de galáxias não tem uma explicação física e é difícil pensar a respeito do fato;

b - representando o problema principal, tal comunicação instantânea é proibida pela relatividade espacial que não permite efeitos instantâneos, sendo tudo limitado pela velocidade da luz.

O objetivo da ERP era um reductio ad absurdum (redução ao absurdo) da teoria quântica. A ERP é deduzida por matemática rigorosa, a partir da mecânica quântica, e parece ser falsa pelos dois motivos mencionados no paragrafo anterior. Na matemática, se a conclusão é falsa, deduz-se que o antecedente seja falso. Por conseguinte, a mecânica quântica é falsa.

Para Einstein, Rosen e Podolsky, esse era um pensamento feliz, pois os três tinham sérias reservas a respeito do elemento aleatório implícito em todas as equações quânticas - reservas resumidas no famoso pensamento de Einstein "Deus não joga dados".

Que pena, ERP foi promulgada em 1935 e, a partir de então - o maior período de trabalho exprimental na história da Física, além de com mais físicos vivos hoje do que em toda a história-, tudo indica que a mecânica quântica definitivamente não é falsa. Funciona maravilhosamente bem. Por conseguinte, se o antecedente é verdadeiro, a conclusão é verdadeira e, portanto, os efeitos ERP devem existir - mesmo que eles sejam proibidos pela relatividade espacial.

Agora, os físicos não estão particularmente satisfeitos com essa conclusão, pois desejariam preservar tanto a mecânica quântica quanto a relatividade espacial. Algo deve ser feito a respeito do paradoxo ERP - mas o que?

Em 1964, o Teorema de Bell sugeriu três possíveis interpretações do efeito ERP e todas elas controversas. O Teorema de Bell parece sólido como aço (pelo menos em 1977), portanto, pelo menos uma das alternativas deve ser incluida no novo paradigma, quando a Física finalmente apresentará um novo paradigma. Vamos ver quais são as alternativas...

a) a mecânica quântica fracassa.... e/ ou

b) a objetividade fracassa... e/ou

c) a localidade fracassa...

Se a mecânica quântica fracassa, ela fracassará radical e totalmente. A experiência Clauser (Berkley, 1974) demonstra que tentar redefinir as conexões quânticas não contornaria o Teorema de Bell, portanto, a teoria quântica como é conhecida deve ser revolucionada completamente se formos encetar esse caminho. Isso significa que estaremos por presenciar uma maior revisão epistemológica do que aquela relacionada com a própria relatividade e a própria teoria quântica. Provavelmente, estaremos presenciando a maior redefinição da realidade na história da ciência. Esse chocante acontecimento deverá ser a maior revolução da história ciêntifica, pois quase tudo na Física quântica moderna depende da verdade da teoria quântica. Desistir da mecânica quântica equivale à desistência de Deus na religiosidade de uma pessoa. Todas as coisas - e não só algumas coisas - mudarão em nossa mente. Saul-Paul Sirag resume essa alternativa como "um novo jogo de bola".

e/ou

Se a objetividade fracassa, deveremos presenciar uma revolução de pensamento igualmente gigantesca, mas podemos pelo menos sugerir a forma que assumirá. A objetividade, nesse contexto, significa a doutrina de que o universo existe independente das idéias ou da vontade do pesquisador. Dois modelos foram desenvolvidos sem a doutrina de objetividade. O primeiro é o "universo participativo" ou o "universo criado pelo observador", do Prémio Novel Werner Heisenberg e do Dr.John A. Wheelerm, de Princeton. Na versão de Heisenberg, eventos quânticos existem potencialmente antes do dimensionamento humano e na realidade somente depois que tal dimensionamento ocorreu. Heisenberg diz que a "estranheza" é a característica da potentia (do potencial); o tempo, aqui, flui para frente e para trás, e nenhuma lei comum da Física se aplica neste caso. Aquelas leis entram em funcionamento somente depois que a intervenção humana (dimensionalmente) ocorra.

e/ou

O universo criado pelo "observador" de Wheeler, como aquele de Heisenberg, descreve a "realidade" como o resultado da interação humana-quântica, mas acrescenta a possibilidade de que as transmissões ERP possam realizar esse resultado até antes de o dimensionamento ser efetuado. É claro que isso leva diretamente à possibilidade da psicocinese (magia..) e poderia explicar todos os tipos os tipos de eventos estranhos, desde os "milagres" religiosos até a habilidade de Uri Geller na transformação de metais, permitindo a alteração de seu estado físico, mudando a sua forma. Uma pequena extenção dessa hipótese nos permitirá considerar todos os meus 23 como o resultado de interações quânticas entre o meu cérebro e os eventos interceptados desde o meu interesse pelo número 23. Estamos muito perto da "Teia" de Jano Watt e do velho sistema de crença xâmancia que Sir James Frazer denominou de "lei de contágio". Crowley a chamou de "conexão mágica".

e/ou

O segundo modelo não-objetivo é a idéia de mundos paralelos, extensamente usada pelos autores de ficção científica. Uma formulação matemática dessa idéia foi desenvolvida por Wheeler, junto com Everett e Graham. Isso leva ao conceito de que há 10 elevado a 100 universos existindo "simlutaneamente" em diversas dimensões. (10 elevado a 100 é uma estimativa, mas significa dez elevado a centésima potência (um número inimaginável) como um valor mínimo de universos). Cada um desses universos é tão complexo e tão extenso no tempo e no espaço quanto o nosso, e nós existimos em cada um deles, mas de maneiras diferentes.

Em outras palavras, tudo aquilo que pode acontecer, acontece realmente. Assim, apenas Saul-Paul Sirag explica esse modelo : "No universo ao lado, eu ainda sou um físico, mas trabalhando em outra área de pesquisa. Em outrouniverso sou um ator que abandonou a Física sem nunca mais voltar a ela. Em outro universo ainda, morri em um campo de concentração e não existo mais no "presente".

A maioria dos físicos não pode considerar esse modelo seriamente e é comentando que Wheeler, Everett e Graham, que o criaram, também não acreditam nele. Entretanto, é uma interpretação legítima do problema levantado pelo Teorema de Bell.

e/ou

Se a localidade fracassa, encontramo-nos em um predicamento interessante. A localidade tem um significado um tanto quanto técnico na física, mas basicamente podemos pensar nela desta forma: o universo local, para qualquer ser inteligente, é limitado pela velocidade da luz. Isso quer dizer que qualquer sinal recebido viaja a uma velocidade igual ou menor do que a velocidade da luz. Esse universo "local" - tudo que podemos detectar movendo-se dentro da limitação da velocidade da luz -, de acordo com a relatividade Espacial, é o único universo. Um universo não-local seria um universo além da imaginação. Pela relatividade especial, esse universo não-local é metafísico e "insignificante", no sentido de que, mesmo que existisse, seria impossível detectá-lo.

Entretanto, se interpretarmos ERP e o Teorema de Bell para significar que os eventos quânticos, apesar de tudo, estejam em comunicação instantânea, poderemos então entrar em contato com um universo não-local por intermédio da teia de comunicação quântica. Isso não é diferente do que dizer que podemos então estar na Califórnia e no Arizona ao mesmo tempo, ou então na Califórnia e no sistema da dupla estrela de Sírius ao mesmo tempo, ou ainda no passado, no presente e no futuro "simulaneamente".

Uma forma possível de olhar para esse pensamento incompreensível foi desenvolvida pelo Dr.Jack Sarfatti, que presume que as transmissões ERP (mais rápidas que a luz) sejam informações sem transporte. Limitar o nosso ponto de vista a um universo local -na velocidade igual ou menor do que a luz- é um "chauvinismo eletromagnético", propôs Sarfatti. Informação sem transporte é informação sem energia e, no sentido comum, sem "sinais". O princípio da relatividade espacial dessa forma não é desafiado, mas meramente reduzido a uma definição de localidade e aplica-se somente a sinais e sistemas de energia. A informação pura pode tomar a forma de transmissões ERP, não limitada pelos sinais ou pela velocidade da luz.

Essa informação superluminosa (transmissões ERP), argumenta Sarfatti, pode dar suporte às Percepções Extra-Sensoriais (PES) interestelares revindicadas por autores recentes (inclusive eu mesmo), bem como as percepções comuns deste nosso planeta.

e/ou

A informação superluminosa também pode ser, como Sarfatti e Sirag propuseram em outros lugares, responsável pelo fenômeno incrível da sincronicidade; por exemplo, o meu holograma 23 do tempo-espaço. A sincronicidade, como é formulada por Jung e Pauli, simplesmente descreve o que acontece: coincidências se organizam em padrões aleatórios, mas significativos. A transferência da informação superluminosa ao nível quântico poderia explicar como isso acontece. Cada sistema subatômico no universo, ou nos multiversos, ajusta-se instantaneamente numa conformação com o todo, por meio de reação sinergética mais rápida que a luz. Aqui abordamos a "teoria Bootstrap" do Dr.Capra, que faz com que "todas as coisas sejam a causa de tudo", como no I Ching ou no Taoísmo¹.

Como esses modelos alternativos na vanguarda da Física, construímos uma série de explicações parciais dos dados estranhos que apresentei.

¹- Também dito pela lei máxima do Bela-Parrachianismo, segundo Bubleon Harashingá

Robert Anton Wilson, O Gatilho Cosmico, pg. 196-200.

terça-feira, agosto 09, 2005

útero masculino

"A histeria masculina tem a aparência de uma doença grave; os sintomas que produz são quase sempre pertinazes; a doença, em homens, de vez que tem a importância maior de provocar uma interrupção do trabalho, tem também maior importância prática - "

Estou histérico? droga! não posso trabalhar!

quarta-feira, agosto 03, 2005

Compreensões Biblicas e Apocrifas;

É reconhecido há muito tempo, a compreensão da Igreja Católica de que, todo conhecimento sagrado e válido provém da Bíblia, não reconhecendo assim nenhuma possibilidade de mudança (claro que fatos históricos demonstram que não é bem assim). Falamos aqui de mudanças, sobretudo no dogma da igreja ortodoxa (bizantina), romana e também dos protestantes, os quais, apesar de suas mudanças de práticas continua o mesmo.

Temos já como obvio o poderio da igreja e, seus dogmas se constituem obviamente, para a manutenção deste poder e é justamente nesta tentativa espúria de manutenção da hierarquia e da ordem ortodoxa que, os próprios textos bíblicos foram tanto manipulados e como são até hoje interpretados a bel prazer, cometendo desta forma, erros espúrios e grotescos... são os velhos arcontes em ação... as autoridades ctônicas impedindo o ser humano de entrar em contato diretamente com suas forças imateriais e originárias.

O objetivo deste post é, trazer passagens bíblicas, interpolações apócrifas e analíticas de passagens que demonstrem o ineptia ridiculus que é tanto o dogma do santo igreja apostólica romana, quando a opinião orto doxa que quer nos mostrar uma falsa episteme como o já feito pelos senhores "donos da verdade".

Com o envio do paráclito após a crucificação de Cristo, não se pode mais falar que apenas Cristo é um Filho de Deus, mas, cada ser é apartir dai um deus; O paráclito é para o catolicismo, o espírito da verdade, o Espírito Santo, o qual foi dado a humanidade na própria mudança de Javé mediante o processo ocorrido em Jó. Em Salmo 82,6 lemos:

“pois bem, eu vos disse: Sois deuses; sois todos filhos do Altíssimo"

O paráclito é totalmente indesejável para a Igreja, pois leva na verdade o contato com Deus (Self) ao próprio indivíduo e não mais é necessária mediação da Igreja ou dos padres, todo ser passa a ser, apartir dai, sagrado. E esta idéia não é minha a bel prazer, logo após essa passagem de Salmo, lemos "A Escritura não pode ser anulada". Logo, apesar da escritura dever ser continuada pelos próprios indivíduos em contato com Deus não existe meio de negar a deusificação dos homens, esta idéia quebra a própria idéia de autoridade eclesiástica, pois somos todos encarnações do logos.

Segundo Jung : "A ação continua e direta do Espírito Santo sobre os homens convocados à condição de filhos de Deus é, de fato, uma encarnação que se realiza permanentemente. Enquanto filho gerado por Deus, Cristo é o primogênito ao qual se seguirá um grande número de irmãos nascidos depois dele. Mas estes irmãos não são gerados pelo Espírito Santo, nem nascidos de uma virgem. Isto talvez possa prejudicar seu caráter metafísico, mas o seu nascimento puramente humano não constituirá ameaça alguma para a sua expectativa de um lugar de honra na corte celeste, como também não reduzirá sua capacidade operativa no que respeito aos milagres. Sua origem inferior (da classe dos mamíferos) em nada impede que eles se situem numa relação de íntimo parentesco com Deus, enquanto Pai, e com Cristo, enquanto irmão..."

Ora, se cada ser pode operar milagres, ou, segundo alguns, magia, quem irá dizer se o que de fato aconteceu é milagre ou não, magia ou não, vem de deus ou do capeta? Obviamente o poder eclesiástico. Mas porque assim é, se todos temos o espírito santo?

Outro ponto em que eu gostaria de tocar é o pretenso machismo que se apóia em algumas vertentes católicas ou protestantes. Temos aqui que partir do principio que não existe apenas Deus e que, existe também uma Sapientia Dei, uma Deusa feminina ou pneuma coeterno a Deus. A esta que nos refirimos é Sofia a qual podemos encontrar nos Provérbios de Salomão, que data de 600 a 300 a.C, idade próxima ao livro de Jó, segundo alguns. Nos provérbios de Salomão lemos:

“O senhor me criou, como primícia de suas ações, como princípio de suas obras, antes dos tempos mais antigos. Desde a eternidade fui constituída, desde o começo, antes da origem do mundo. Quando ainda não havia os mares eu fui concebida, e ainda não existiam as fontes carregadas de água..................... Quando ele fixava os céus, eu estava lá,............................... quando assentava os fundamentos da terra, eu estava lá, como predileta a seu lado, era toda encantamento dia após dia, brincando todo o sempre na sua presença, brincando sobre o globo de sua terra, achando minhas delícias estar junto aos filhos dos homens”.

Outra fonte citada por Jung em resposta a Jó é Jesus, filho de Sirac (+-200aC) que escreve:

“Saí da boca do Altíssimo e como a névoa cobri a terra. Tive minha morada nas alturas, e meu trono estava sobre uma coluna de nuvens. Sozinha percorri o circulo do céu e passei nas profundezas das águas. Andei sobre as ondas do mar e sobre os fundamentos da terra. Exerci o meu império sobre todos os povos e nações......................... Antes de todos os séculos, desde o princípio ele me criou, e até a eternidade não cessarei de existir. Exerci o ministério diante dele, no santo tabernáculo, e foi assim que tive uma morada firme em Sião. Repousei na cidade que ele ama tanto quanto a mim, e em Jerusalém exerci o meu poder......"

Ai gostaríamos apenas de validar Sofia, mas para o presente objetivo de desmistificar a idéia machista propomos uma integração da própria Assumptio Mariae que foi excluída principalmente pelos protestantes. O dogma da Assumptio Mariae (assunção de Maria, rainha do céu) revela que ela se uniu ao Filho como esposa e à divindade como Sofia, na câmara nupcial do céu. Citamos agora o papa:

“Constitutio Apostólica”Munificentissimus Deus", em Acta Apostolicae Sedis. Commentarium Officiale, 1950, 21: Oportebat Sponsam, quam Pater desponsaverat, in thalamis coelestibus habitare" (convinha que a Esposa que o pai desposara habitasse os tálamos celestes).

Toquemos agora, no ponto essencial da lei e da consciência reflexiva, ou seja, saber o que se faz, talvez esta seja a lei máxima, ter consciência do que fez, do que sente, dos sentimentos que brotam do inconsciente, dos complexos que formamos ao longo da existência. Já dizia Cristo sobre o assunto: "Se sabes o que fazes, és feliz, mas se não sabes, és um maldito e transgressor da lei". Nesta própria frase podemos ver o paradoxo de Cristo, ou ao menos, o paradoxo da visão criada pela igreja do mito de Cristo, mas muito pelo contrário desta raiva ou sentimento de Cristo parecer prejudicial são passagens como esta que demonstram que a ausência do Summum Bonum, tanto em Cristo, como em Deus (ai deveríamos ver toda passagem de Jó e também, todos os fatos empíricos).

Continuando o assunto, agora com João Batista, temos extraída de um manuscrito Cóptico intitulado "Evangelho de Maria", apócrifo, desde 1896 no Museu de Berlim. Depois de haver explicado vários pontos de sua doutrina, ele se despede de seus discípulos:
"... Quando o abençoado havia dito isto, ele os saldou a todos, dizendo: ‘A paz seja convosco. Recebei minha paz para vós mesmos. Cuidai-vos de que nenhum vos desvie com as palavras ‘Olha ali’, ou ‘Olha lá’, pois o Filho do Homem está dentro de vós. Segui-o: aqueles que o buscam o encontrarão. Ide pois, e pregai a Boa Nova do Reino. Eu não vos deixo nenhuma regra, e eu não vos dei nenhuma lei, qual fez o legislador (Moisés) para evitar que vos sentísseis obrigados por ela.’ E quando acabou de dizer isto, ele foi embora." Gnosticism, An Anthology, ed. Robert M. Grant, Collins, London, pp. 65—66, "The Gospel of Mary").

Apenas nos falta aqui, decorrer sobre a pretenção dos conceitos usados pela teologia muitas vezes do summum bonum e do privatio boni. Ora, se Deus é o sumo bem, como se justifica toda passagem de Jó e todas as atrocidades práticadas por Javé? O próprio unilateralismo só pode gerar um elemento em lado oposto de igual intensidade como foi o caso de Cristo e o Anti-Cristo que aparece no apocalypse de João. Se consideramos Deus o sumo bem portanto não pode haver o complexio oppositorum (união dos opostos) do próprio Deus, resultando na falta de moral que vimos em Jó e acima de tudo numa negação do principio de individuação.

Chegariamos a tese do "omne bonum a Deo, omne malum ab homine"¹ o que não parece haver justificação no que cabe tanto ao antigo testamento tanto quanto as tentativas de situar Jesus no novo testamento como redentor dos pecados da humanidade, o filho de Deus que salvaria a humanidade do próprio Deus? Bem, seria mais facil então ele ter nos perdoado... ao invés de sacrificar seu filho (filius sapientae) para tal... se quiserem depois refletimos sobre isto, mas o ponto é que não se pode negar o terror de Deus, melhor será portanto, descrever nas próprias palavras Dele ao falar com Jó:

"Queres tu aniquilar minha justiça, condenar-me, para assegurares o teu direito? Tens um braço semelhante ao de Deus? Tens uma voz trovejante como a dele?" Jó 40,3s

o Ruah Eloim agora esta dentro de vós, sois deuses.... sois deuses...

¹- Todo bem vem de Deus, todo mal deriva do homem

domingo, julho 31, 2005

Discurso e Sexualidade

Uma mudança brusca ocorreu em nossa sociedade e em nosso atavismo dogmatico é díficil percebe-la. Essa mudança se torna manifesta e é a mudança nos mecanismo do poder; continuamos ainda numa compreensão binária de governantes e governados, repressores e reprimidos como tudo viesse de um único, central, hegemonico e estático poder ideologico. Na sexualidade não é diferente, as compreensões psicanalíticas Freudianas e Reichianas permanecem até os tempos de hoje com a compreensão de que, a burguesia ou a sociedade reprime os indivíduos e estes recalcam seu desejo.

O que acontece é justamente o oposto, a burguesia tem incitado o discurso sobre a sexualidade apartir do seculo XVII e justamente é neste incitamento, que, ela estabeleceu seu novo mecanismo de controle. A troca entre burguesia e aristocracia foi paulatina e de ruptura ao mesmo tempo, como em toda revolução; a burguesia trocou o sangue e a genealogia dos indivíduos (o que tornava a casta nobre) pelo poder da norma. Isso se deu numa lenta diminuição do poder jurídico. A aristocracia que detinha o poder sobre a morte do indivíduo passou para a burguesia que quis controlar a vida dos mesmos. Ao invés de matar o poder de normalizar, dominar. Ja dizia Foucault "Quanto a nós, estamos em uma sociedade do 'sexo', ou melhor, 'de sexualidade': os mecanismos de poder se dirigem ao corpo, a vida, ao que a faz proliferar, ao que reforça a espécie, seu vigor, sua capacidade de dominar, ou sua aptidão para ser utilizada. Saúde, progenitura, raça, futuro da espécie, vitalidade do corpo social, o poder fala da sexualidade e para a sexualidade; quanto a esta, não é marca ou símbolo, é objeto e alvo." A tão procurada e temida, sexualidade.

Apartir dai se insere um dominio dos discursos, a classificação e rotulação frequente. A criação de sub-grupos no dominio da sexualidade. Isto não foi calcado sob o egide de um discurso único, mas de diversos saberes-poderes que se interagem para criar uma teoria da sexualidade, os saberes-poderes que são justamente o poder de saber, a verdade do sexo. Nisto podemos ter uma união de ciências distintas como demografia, medicina, psiquiatria, psicologia, entre outras com saberes que, ora se integram, ora são antagonicos entre si e sempre são dinamicos.

Obviamente a troca da enfase na norma ao invés do poder juridico não foi absoluta e o poder juridico permanece forte contra os que ainda fogem ao poder das normas. A repressão e o recalque continuam existindo mas também podemos considerar que não são mais a enfase dos mecanismos de controles.

Um dos mecanismos utilizados nas normas é a hierarquização dos saberes-poderes, trabalhando com o dito, o não dito e o interdito. Hoje existem locais apropriados, maneiras apropriadas, modelos apropriados de conduta para cada momento situação. Por exemplo, quando falamos de homosexualismo temos que dize-lo de modo pejorativo e como comédia, em forma de pequenas piadas; quando falamos de sexo existe local apropriado para dize-lo e isto se modifica de acordo com genero e idade.

Marques de Sade foi um dos divisores de àguas entre poder da soberania, da força, do sangue e o poder da sexualidade. Uma sexualidade em Sade sem norma ou um sangue sexuado. Após vieram Charcot que trouxe o discurso sobre a histeria, Freud sobre a sexualidade infantil, os Eugenistas e depois a psicopatologia o discurso sobre as "patologias sexuais" e assim cada vez mais o discurso sobre a sexualidade foi se proliferando e criando a normalidade sexual, a sexualidade burguesa, enquanto o "proletariado" permaneceu "sem uma sexualidade" até serem inseridos discursos sobre o mesmo; os discursos de controle (natalidade pela demografia, bio-loucura ou bio-patologia pela psiquiatria e medicina) e o discurso de incitação de uma sexualidade libertadora com Wilhelm Reich, porém Reich também incutiu numa normalização sexual, no seu livro Análise do Caráter ele faz divisões bem rígidas entre diversas patologias sexuais, inclusiva na impossibilidade de orgasmo e livre fluxo de orgone (ou libido) de "neuroticos-compulsivos, histéricos, sadomasoquistas, fálico-narcisistas, entre estes pessoas com energia voltada para zonas erogenas". Reich, portanto, fez a sua crítica histórico-política dentro dos mecanismos de sexualidade, foi segundo Foucault uma "reversão tática no grande dispositivo da sexualidade. "

Os modos de sexualidade então são inseridos em nossos corpos onde existimos de acordo com nossa sexualidade. A analítica de dominação e controle. Surgem esteriótipos de cada modelo de sexualidade, o machão, o viadinho, o enrustido, a lesbica, o libertino, etc... Inclusive, foi apartir desta inserção nos corpos que foram "legitimados" vários modelos de sexualidade (dentro da hierarquia) como o homosexual que só se constituiu como homosexual quando inserido no próprio corpo a marca de sua sexualidade. Não que, antes não existissem homosexuais, tanto existiam como poderiam em algumas épocas ser até queimados vivos. Todavia não existia uma nítida distinção tanto de conduta, persona, ou algo flagrante entre um homosexual e um heterosexual e a jurisdição era algo raro neste aspecto.

Deveriamos também aqui, fazer uma distinção entre as teorias da sexualidade ocidentais e as orientais, entre a scientia sexualis e ars erótica. A ars erótica procura o prazer do sexo, "Na arte erótica, a verdade é extraída do próprio prazer, encarado como prática e recolhido como experiência; não é por referência a uma lei absoluta do permitido e proibido, nem a um critério de utilidade, que o prazer é levado em consideração, mas, ao contrário, em relação a si mesmo..". E, enquanto a ars erótica oriental se torna a episteme do prazer, nossa ocidental scientia sexualis procura a verdade do sexo em sua confissão, procura sua patologias, sua analítica, procura dominar a sexualidade em todo dominio que ela esteja, até o mais obscuro. É justamente ai que encontramos o prazer do poder; na própria procura da verdade, no próprio dominio, ou seja, no proprio saber. Exatamente por isso, desde o incio do texto usamos a palavra saber vinculada ao poder; saber-poder.

domingo, julho 24, 2005

Formiga Psicoide

Formiga Psicoide

Doi.... doi... é o que quero, um mundo sem posses, poder viver, viver o desejo, o sonho, a realidade é maleavel...mas tudo que nos cerca esta inscrito em nosso corpo e livrar-se disso doi...doi... e quanta força temos? é dificil lutar contra nos mesmo... desde crianças com o discurso... fale sobre isso, fale sobre aquilo mas tudo tem um modo e um lugar e não ultrapasse a linha (essa linha existe? parece que poucos a veem)... doi.

sexta-feira, julho 15, 2005

Em busca de Si.

Temos em nosso tempo, uma cega visão de que, a totalidade da realidade em ultima instancia poderia ser captada pelos nossos sentidos (empirismo), ou, do lado oposto desta crença, a crença de que o real já existiria a priori em nossa mente, sendo o mundo dos sentidos apenas um simulacro (racionalismo). Mas, como diria Jung, o que captamos através da nossa consciência é tão pouco que é como se acendêssemos uma lanterna em uma caverna, tudo que a lanterna não capta(ilumina) não faz parte de nossa consciência. Essa compreensão de que, nossa consciência é incapaz de abarcar todo fenômeno sem duvida não é tão nova e podemos vê-la também no existencialismo, na fenomenologia e na gestalt.

Aquele conteúdo que não captamos do fenômeno empírico se armazena, segundo Jung, em nossa inconsciência pessoal, tal qual, o que é esquecido por nós na consciência.Porém este conteúdo pode voltar a consciência caso seja dada devida atenção ao mesmo, ou seja, que a energia psíquica se volte para tal fenômeno.

Os conteúdos sociais que moldam, de certo modo, nossa existência são chamados pelos Marxistas de ideologia, que seriam sempre conteúdos em prol de uma classe, lembrando-se que, para os marxistas, a história se faz na luta de classe (luta dos opostos). Poderíamos compreender essa consciência coletiva também como no esoterismo na qual ela é chamada de egrégora. Estes conteúdos e papeis pré-criados usurpam uma energia essencial ao desenvolvimento do ser, de seu rumo ao seu si mesmo, chamado por Jung de Self, pelos magistas do caos(o qual falaremos ainda) de Kia, por Crowley de Santo Anjo Guardião, o eu profundo de Pascal, etc..

Os conteúdos já criados e já ali se seguidos pelo ser são sempre limitações da existência, o ser encara o mundo como o já criado e inibe assim toda a possibilidade do mundo vir a ser (porvir), segundo Heidegger este seria um modo impróprio de existência, onde o cuidado¹ (sorge) é o da ocupação onde se trata tudo como sujeito ou objeto e como o simplesmente dado, sempre dentro da manualidade. O modo mais próprio de existência seria o da preocupação, onde se está onde tudo ainda não é, portanto, tudo ainda pode vir a ser. Deste modo o ser está em abertura e espera o ente se mostrar, desvelar-se no fenômeno, é a compreensão Grega da alethéia, do desvelamento. A partir da possibilidade de tudo vir a ser a compreensão de certeza se finda, como na fenomenologia. A partir dai podem existir milhões de interpretações do fenômeno (variação eidética), mas nenhuma será o que ele realmente é.

O ser em abertura é um ser pronto a integrar os conteúdos do inconsciente coletivo e rumar ao self (Jung) ou pronto para caminhar rumo ao seu augoeides, grande avatar de Kia (Peter Carroll), ou mesma a Vontade de Potência de Nietzsche. Claro que cada uma dessas idéias ditas diferem entre si e contem peculiaridades, contudo, para chegar a tais estados (ou abrir-se a eles) deve-se passar por uma série de provações, Aliester Crowley chamou este período de Travessia do Abismo. Heidegger, do qual já citamos, falava que para o crescimento do ser é necessária a angustia, e Nietzsche sempre falou da dor, e usou muito um modo específico para chegar a Vontade da Vontade (Vontade da natureza que seria suprimida pela vontade do ego) que seria, por exemplo, o vinho. Nisto a ênfase de Nietzsche ao Dionisíaco, aos estados provocados pela embriaguez que dissolvem o ego, este desolvimento temporário do ego poderia dar vazão à vontade da natureza (que é vontade de vontade) e esta defesa pode ser observada no livro A origem da Tragédia, onde Nietzsche não defende apenas o dionisíaco como se fosse viver de inconsciência, mas a união do dionisíaco com o apolíneo para chegar a totalidade.

Mas o que seria o ego que todos querem tornar no mínimo maleável para permitir a entrada dos conteúdos inconscientes a consciência? Segundo Jung, o ego é “um dado complexo formado primeiramente por uma percepção geral de nosso corpo e existência e, a seguir, pelos registros de nossa memória. Todos temos uma certa idéia de já termos existido, quer dizer, de nossa vida em épocas passadas; todos acumulamos uma longa série de recordações. Esses dois fatores são os principais componentes do ego, que nos possibilitam considerá-lo como um complexo de fatos psíquicos. A força de atração desse complexo é poderosa como a de um imã: é ele que atrai os conteúdos do inconsciente, daquela região obscura sobre a qual nada se conhece. Ele também chama a si impressões do exterior que se tornam conscientes ao seu contacto. Caso não haja esse contacto, tais impressões, permanecerão inconscientes.”

Já Osman Spare, magista do caos, vai sugerir o Nem-Nem (neither-neither ou do sânscrito Neti-Neti) para romper com toda unilateralidade que possa ter o ego, de certo modo, romper com o modo de ocupação do qual fala Heidegger e o modo de compreensão das ciências naturais. O inconsciente coletivo, segundo Jung, teria uma tendência espontânea a ‘corrigir’ a unilateralidade da consciência o que também entra em conformidade com o nem-nem de Spare. O nem- nem, segundo Lucio, é uma técnica ‘criada’ por Osman Spare e “Trata-se de uma verdadeira forma de meditação, com ressonâncias taoístas e advaítas, cujo resultado mais importante é libertar a consciência de sua adesão cega a qualquer perspectiva unilateral da realidade, sobretudo os sistemas de crenças impostos socialmente.” E depois continua, “Por meio dessa técnica, o praticante pega cada opinião estabelecida e a lança contra a opinião oposta, fazendo com que elas se aniquilem mutuamente”. Poderíamos dizer que o nem-nem é como um omnibus dubitandum (duvidar de tudo) onde algo não é isso nem aquilo e se adapta a famosa frase de Carroll “nada é verdadeiro, tudo é permitido”.

O que podemos compreender desde já, é que é um árduo caminho que se batalha contra os condicionamentos que nos são impostos pela sociedade hierárquica. Criam-se através de condicionamentos, sempre baseados no reforço de ações submissas a ordem hierárquica, como desejam os detentores do poder, a submissão dos indivíduos, a prisão sem a violência, a retificação do diferente.

Mas o que é preciso para superar todo esse condicionamento? O que é preciso parar superar a limitada visão do ego? Segundo Jung é justamente através de um sistema do ego que se supera o próprio ego, este sistema se chama endopsíquico e é a ligação dos conteúdos conscientes com o ‘lado obscuro da mente’, é justamente neste contato com o inconsciente que esta o que Jung chamou de função transcendente (a qual o homem depende para alcançar sua mais alta finalidade) , este contato com o inconsciente é algo irremediável a todo ser e é só mantendo o contato com o que seu si-mesmo (self) que o indivíduo pode conservar sua saúde psíquica. O como conseguir esta ligação, e chegar até esta Vontade é sempre algo idiotípico, todo crescimento e principio de individuação é um caminho próprio.

Alguns modos para se facilitar este processo de individuação são a integração de conteúdos do inconsciente coletivo, a integração de seu anima ou animus, e a não projeção de conteúdos “internos” em objetos externos, ou seja, não projetar conteúdos que são seus em outros. Um exemplo básico de projeção do arquétipo da sombra seria você ser um grande homofóbico e achar que todos a sua volta são homossexuais(e todo homossexual é mal, por exemplo) sem evidencia, ou sem serem de fato. É só aceitando que aquele medo de ser homossexual ou aceitando ser um homossexual (cada caso é um caso) que o indivíduo poderá integrar aquele conteúdo.

Qualquer compreensão unilateral portanto será prejudicial ao crescimento do ser, já que, irá gerar seu conteúdo oposto em forma de sombra, como um maniqueísmo, onde o ser que discursa é o bem e o seu oposto é o mal. Esse confronto só pode ser apaziguado quando se aceita os conteúdos opostos para formarem uma unidade, é como a etimologia da palavra símbolo (e são sempre símbolos que provém do inconsciente coletivo) que vem do de sym que significa unir e baylen que significa em direção a uma meta, os Chineses consideravam unir as duas faces de uma mesma moeda. Eis o teleiosis.


¹ - O ser do dasein designa-se como cuidado que é um desenvolvimento integrador da multiplicidade estrutural que a análise fenomenológica do ‘ser-no-mundo’ revela na obra de Heidegger Ser e Tempo.

Referências :

http://malprg.blogs.com/francoatirador/ocultismo_e_esoterismo/index.html
http://thecauldronbrasil.com.br/article/articleview/339/1/12/
O pensamento de Martin Heidegger : Roberto Novaes de Sá
Fundamentos da psicologia Analítica; Carl Gustav Jung
O homem e seus símbolos, Carl Gustav Jung

segunda-feira, julho 11, 2005

eu tinha botado aqui o livro : Bela-Parrachia, vida e morte dos mitos que eu traduzi porém eu linkarei ele daqui porque quando eu boto nesse site ele se bagunça todo...os dialogos, capitulos...etc... e estou sem paciencia para organizar isso, portanto, ai vai o link :

http://madmix.fateback.com/discordia/Bela-Parrachia.html

em breve um texto Bela-Parrachiano será posto aqui e em outro sites, que estou escrevendo conjunto com o amigo 5 e mi namorada Lidiane... talvez ainda outras pessoas ajudem a escrever, mas nada certo... valeuz.

quinta-feira, junho 30, 2005

Anarquismo, diversidade e o misticismo.

“Todo aquele que bota a mão em mim para me governar é um tirano, um usurpador, e eu o declaro meu inimigo”. Começar o texto com uma frase clássica é uma ótima combustão para novas idéias e, nos tempos modernos realmente é de novas idéias que precisamos. Vivemos em tempos onde a força não mais é a principal arma de dominação dos detentores do poder e dos valores, ela é apenas um instrumento ineficaz perto das modernas armas da dominação. Se não é ela a maior valia da repressão e do controle também não pode ser ela o instrumento de mais valia na luta contra o controle, pelo menos, não enquanto os indivíduos continuarem paralisados como estatuas.
A tempos atrás e ainda hoje, temos órgãos como a igreja institucionalizada que mantém os valores necessários para a manutenção do ciclo nascimento-trabalho-morte em meio a total resignação das massas ao poderio intelectual, bélico, financeiro, moral e midiático dos duques sociais. As massas permanecem objetos de uso dos detentores do poder, ou simplesmente seres estratificados, presos a valores que não criaram, regras alienadas de si.
Por seres estratificados entende-se seres que perderam suas condições de humanidade, de possibilidade, mantendo-se de modo objetivo ou subjetivo, numa relação fechada no mundo, como o mundo fosse o já dado, como as relações sociais fossem as já conhecidas e tudo seguisse uma falsa causalidade linear que nada muda, uma causa sem efeito, um defeito espasmódico.
Hoje a estratificação faz-se por vários meios, como os condicionamentos desenvolvidos por psicólogos como Skinner e Watson, pela moderna psicologia comportamental cognitiva ou mesmo pela necessidade de sublimações do desejo das teorias psicanalíticas. Essas crenças são empregadas nos veículos de aculturação, a nossa valorada cultura, prima da doutrina. A estase de nossos desejos, de nossas possibilidades é inserida em nosso próprio corpo, o lar da mundanidade, do instinto e da valoração do que nos cerca.
O mundo, compreensão que será resultado do discurso do ser, ou seja, da ontologia, é também estratificado com o ser, já que não se pode separá-los como um fosse possível um sem o outro. A compreensão do mundo é sempre resultado de uma relação do mundo com a consciência não podendo haver objetividade, nem realidade per si, só é possível um modo de compreensão da realidade, o “o que é?” deve ser substituído pelo “pra que?”.
É justamente a realidade predicativa, nomeada e já ali que o ser deve superar, pois a totalidade está dentro e fora de si e lhe pertence, não há necessidade de criar o que já se possui, a singularidade. Para chegar a singularidade é necessário que o ser quebre o já conhecido, o já dado, a moral, os costumes, e chegue ao si-mesmo. Este caminho é justamente o caminho do descondicionamento, da quebra da autoridade, do enfrentar os conteúdos assombrosos que se projeta nos outros e reconhecer este como seu (muitas vezes a ganância, o egoísmo..), enfrentar a autoridade que deixa o ser em estado de submissão não permitindo o mesmo esticar o braços e gritar, possibilitar que suas potencialidade sejam manifestas.
Defacelar o já dado é sempre um árduo caminho pois este conta com artefatos de manipulação direta e indireta de extrema eficácia psico-física, como os reforçadores econômicos, sociais (amizades, parceiros sexuais, comodidade), e psíquicos.
Descondicionar-se é cair no abismo, experenciar a angustia e viver novamente, é o ciclo de vida-morte-vida, renascer como a fênix, restaurada, com novos olhos, com um novo corpo, em um novo mundo, este que agora é criado pela sua possibilidade de estar antes da valoração do ente, das coisas, do mundo. Estando onde nada ainda é, existe a possibilidade de tudo vir a ser, ai cria-se a ética – que é pessoal e não coletiva como a moral-, as valorações das relações, o mundo.
Ai já estabelecida a quebra da autoridade individual, psíquica, luta-se com vapor pela sociedade, o indivíduo deixa de ser pessoal e passa a ser coletivo, seu ego não mais existe e paradoxalmente é ai jaz a liberdade, existe uma meta-motivação, um estar além de seu tempo e de seus contemporâneos, visa-se o futuro e compreende-se o presente, mas não de modo a achar que é si mesmo superior aos outros, não se infla, se vive. É o sentimento de numinosidade que leva o indivíduo a seguir seu caminho individual e coletivo, ser único e viver por sua meta. Compreende-se finalmente que todo poder necessário a mudança está em si mesmo, no ser, ele é agora uma estrela, uma totalidade.

quarta-feira, junho 29, 2005

Pessoas, pessoas, poesia e é isso:


Existencia ou existente?

Romper por bel prazer,
a permanencia do marasmo,
com calma e clamor fantastico
piso sobre os valores condicionados,
como se fossem fezes de gado

Não vês a formusura de tal gesto?
Pois com aurora e dejeto
o mundo é formado,
a evolução não é feita no momento dado,
e sim na ousadia do safado
que malogra em seguir o predicado

Impedes ainda o mal dito,
a viver como erudito,
que és, pobre coitado
ja fadado ao enfado,
de ser caracterizado
como algo destinado
a ser o inferno na terra,
os umbrais de seus anais

Que mundo louco malfajesto
Entre-mentes indi-gesto
Para com os que lhe levam a ser
o que virá a ser
é este mundo deformado
Cravo de uma rosa,
anátema de um sonho.

segunda-feira, junho 27, 2005

2 poesias, a 1a escrita a um tempo atrás e a 2a mais recente...

Imunda,
minha existência de vazio,
Calo minha boca e suo frio
Pois de sentimentos sou tomado

A genêse da dor vem do meu peito
E aceito a contra gosto a cruz amarga
Sem escolhas se grassna aguda infamia
Eu, senhor de minha desgraça

Aguentar,
imperativo da existencia
ajoelho-me e peço minha clemencia
mas ja é tarde,
a noite tornou-se onisciencia.








2a- O que procuro

Um canto,
uma nota,
um rota
continua..
harmonica ou não
distoando a natureza
almejando a mudança
tornar-me desarmonico

procuro procurar
até nunca encontrar
o que realmente desejo,
um sonho,
real,
uma viajem
pelo universo,
em um plano
transverso
e virar tudo de cabeça pra baixo

desejo desejar o quanto mais
e não ficar so desejando
conseguir e partir pra outro plano
meta-universal,
infinito,
finito
astral
logo eu, robo da aparencia
me transmutar em inocencia
e vagar no ar,
transbordar de emoção

particulas a esmo,
sentido sem sentido
errante sem pidante
cantarolando sem pudor.

segunda-feira, junho 20, 2005

parte de Jung

Bem, como vocês ja sabiam (ou não) estava eu "escrevendo"(ou puxando de livros) um projeto de pesquisa sobre o tema: O Bem e o Mal em Jung e Nietzsche... estou fazendo-o e tenho que intregar quinta-feira... a primeira parte sobre Jung ta pronta... então eu postarei primeiro ela, depois a do Nietzsche mesmo porque a idéia do projeto não é fazer um amalgama e uma conclusão sobre o tema e sim apresentar o dito-cujo copiando literalmente o escrito por autores ou ditas autoridades sobre o tema (tendo publicado artigos ou livros). Então farei isso e depois tentarei fazer + da minha cabeça essa ligação e concluir usando apenas algumas passagens dos autores e considerando + o que eu sei sobre o tema e ai sim talvez propiciar algo novo... bem, o assunto ficaria maior mas como meu cpu deu problema enquanto eu fazia o trabalho resolvi diminuir (ja q o professor tinha dito que era no minimo 20 paginas e agora são apenas um minimo de 5!) ok... ai vai babys:

O Bem e o Mal em Nietzsche e na Psicologia Junguiana.
Em épocas de extrema violência, destruição e guerra, faz-se necessária uma melhor compreensão moral e filosófica acerca da antinomia do bem e do mal, princípios que, nos parecem a priori indissociáveis, como a necessidade do dia e da noite, da luz e da sombra. Tentaremos apresentar uma visão abrangente do tema, buscando tal na visão do filosofo Frederich Nietzsche (1844-1900), do psicólogo Carl Gustav Jung (1875-1961) e de psicólogos que seguiram a psicologia de Jung.
Muitos psicólogos, filósofos e religiosos ja tentaram compreender o mal, um conceito ou realidade muito difícil de lidar, porém a maioria acabou por ignorar o tema ou considerar o mal apenas como algo de menor valia, que não tem existência em si, apenas como diminuição do bem. Um dos teólogos que mais exerceram influência a visão ocidental e cristã que reduz o mal a uma privação de bem (privatio boni) é santo Augustinho. O conceito de privatio boni e do summum bonum são descritos por Paulo Bonfatti em seu artigo : A questão do mal, uma abordagem psicológica Junguiana:
"..., Summum Bonum, é uma concepção de que Deus é totalmente bom, que é o sumo bem. A Segunda, Privatio Boni, coloca o mal à ausência ou diminuição do bem do Deus totalmente bom."
No mesmo artigo cita Augustinho:
"E santo Augustinho em uma de suas obras contra os maniques e marcionistas, dá a seguinte explicação:
todas as coisas boas são boas porque umas são melhores do que as outras e a qualidade das coisas menos boas faz crescer o valor das boas... Mas aquelas que chamamos más, são falhas da natureza das coisas boas e nunca podem existir absolutamente por si mesmas, fora das coisas boas... Mas até mesmo estas falhas testemunham a bondade da natureza dos seres. Com efeito, o que é mau por alguma falha essencial é verdadeiramente bom por natureza. A falha essencial, com efeito, é algo contra a natureza, porque prejudica a natureza. E não poderia prejudicar, senão por diminuição de sua bondade. Por conseguinte, o mal nada mais é do que a ausência do bem. E por essa razão só se encontra em alguma coisa boa. E é por isso que as coisas boas podem existir sem as coisas más, como, por exemplo, o próprio Deus e todos os seres celestes superiores; não são maus...; se, porém, prejudicam, diminuem o bem e se continuam a prejudicar, é porque encontram ainda algum bem que podem diminuir; e se o consomem todo, a natureza já não tira mais nada que possa ser prejudicado; por isso, quando já não houver uma natureza cujo bem diminua, ao ser prejudicado, também não existirá mal algum para prejudicar."
Segundo Sanford em mal: o lado sombrio da realidade :
"Jung atacou a doutrina da privatio boni, submetendo-a a minuciosa crítica." (171)
E o próprio Jung citado por Sanford diz:
"de acordo com a doutrina da Igreja, o mal é meramente a ‘carência acidental de uma perfeição’" (171)
Segundo Sanford pode-se dizer que as críticas de Jung a privatio boni podem ser resumidas em três pontos:
"1- Pelo fato de a privatio boni encarar o princípio do mal como insubstancial e isolar o mal de qualquer relação divina integral, a figura de Cristo, tal como se apresenta no dogma da Igreja, é necessariamente unilateral. Cristo é somente bondade, amor, justiça e perdão; nele não há nenhum vestígio de obscuridade ou malícia. Como resultado dessa unilateralidade, o lado obscuro aparece na imagem do Anticristo, uma figura que compensa a unilateralidade da imagem de Cristo. Como escreve Jung ‘o símbolo de Cristo falha em relação à totalidade no sentido psicológico moderno, já que não inclui o lado obscuro das coisas, mas o exclui especificamente na forma de um oponente luciferiano’".(171)
Prossegue com o segundo ponto,
"2- Jung se torna um tanto quanto entusiasmado quando ataca a privatio boni porque ele acredita que a separação entre o mal e a divindade causou resultados prejudiciais para a humanidade. A imagem compensada e dividida do Anticristo resultou na autonomia do princípio do mal. O mal não está mais relacionado com o todo, mas é inteiramente livre para agir por si mesmo, o que resulta numa humanidade vitimada pelo mal, com desastrosas conseqüências..... Além do que, diz Jung, o sentimento humano é contra a doutrina da privatio boni, ou qualquer doutrina que de forma semelhante não se detenha sobre o sofrimentos da humanidade, propiciando o enfraquecimento do preparo psicológico para se reconhecer e lidar com o mal." (173-174)
E finalmente a terceira crítica:
"Finalmente Jung encontra uma objeção lógica à doutrina da privatio boni: ele percebe que o homem é compelido a pensar em termos de bem e mal, embora tanto um quanto outro são julgamentos humanos e não sabemos o que eles são em si mesmos. Ele atesta que não podemos pensar no bem sem pensar no mal. Eles são um "par de opostos logicamente equivalentes...Do ponto de vista empírico não podemos dizer mais do que isso.... Teríamos que afirmar que o bem e o mal, sendo metades coexistentes de um julgamento moral, não derivam um do outro, mas estão sempre juntos. O mal, assim como o bem, pertence à categoria dos valores morais". E em outra parte, numa de suas cartas, ele escreve: ‘A nível prático, a doutrina da privatio boni é moralmente perigosa, porque ela subestima e não se dá conta do mal e, ao mesmo tempo, enfraquece o bem, porque o priva de seu oposto necessário: não há branco sem preto, direita sem esquerda, acima sem embaixo, quente sem frio, verdade sem erro, luz sem escuridão, etc. Se o mal é uma ilusão, o bem é igualmente uma ilusão. Essa é a razão pela qual sustento que a privatio boni é ilógica, irracional e até uma bobagem". (174)
Para compreendermos melhor a idéia de Jung sobre o mal, melhor será definirmos alguns conceitos de sua teoria psicológica, como a sombra e o processo de individuação mas antes teremos que falar sobre os arquétipos. Não caberá nesse trabalho analisar minuciosamente conceitos tão vastos, contudo, irá se dar neste uma introdução aos mesmos. Aniela Jaffé em seu livro "O mito do significado ‘na obra de C.G.Jung’" nos fala do conceito de arquétipo :
"A palavra arquétipo deriva do grego e significa "a cunhagem original". Com relação a manuscritos, denota o original, a forma básica para cópias posteriores. Em psicologia, os arquétipos representam padrões da natureza humana, ‘a especificidade humana do homem’. Como grandezas inconscientes, permanecem também irrepresentáveis e ocultos, mas se tornam indiretamente discerníveis pelas combinações que produzem na nossa consciência: os motivos análogos apresentados pelas imagens psíquicas e os motivos típicos de ação nas situações primordiais da vida – nascimento, morte, amor, maternidade, transformação, etc. O arquétipo per se é como um criador por trás dos motivos arquetípicos, mas só estes são acessíveis a consciência." (19)
E mais afrente ela diz:
"A concepção do arquétipo de Jung é uma continuação da idéia tradicional de Platão. Assim como para este a "idéia", uma espécie de modelo espiritual, é preexistente e supra-ordenada à exteriorização ou fenômeno, para Jung é o arquétipo. ‘’Arquétipo nada mais é que uma expressão, já existente na Antigüidade, sinônima de ‘idéia’, no conceito platônico’¹. Os arquétipos são ‘‘inclinações’ vivas e ativas, formas ou idéias no sentido platônico’². Existem em cada psique, preformando instintivamente seu pensamento, seu sentimento e sua atuação." (19)
Ela ainda diz :
"Em 1919, Jung fez pela primeira vez a comparação entre o arquétipo como fator estrutural da esfera espiritual-psíquica e o instinto como "tipo de natureza apriorística’ ordenadora da esfera biológica."
Jung ainda modificaria o conceito de arquétipo até sua concepção final formulada segundo Aniela Jaffé em 1946, mas este projeto não visa adentrar em um assunto tão vasto. Voltemos ao tema do bem e do mal abordando um arquétipo especifico, a Sombra. Marie L. Von Franz no livro organizado e escrito em parte por Jung "O homem e seus símbolos" nos diz sobre a sombra:
"A sombra não é toda personalidade inconsciente: representa qualidades e atributos desconhecidos ou pouco conhecidos do ego – aspectos que pertencem sobretudo a esfera pessoal e que poderiam também ser conscientes. Sob certos ângulos a sombra pode, igualmente, consistir de fatores coletivos que brotam de uma fonte situada fora da vida pessoal do indivíduo.
Quando uma pessoa tenta ver a sua sombra ela fica consciente (e muitas vezes envergonhada) das tendências e impulsos que nega existirem em si mesma, mas que consegue perfeitamente ver nos outros – coisas como o egoísmo, a preguiça mental, a negligência, as fantasias irreais, as intrigas e as tramas, a indiferença e a covardia, o amor excessivo ao dinheiro e aos bens – em resumo, todos aqueles pequenos pecados que já se terá confessado dizendo : ‘Não tem importância; ninguém vai perceber e, de qualquer modo, ás outras pessoas são assim.’’" (168)
Segundo Jung, o mal e o lado negado da personalidade, a sombra, fazem parte da unidade do indivíduo que deve ter consciência desta sombra para seu processo de individuação, rumo a totalidade psíquica. Nos diz Aniela Jaffé (1983):
"...os "poderes da esquerda e da direita" fazem parte da unidade, e o objetivo da individuação não é o homem perfeito, mas o homem completo com sua luz e com sua escuridão. O mal, assim como o bem, é dado ao homem juntamente com o Dom da vida. Não pode nunca ser completamente vencido, embora o homem tenha a chance de contê-lo, tornando-se cónscio dele e analisando-o. Quanto mais consciente for de suas predisposições para o mal, mais condições terá de resistir às forças destrutivas dentro de si.
Em geral, a individuação tem início quando o homem se torna consciente da própria sombra, da escuridão e do mal inconscientes, que são, no entanto, parte integrante de sua totalidade."
E logo após nos mostra como a Sombra não é simplesmente o mal:
"Na sombra, vive tudo o que não quer ou não pode se adaptar aos costumes e convenções, assim como às leis religiosas e civis. É a "negação" mefistofélica, a contra-realidade com a sua desobediência, a vontade recalcitrante e a revolta contra o cânone cultural. Uma conformação com a sombra, entretanto, torna-se singularmente difícil pelo fato de ela não ser sempre, nem de modo inequívoco, um ‘mal’. A sombra não é tão-somente destrutiva, e a consciência nem sempre está do lado das prescrições gerais."
Jung não quis em momento algum a perfeição do ser humano, ou que este fosse totalmente bom –apesar da relatividade do termo- mas sim que este pudesse integrar os conteúdos que fossem seus ou que "brotassem" do inconsciente coletivo, o que muitas vezes atrapalha esse crescimento, esta individuação continua é o que Jung chamou de persona, Bonfatti nos fala sobre a mesma :
"Além de máscara a Persona é um papel. São os papéis desempenhados ao longo da história (pai, mãe, sacerdote) que orientam a nossa conduta. Apesar de orientadora, quando ela se torna dominante, pode abafar o indivíduo. (7)
E mais afrente diz:
"Mas, ao mesmo tempo, a identificação com a persona, com a máscara, leva a uma perda do contato com o lado sombrio da personalidade e a personalidade total e real fica distante e oculta." (7).
Bonfatti cita Jung e nos demonstra uma boa síntese da visão Junguiana acerca do assunto:
"Só o auto-conhecimento mais amplo e severo possível, que olhe o mal e o bem numa relação correta e seja capaz de ponderar todos os aspectos, oferece uma certa garantia de que o resultado final não será muito ruim." (10)
Será necessário ao artigo adentrar as idéias Nietzscheanas, para que seja levado a fundo as ligações e divergências entre Nietzsche e Jung acerca do assunto tratado.

quarta-feira, junho 15, 2005

O Arquétipo Psicóide.

Livro: O Mito do Significado de Aniela Jaffé ; cap 2.

O Arquétipo Psicóide

O arquétipo é "um elemento do espírito", o instinto, "natureza pura não falsificada" - tais são as suas descrições contraditórias (ou, para ser mais exato, do seu "modelo"). Deve-se, assim, pensar nele como uma entidade paradoxal. Não é raro o estabelecimento de paradoxos na ciência, mesmo nas ciências naturais. Um exemplo bem conhecido é o eletron, que se apresenta à observação ora como onda, ora como partícula. Embora a observação de uma realidade exclua a de outra, ambas são válidas. Elas se completam mutuamente. O Dr.Robert Oppenheimer fala, nesse sentido, de uma "dualidade" que se aplica à natureza da luz e de toda matéria. Uma dualidade, "um problema dos opostos que é profundamento característico da psique", é válida também para os conteúdos do inconsciente. No fundo, trata-se menos de opostos do que de antinomias, de modalidade de manifestações que se completam.

No decorrer dos anos, Jung fez constantemente novas e mais realísticas formulações da "idéia" do arquétipo e do "modelo" projetado por ele. A concepção de sua antinomia, no entanto, não só permaneceu intacta como foi aprofundada. A correção final e decisiva, formulada em 1946, foi a afirmação, à primeira vista surpreendente, de que os "arquétipos têm uma natureza que não pode ser designada, com certeza, como psíquica". Ele tirou essa conclusão teórica do fato de a natureza real do arquétipo como conteúdo do inconsciente coletivo permanecer irreconhecível, do fato de ela ser uma entidade "metafísica" e, como tal, não suscetível de definição final e inequívoca. Desde então, denominou o arquétipo "psicóide" ou semelhante a alma. "Psicóide" é um conceito adjetivo que exprime a possibilidade de algo ser tanto psíquico como não-psíquico. Enquanto o modelo arquetípico fora até entçai descrito como uma antinomia entre instinto e espírito, esta lcança agora a mais extrema tensão entre "espírito e matéria" ou "espírito e mundo". Com isso, não sugere apenas a idéia da possibilidade de uma "cunhagem" arquetípica do mundo e do cosmos, mas Jung vê no arquétipo psicóide uma "ponte para o assunto em geral". A rigorosa sepração de psique e mundo é abolida. Em 1951, escreveu ele : "As 'camadas' mais profundas da psique perdem a sua singularidade indivídual à medida que aumentam a profundidade e a escuridão. 'Para baixo' quer dizer que, aproximando-se dos sistemas funcionais autônomos, se tornam progressivamente mais coletivos até se universalizarem e desaparecerem na materialidade do corpo, isto é, nas substâncias químicas. O carbono do corpo é simplesmente carbono. Portanto, 'no seu amago', a psique é simplesmente 'mundo'."

Essa nova caracterização do arquétipo como "psicóide", com todas as consequências que isso implica, é uma ampliação audaciosa senão lógica do modelo original do arquétipo como um todo autinômico e paradoxal. Seus aspectos complementares de largo alcance (como espírito e natureza, como elemento estrutural da psique e do mundo) explicam a sua aplicabilidade às ciências espirituais tanto quanto às ciências naturais e também por que a psicologia profunda pertence a ambos os campos.

sábado, junho 11, 2005

É de ponte e travessias,
que se faz a evolução
ou isso é um imperativo
que nos corta em solidão?
Evoluir é congruir,
ser os dois lados ao mesmo tempo
ou permanecer saltetando,
de lado a lado,
de extremo a extremo..

Ser humano dual,
A procura da tragédia,
que nos corta o sentimento
de dominio e de ordenação
que no corta o logos e,
nos esvai em contradição
-pois ainda queremos ser imortais-

ah, anátema da vida de superação,
oh maldição, oh improbabilidade,
ai estas, temporalidade
É essa continuidade de dor,
de amor, de prazer
Esta é a vida,
um universo de axiomas
que ainda podem ser,
ou que ja se foram,
neste céu evanescente.

"O meu olhar precipita-se para o cume, enquanto a minha mão quereria fincar-se e amparar-se... no abismo!" F.Nietzsche