quarta-feira, outubro 26, 2005

Um dia singular.


Os primeiros passos, pelo recondido futuro que aguarda, e as escadas com algum lodo se ocultam por entre as matas nativas, por entre os sonhos raivosos por serem por tanto tempo escondidos ou ignorados junto de alguns morcegos herbivoros. Eles sempre se mostraram, sonhos I-nativos, e agora numa síndrome atávica raivosos berram enquanto o destino passa por entre olhos que ora grandes ora pequenos se impressionam com o grito e com o mar. Estranhos arcos e proximidades guardam os pensamentos que não estão so aqui, também estão la.

Alguma bebida, alguma droga, algum delírio, alguma alucinação, um café também serve mas por favor não tão colorido, o chão já ofusca em demasia; o chão hebefrenico fala cada vez mais alto, cada vez mais freqüentemente e desafia o desatino do contexto e a decisão, será que a coragem do alto do morro elétrico e tão fácil de ser aplicada as leis do movimento? Em um so momento seco será capaz de beber a vida? Um trejeito sexy apreciado por cadeiras de modernas madeiras que balançam, ora avançam e ora se retraem e uma luz que brilha atrai animais que devaneiam e realizam os sonhos que a natureza lhe diz para tal.

Uma pedra ofusca o brilho dos gramados, e uma cama diz que existem pessoas demais em seu tablado, inconstitucional diria o espírito do estado secundário, aquele que fica nas cabeças de cima e as vezes ate nas cabeças de baixo, comandando brevemente por palavras duras como o metal que lhe constitui. Cyborg alado das cabeças ifernalmente constituído para alimentar o domínio e reiterar as frases ocas e nostálgicas de um vídeo que se repete, freneticamente ou compulsivamente, não há realidade mais ilusória do que a do metal, prende tudo dentro de si e castra os desejos desejantes e as vontade das vontades que clamam por intenção. Clamam por ação.

Agora já dentro de si, olha para fora o ar e pasmem descobre que ultrapassou a linha bem demarcada: proibido, dizia ela, agora é tarde. E naquele local ofegante, vozes ludibriantes suspiram por delírio e um momento em sua cabeça sozinho, pensa: “é tudo isso e muito mais”, e por entre os anais do mistério se entregam ao mundo ainda tensos, envergonhados, mas o destino como duplamente determinado traz vida e paz ao momento, incondicionado? O ar verde que pairava o ar, análogo ao mesmo atravessa a mesa de bilhar e se mistura as cores do orgone que ressoa vivido, estupefato, com o fato da vida, lindas cores surgem em meio aos amargos conflitos vividos.

Sonho real, metamorfose se processa e aproveita a madrugada... com lindas flores jogadas por entre as cachoeiras hidromassageadas.

domingo, outubro 23, 2005

Sobre Penhascos.


O massacre de uma vida é um imperativo de resgate ao que sempre ali esteve, a Vontade. Esta, só pode se dar após a dor e o sofrimento, ou, ao menos, a passagem pelo desfiladeiro que aí está, a angustia. Não há saída, vós que quereis com todo afinco e gana vencer a esfinge deveis no mínimo mostrar-vos mais fortes do que a si mesmos. Não há possibilidade de fraqueza, a vida é o imperativo da tragédia.

Mas é a tragédia, esta inimiga do homem, sua grande glória, pois é na derrota que aprende a levantar e, na dor, que aprende a agüentar. Tornando-se mais forte, integra e aceita os conteúdos que ali estão, enfrentas a tirania da existência, sê a força que move as águas e muda o movimento do rio, es tu, titan que se orienta pela flor de espinhos, que ostenta o peso e horror que é videar por longas ruas de passagens estreitas. Milímetro por milímetro, por entre bombas e granadas, agüentaras o fardo de si mesmo? Suportaras o conflito que vos dilacerá? Dizer-te-á o sábio que aqueles que ponderam excessivamente, naufragam pelo peso do seu próprio casco, degradado pela não mudança, degradado pelo excesso de cuidado e não pronto para rumar pela vida.

Vos lhe digo, oh irmãos, sois vos que deveis sacrificar-vos e doar vosso próprio sangue em custo de vos mesmos, não ha caminho senão a vida, não há verdade senão a verdade que descobrireis a parir de vossas experiências. Oh mãe natureza, daí a vossos jovens que em clamor vos branda felicidade, vida, sentido, proteção, alimentação, para que, assim talvez, possam eles sobreviver às intempéries que cerceam-os, como os lobos cercam as ovelhas.

Aguçam a visão, os sábios, alteram as forças, os guerreiros, vivem, os vencedores, sois todos vos a pedra, que no centro e em todo canto move todo universo. Sê plural, pois esta é vossa essência, sê forte e almejais as truculências, mas apenas as que podeis agüentar. Ruma antes de tudo a vos mesmos e então poder-se-á andar, por entre águas, por entre flautas, e emanar a musica da superação... sois autônomos irmãos, sois o que sois, sois a luz e a sombra!

quarta-feira, outubro 19, 2005

Desjos humanos.


Eu quero um casa e um jardim,
com flores, cavalos e um querubin,
uma cançao no violao e um lindo jasmim
eu so quero a desgraça e a guerra na terra,
quero armas pesadas e uma triste mazela
para eu poder me vangloriar que sofri
Eu quero poder ser tao lindo
conquistar todas as pessoas que quiser
me empanturrar de sexo e me esfolar
eu so queria parar de trepar..
eu quero loucamente meditar,
me esconder deste mundo,
alcançar outro lugar
eu so quero ficar, eu so quero sentir
este mundo e´ meu e eu sou todo teu
so queria ficar, eu so queria partir
eu so queria viver, eu so queria morrer
eu so queria existir, eu so queria sentir
ficar um minuto sem te ouvir
Eu quero enlouquecer e nao precisar mais falar,
com a dor que e´ ter que se importar
e calado pra ela, deixa-la pelada
fude-la de quatro, sera´ minha namorada,
eu so quero calar, eu so quero dizer,
so queria normal poder ser
e entre amigos cantar uma cançao
tomar um chop, ouvir o coraçao
So queria casar e ter filhos,
ter uma esposa so´ minha, abraça-la e sentar na mesa,
conversar sobre os filhos apos a sobremesa
So queria ser livre e amar,
mil pessoas e deixar-me levar,
so queria existir ao meu lado
com minhas 10 namoradas,
com meus 10 namorados.
So queria deixar de sorrir, de toda miseria,
de todo enfim,
de todo talvez, de todo porvir
alegre na beira de um lago
pode gritar bem alto
eu so queria ser feliz!
brincar e me divertir, largar a faculdade e sorrir
sentar pelado no meio do asfalto
ouvindo Raul e sentir-me angustiado
Eu so queria ser rico,
e comprar tudo que eu quisses
e, possuir coisas e sentar e partir
pra todos lugares que me aprouvessem
Eu so queria nao ter dinheiro,
essa merda, essa fezes,
poder viver como bem entedesse,
roubar comida, trocar pinturas
por coisas que me aprouvesse
meu so queria deixar e partir
pra um lugar que nao existissem dentes
e sem dores indigentes
entar na beira do asfalto
com uma tequila e dar tiros pro alto
eu so queria sentar e ouvir,
o som da chuva caindo do lado fora,
da minha casa

sexta-feira, outubro 14, 2005

Pensa mentos




Tudo o que para morre. Triste, como o acender em chamas de um corpo adolescente, inconscientemente aceitando o destino de se lançar ao mundo recalcado, transtornado e castrado de desejos que ainda nao viveu. Triste, como a lua que se apaga, o instinto que se mata e espirito que perdeu a alma... no meio das maquinarias do sexulo XXI, pervertidamente nao vivencial. Tudo o que para morre. Concorde ou discorde, viva, tacar-se na vida numa mancha de Rorschach; o mundo e´ tao belo como um belo inter-pretar, ele me conta teus segredos e eu contos os meus a ele.. nos intepretamos a cada tempo e tomamos uma cerveja no bar... mundo vivo, mundo roda, mundo canta, mundo arrota, mundo... mundo....

Tudo o que para... morre.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Convergencia anarquista

Ta meio confuso, nao melhorei muito o txt mas prometido e´ prometido... ainda vai rolar o interpretaçao dos sonhos, so nao sei quando.. agora to fazendo um texto em defesa da psicose freudiana como instrumento de superaçao do ser.... em breve aqui, no mesmo bat canal, beijos babes



O caminho para o anarquismo deve passar por dois caminhos, caso queira uma mudança real e profunda. Através deste texto tentarei abrir margem as discussões que procurem a integração de diferentes pontos dentro do anarquismo histórico e “kairotico” (ontológico) para criar uma sinergia dentro de uma totalidade chamada anarquismo.

Primeiramente creio fazer necessário uma contextualização do anarquismo nos tempos modernos sem a perca do que constitui o anarquismo como anarquismo, a saber, o fim do estado, do governo, como nos diz a etimologia anarchia. Neste ponto, o anarquismo clássico ou histórico é fundamental, pois pode constituir uma meta razoavelmente estruturada, um objetivo delimitado em bases objetivas, lógicas e causais utilizando-se da idéia de igualdade, solidariedade e liberdade, saindo tanto dos ditames do liberalismo como da ditadura vermelha.

Após alguns sucessos e fracassos dentro da historia, devemos pensar os motivos que levaram o anarquismo a não se concretizar como segmento autônomo e perder espaço em algumas oportunidades revolucionarias a idéias totalitárias como o comunismo autoritário ou o capitalismo de estado.

Vários motivos empíricos me levam a crer que o próprio ser humano e a humanidade em geral no seu cotidiano é culpada pelas atrocidades cometidas pelo autoritarismo e pelas condutas egocêntricas dos indivíduos que “representando” a ideologia burguesa ou a ideologia proletária cometeram as maiores barbáries sem a menor ética ou consciência. Penso que estes próprios movimentos foram importantes para que possamos re-significar todo modelo de pensamento que temos para conseguir chegar a uma psique mais individuada e autônoma que possibilite uma maior compreensão acerca do que fazemos, sentimos e pensamos.

Se quisermos fugir do autoritarismo precisamos primeiro fugir da própria ideologia ou dos condicionamentos que moldam nossa consciência estabelecendo determinados padrões de percepção aos quais nos captamos, seja da realidade “sensível” ou da realidade psíquica. Esta consciência coletiva que não nos permite chegar aos nossos conteúdos mais originários e próprios, tanto pessoais como coletivos, é chamada no misticismo de egregora. Na física os fenômenos onde a virtualidade (potencialidade ou potentia) se estabelece em um ponto especifico e saem da superposição coerente (a própria virtualidade, o caos) é chamado de colapso da função de onda¹. Neste momento especifico de certo modo podemos captar a realidade já pré-moldada pelos valores sociais preponderantes, ideológicos, ou, pelo memes que acabam definindo em parte “o que” da realidade perceberemos.

A transmutação do ser e da cosmovisao dominante são imperativos essenciais para o anarquismo dar conta da realidade a qual visa estar construindo, não necessitando que suas revoluções sejam temporárias e o sucesso se estabeleça apenas em exercer “sua” vontade de potencia, mas que também não fique apenas no lado filantrópico representado por Eros. Justamente esta transmutação do ser que da a ele a possibilidade de estabelecer para si uma ética que possa estar mesmo em contra ponto a sociedade quando assim realmente o quiser, chegando a sua própria Vontade, ou seu próprio ser, que jaz no seu mais intimo e profundo inconsciente.

Era exatamente este o ponto união de opostos (conjuctio oppositorum) ao qual eu gostaria de chegar, se por um lado, o anarquismo histórico sofreu criticas por seu altruísmo por Nietzsche e manteve-se com um altruísmo similar ao cristão, por outro o anarquismo ontológico corre o perigo de perder o próprio amor e ser dominado pela necessidade de poder, desligando-se de qualquer pretensão de melhoria social, e ignorando a realidade coletiva na qual esta inserido, perpetuando um individualismo que pouco produz.

Precisamos então unir ao anarquismo clássico o poder e a imaginação e ao anarquismo ontológico a necessidade da coletividade, do altruísmo e da modificação social e econômica. Juntando a racionalidade a irracionalidade termos a chance de não ignorar o inconsciente coletivo tal como, também não ignoraremos a realidade da physis que se mostra e se desvela (aletheia) no cotidiano. Necessário é, portanto, viver o anarquismo no cotidiano, se mutando, procurando nossa própria singularidade (self) e também se organizando para manter a lógica e a estratégia para que possamos ter bons resultados intersubjetivos de modificação do cotidiano, começando obviamente por nos mesmos.




¹ - http://pub14.bravenet.com/faq/show.php?usernum=1175349607&catid=4851#q9 (aqui encontra-se também uma luz sobre o conceito de superposição coerente.

domingo, outubro 09, 2005

Apareça, se desvele e me enlouqueça! - mas nao me deixe so -

Me procuro em mim,
sera´ que posso me mostrar?
um dia claro e nu vem a calhar
mas tudo nao passa de um dia sem mais outros
uma taça de biscoitos,
cheios de formiga..

Procuro...
me conheçer e me ocultar,
Uma garota vem me beijar
e tenho medo de ser,
de olhar,
de ser conquistado
e nao conquistar...

Ahh sentimento agonizante,
algures no mesmo instante
sou quem sou feito por ti;
mas, se a procura ludibriante
me tornar um delirante
jure que venha me buscar

Sou aquele ser demasiado fraco,
que se cala mais que fala
e que nao sabe se expressar..
Mas, em meus olhos vagos cegos
A minha dor, meu fraco ego
So queriam te encontrar...

Doce mulher, doce criança,
Doce eu, doces lembranças
Amarga mulher, amarga criança
Amargo eu, amargas lembraças
de dias que nunca vivi.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Sobre a etica e sobre a moral

O criterio da ação ética não pode mais consistir no fato de que aquilo que é considerado bom tome caráter de um imperativo categorico; inversamente, o que é considerado mau nao deve ser evitado de um modo absoluto. Quando reconhecemos a realidade do mal, o bem toma
necessariamente um caráter relativo e aparece como uma das metades de dois termos opostos. O mesmo ocorre com o mal. Os dois constituem, juntamente, um todo paradoxal. Praticamente isto significa que tanto o bem como o mal perderam o caráter absoluto e que somos obrigados a tomar consciência de que representam julgamentos.

A imperfeição de todo julgamento faz-nos, entretanto, perguntar se nossa opnião, em cada caso particular, é justa. Podemos sucumbir a um julgamento falso mas isso so concerne senão a um problema ético, a medida que nos sentimos incertos de nossa apreciação moral. Mas nem por
isso devemos deixar de tomar nossa decisões sobre o plano ético. A relatividade do "bem" e do "mal" ou do mau não significa de forma alguma que essas categorias nao sejam validas ou não existam. O julgamento moral existe sempre e em toda parte, com suas consequências
caracteristicas. Como ja assinalei, uma injustiça cometida, ou somente projetada, ou ainda pensada, vingar-se-á de nossa alma, no passado como no futuro, qualquer que seja o curso do mundo. São os conteúdos do julgamento que mudam, submetidos as condições de tempo e de
lugar, e em consequencia destes. A apreciação moral baseia-se sempre no codigo de costumes, que parece seguro e nos instiga a discernir o bem do mal. Mas quando sabemos com essa base é fragil, a deciçao ética torna-se um ato criador subjetivo, sobre o que não podemos estar
certos - senão Deo concedente (com a graça de Deus) - e isso quer dizer que necessitamos de um impulso espontaneo e decisivo que emana do inconsciente. A ética, o ato de decidir entre o bem e o mal, não esta implicada em seu principio; apenas, se tornou mais dificil para nos. Nada pode poupar-nos do tormento da decisao ética. Mas por mais rude que isto possa parecer, é necessario; e, certas circustancias, ter a liberdade de evitar o que é reconhecido como moralmente bom, e fazer o que é estigmatizado como mal, se a decisao ética o exigir.Em outra
palavras: é necessario não subumbir a qualquer um dos dois termos opostos . Contra a unilateralidade dos opostos, temos sob uma forma moral, o neti-neti (nem isto, nem aquilo) da filosofia hindu. Nesta perspectiva, o codigo moral será, em certos casos, irremediavelmente abolido, e a decisao etica dependerá do individuo. Isto não representa nada de novo, pois ja significou, no correr dos tempos pré-psicologicos, o que se chama de conflito de deveres.

Carl Gustav Jung; Sonhos, Memorias e Reflexoes pg. 284-285

quarta-feira, setembro 21, 2005

Fernando Pessoa

Bem, estou devendo um post sobre sonhos que ainda esta meio desogranizado.. mas espero essa semana ou na proxima postar ele... acredito que antes dele um post sobre "congruencia anarquista" devera brotar, influenciado pelas discuçoes acerca do anarquismo historico/classico e o anarquismo ontologico.

Vamos as belas poesias ;

Fernando Pessoa - Consciencia da pluralidade

"Nao sei quem sou, que alma tenho.
quando falo com sinceridade nao sei com quem sinceridade falo.
Sou variavelmente outro do que um eu que nao sei se existe (se é esse outros)
Sinto crenças que nao tenho. Elevam-me ansias que repudio. A minha perpetua atençao sobre mim perpetuamente me ponta traiçoes de alma e um carater que talvez eu nao tenha, nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me multiplo. Sou um quarto com inumeros espalhos fantasticos que torcem para reflexoes falsas em uma unica anterior realidade que nao esta em nenhuma e esta em todas.
Como o panteista se sente arvore (?) e ate a flor, eu sinto-me varios seres. Sinto-me viver vidas alheias, em incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada (?), por uma soma de nao eus sintetizados num eu postiço.
Se plural como o universo!"

terça-feira, setembro 13, 2005

Reflexao sem muita reflexao...

Vou calar os botões de minha camisa mais refinada, vou amargurar-me na solidão e no meu canto de reflexões, vou sentir o sem sentido e ouvir do meu umbigo, o grito dos rojões... me esconder em baixo de cadeiras e corroer as poeiras que ocultam minha visão, e se me disserem que estou longe da verdade do momento distante vou replicar que não quero mais, eu não quero mais!!! E quando procurarem consolar-me e falar que a culpa e minha eu só vou responder como respondo sempre que cai meu celular e não posso me comunicar... a longas distancias, a tristes lembranças, a caricias infâmias... EU NÃO QUERO MAIS... e se meu grande balão cheio de ar quântico gritar eu vou o calar... eu vou o calar... não quero mais... o silencio vai me guiar... por tristes e monocromáticos campos de trigo.

quarta-feira, agosto 31, 2005

Tote

Em um momento de lembrança
Me vem passagens rúbreas na memória
também cinzentas e as de glória
no surgimento da esperança

grita a escada que a mim dança
e pede-me que de alento eu suba nela
Oh querida, bela donzela
Não a deixaria só, nesta novela

A minha história é de subidas e descidas
de feridas e magoas perdidas,
que por entre negros tuneis cerebrais
guardo em profundos lobos temporais

Puxo e sugo estas memórias perdidas,
Dou a mão a Satanás
Em lúgubres recantos infernais
Deixo de açoitar lembraças primordiais

E se me envergonho de meus erros do passado,
Sei que melhor seria valora-los diferente
Para uni-los nesta sinergia intermitente
que produz aqui dessa energia, um sol, de um dado

que luta para viver
mas que não sabe amanhecer
sem ser um novo ser

domingo, agosto 28, 2005

Sagitário e o Amor

- texto devidamente usurpado do livro de minha mãe astrologa : O livro dos Signos de Maria Eugênia de Castro -

Sagitário e o Amor:

O amor de Áries e do Sagitário tem algumas semelhanças, sendo oportuno lembrar que são dois signos de fogo, igualmente impetuosos e arrebatados quando amam. Os dois são inclinados ao amor a primeira vista. A paixão acontece como o raio de Júpiter, direto e intenso, porém algumas características marcantes evidenciam as diferenças entre eles. O Sagitário se apaixona com bastante facilidade, aliás, dá a impressão de que está sempre pronto a inciar um tórrido caso de amor; entre de corpo e alma, sem muitas elucubrações quanto às consequências ou ao futuro, se houver. É um signo que não se faz de rogado, não dificulta os primeiros contatos nem complica os ritos de aproximação. Quando quer e sente alguma receptividade no outro, vai em frente com o maior entusiasmo, soltando foguetes. Por sua natureza ativa e yang, prefere estar no papel de caçador e não costuma se adaptar à neutralidade do conquistado.

Mas, quanto à continuidade... o arqueiro não é o mais fácil. Mostra grande relutância em aceitar os vínculos de um compromisso muito sério, detesta as cobrança, as cenas de ciúmes e possesividade, bem como os regulamentos mais corriqueiros que passam a ser habituais em qualquer relacionamento. Para esse indivíduo de alma livre e coração aventureiro, os vínculos equivalem a pesadas correntes, e as regras sociais de manutenção muitas vezes afastam-no das alegrias de uma união estável, apesar de ele gostar muito de companhia e de ter horror a solidão.

A frase "até que a morte os separe" apavora 0 arqueiro parcialmente. Ele é capaz de viver um bom casamento, se o parceiro souber ser uma pessoa muito especial. Isto é, amarrar um Sagitário numa união requer muita arte e algumas estratégias. É fundamental que este(a) parceiro(a) seja uma pessoa mentalmente dinâmica, com uma capacidade de mutação constante e uma variedade infinita de interesses a partilhar.

O alimento principal de um espírito sagitariano é a troca. E ele precisa estar constantemente conversando, interagindo, "filosofando sobre a vida", enfim, literalmente trocando idéias e crescendo junto com seu(ua) parceiro(a).

O Sagitário necessita de alguém interessante. A beleza física e o sex-appeal nunca serão atributos desprezíveis, porém o equipamento mental (Mercuriano) do(a) companheiro(a) precisa ser de alta qualidade, porque é um ponto muito mais valorizado do que se pensa. Se um Sagitário tivesse que escolher entre um(a) companheiro(a) de grande beleza física ou mentalmente superdotado(a), iria preferir a segunda opção. Para ele, é muito mais divertido e instigante o intercâmbio mente/mente do que apenas a apreciação estática de atributos puramente físicos.

Para "prender" um Sagitário, só existe uma "corrente segura" - alguém dotado de uma mente jovem, portanto curiosa, versátil e, se possível, inteligente. O Sagitário gosta de alguem que esteja sempre disposto a aprender, a questionar e a motivá-lo a exercer sua vocação inata de professor.

O Sagitário, em resumo, é um tipo fácil de viver e conviver porque gosta de gente, comunica-se bem, é alegre, estudioso, religioso, simpático, extrovertido, bem-humorado, namorador, grande amante, excelente pai, gosta de arriscar em jogos, apostas e inúmeras outras brincadeiras, esportivo, ama as crianças, os animais e os desprotegidos, mas tem uma imensa necessidade de sentir-se livre, permitindo-se estar sempre em atividades e movimento.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Sobre existência e conhecimento.

Inter-rompo-me por um momento, com meu eu e meu não eu que sou. Preciso pensar o que diz meu desejo, minha Vontade, meu inconsciente coletivo, minha vaidade, meu ego, meu self. Preciso pensar e deixar de seguir... o que seja, não importa, se tiver que ser doloroso será, se tiver que me destruir, destruirá, o que não posso é permanecer entre filósofos e cientistas, como eu não fosse um artista e nos papeis da vida só copiar e copiar... não sou maquina de xerox, nem apenas um artista de colagens, quero pintar e re-pintar, quero desenhar e apagar... construir novas coisas e destruir, influir, refluir, estar em fluxo.

Não existe momento mais oportuno para isso que o caos, a ordem complexa que foge a linearidade e é justamente esta fuga do causal e do mecânico que posso influir de maneira alógica e parafusar coisas estranhas, doces estranhezas, que me propiciem uma vida acessa e com muitas mutações. Não quero ser sempre o mesmo, "nem ser o que já sempre fui", não me importa o que diz a teoria de Jung, Heidgeer, Deleuze, Freud ou Japiassu. Foda-se, não me importa, talvez este seja meu texto mais inteligente ou o mais inconseqüente, mas isto também é só um modo de compreensão que neste momento sustento com o vento e com os sonhos adolescentes de um momento singular.

Agora vamos lá: o que penso hoje e agora, alguns pontos e algumas horas, de catarse epistemológica impensada:

A - É impossível alcançar o real, apenas é possível captar fenômenos, partindo da idéia de que, nossos sentidos não são capazes de captar primeiramente todos os estímulos que se encontram no ambiente, e este ambiente é também apenas uma organização organismica própria, isto da margem à diversos "tuneis-realidade" que não são falsos ou reais, apenas diferentes entre si. Socialmente isto leva a diminuir bruscamente as considerações sobre delirios, loucuras, paranoias. Enquanto realidade consensual, deveríamos ter portanto uma maior abertura a diversidade (o que não significa abertura absoluta, pois um "tunel-realidade" serial-killer por exemplo, apesar de não ser falso ou real, é uma existência que causaria um enorme prejuízo afetivo-psiquico nos fenômenos 'existentes').

B - O presente é relativo, pode-se prever o futuro ou modificar o passado... podemos dar algumas explicações mas apresento aqui apenas uma descrição do fato dentro de realidade especificas.

C - Não existe causalidade linear absoluta, portanto pequenos fatos a longa distancia que nada causaram num momento especifico podem se intrometer espontaneamente num fato a posteriori. Nem toda causa gera efeito e nem todo efeito é gerado por uma causa, existe livre-arbítrio relativo, ou seja, não absoluto, algo é condicionado e algo não. Alguns efeitos provêm do Nada, outros, do Caos. Caos e nada se diferem, sendo caos a ordem complexa que tudo possui e o Nada onde nada existe.

D - Existem várias maneiras de existir no mundo e nenhuma é certa ou errada, mas algumas são dotadas de maior força, o enfrentamento é um imperativo a evolução. O conceito de evolução é relativo e cada pessoa pode criar o seu, mesmo que não tenha coerência alguma e todo conceito tem uma intenção, mesmo que inconsciente. Dentro de minha perspectiva observo que a coerência é importante para levar-nos a algum ponto que desejamos, então todo conceito e teoria mais interessante seria se dotada de intencionalidade consciente(teoria-objetivo). A evolução em minha visão seria portanto feita a partir de mutações (sejam conscientes ou inconscientes) que levam a uma maior complexidade.

E – Não existem objetos, tudo é vivo, nada é simplesmente um receptáculo de um sujeito, tudo se modifica, todos chamados objetos tem um sentido e evoluem, quase tudo se modifica e se relaciona, os ‘objetos’ nos dominam e nos dominamos os ‘objetos’ ou ambos se relacionam, é a diferença fundamental entre ‘seguir ou guiar a natureza’ ou simplesmente se relacionar.

domingo, agosto 21, 2005

Luz e Sombra

Parte I : O sonho e a gravidade;

Hoje, não sei ao certo em que dia estou, pensamentos vagos da realidade são o que me sobraram, ora ou outra quando acordo lembro do que exatamente me ocorreu, o dia é nublado e turvo. Meu momento é todo sonho, é todo linear, me impressiono as vezes com a falta de coerencia que é o que muito chamam de causalidade.

Neste estranho e bizarro mundo em que alucino, todo são dominados em teias, esperando a aranha chegar para come-los, é como um pesadelo, aqui não existe o poder da possibilidade, é como um planalto de complexos reificados, maquinas que seguem estranhas leis que eles (ou eu mesmo) chamam de física. A singualaridade é só um fetiche ilusório nesse mundo.

Não entendo! Me perco, as vezes penso que preciso de ajuda para sair desse imperativo sombrio, deste lado infernal, grito e peço suplicio mas minha própria policia me espanca a qualquer tentativa de fuga; meus complexos me ridicularizam e aos poucos fogem de mim, meu medo é cada vez maior, a cada segundo que pareço chegar mais perto, e mais perto, da realidade.

O limiar é o desespero, a angustia pura e talvez o meu enterro, mas planejo aos poucos, ismiussadamente, uma estratégia estridente para metamorfosear este universo em real.

- Preciso pensar, preciso pensar!

Me sufocam os pensamentos compulsivos e o momento, estou solitário, preciso de alguem, de alguma companhia mas no fundo sei que todas as companhias que me restam não passam da policia que eu mesmo criei contra mim.

- Isso tudo faz razão! Calma! Preciso me convencer.

Enquanto saio da lógica do poder do sonho, cada vez mais enlouqueço mais para os demais e, é só quando acordo, e quase nunca recordo (quando volto a dormir) que alguma verdade me aparece, se desvela e berra comigo; provável que eu ja tenha assustado muito as luas que falam, os sols que divagam e o coelho que joga lampião constantemente. Contudo sei, que estas são minhas únicas lembranças manifestas do que resta deste mundo real.

Meu plano é simples e complexo ao mesmo tempo, um paradoxo realista. Observei durante anos uma pequena possibilidade de fuga, provém de uma bactéria do sonho que pode trazer paulatinamente uma irrupção de realidade momentanea; todavia é possível que eu não esteja pronto para uma irrupção muito grande de realidade, ja que, neste momento singular meu objetivo consiste em minar a cidade de bombas de chocolate, tocando tamborin de abacate e isto, ora isto, é totalmente irreconciliavel com as leis do sonho.

Encontro-me numa situação emergente, e o umbral que se mostra pode ser minha passagem para vida ou para morte; espero poder transmutar o mundo num doce e desta forma trazer as crianças a luz.

E nesta luz de esperança, crianças e vontade, que, mil estrelas brilharão, na aurora bureal do lapis gigantesco, que tudo escreve, que tudo valida, que à tudo da vida. É este lapis filosophorum, esta desgraça e explosão que tomará o incendio e a maldição de meu próprio ser.

sábado, agosto 20, 2005

Biscoito da Sorte Chinês

Veio o seguinte ; "Não se preocupe com o que se passa do lado de fora de sua porta."

quarta-feira, agosto 17, 2005

Poesia de enantidromia

Oh, doce ascleplio que conjura,
dai-me dor e dai-me a cura
para o que ainda não vivi
Traz-me Baco, teu doce vinho
de prazer e de delirio
e entre esta cosmogonia e a escatologia
abre o olho do que não sorria
quando era amedrontado;
Para paroximos hoje canto
louvo e levo-me ao pranto,
nesta conjuntura de prazer
de deslumbre e de escandio
Não me prendo mais a uma voz cega
seja de Artemis, ou da mãe terra
de Apolo ou de Lucifer,
seja do céu ou seja do inferno
hoje prefiro a miríade energética do processo
gerada na dor da guerra
e unida finalmente a fera,
em um belo conjuctio oppositorum

terça-feira, agosto 16, 2005

oh, céus!

"O conceito de verdade se opondo ao de falsidade que tem data e lugar de surgimento, o poder procura convencer que tem suficiente consistência para determinar o que deve ser considerado real e irreal para a coletividade. Nesse sentido, ele tem a força da magia, forjada pelo ocultamento de sua própria historicidade; assim molda fetiches, ilusões do real, aparências de verdade." (Kuperman)

Um pouco de Física.

"Não colocamos nossa confiança,
Na virgem ou na pomba,
Nosso método é ciência,
Nosso objetivo é religião" Aliester Crowley

ERP e o Teorema de Bell

A demonstração Einstein-Rosen-Podolsky (ERP) indicou que, se a mecânica quântica é verdadeira, algumas particulas estão em contato instantâneo, mesmo que elas se encontrem em extremidades opostas do universo. (Isso só é verdadeiro para partículas que ja tiveram contato físico, mas trata-se de um ponto técnico que não tem importância neste contexto.) O problema dessa demonstração ERP é que:

a - Tal comunicação instantânea através de galáxias não tem uma explicação física e é difícil pensar a respeito do fato;

b - representando o problema principal, tal comunicação instantânea é proibida pela relatividade espacial que não permite efeitos instantâneos, sendo tudo limitado pela velocidade da luz.

O objetivo da ERP era um reductio ad absurdum (redução ao absurdo) da teoria quântica. A ERP é deduzida por matemática rigorosa, a partir da mecânica quântica, e parece ser falsa pelos dois motivos mencionados no paragrafo anterior. Na matemática, se a conclusão é falsa, deduz-se que o antecedente seja falso. Por conseguinte, a mecânica quântica é falsa.

Para Einstein, Rosen e Podolsky, esse era um pensamento feliz, pois os três tinham sérias reservas a respeito do elemento aleatório implícito em todas as equações quânticas - reservas resumidas no famoso pensamento de Einstein "Deus não joga dados".

Que pena, ERP foi promulgada em 1935 e, a partir de então - o maior período de trabalho exprimental na história da Física, além de com mais físicos vivos hoje do que em toda a história-, tudo indica que a mecânica quântica definitivamente não é falsa. Funciona maravilhosamente bem. Por conseguinte, se o antecedente é verdadeiro, a conclusão é verdadeira e, portanto, os efeitos ERP devem existir - mesmo que eles sejam proibidos pela relatividade espacial.

Agora, os físicos não estão particularmente satisfeitos com essa conclusão, pois desejariam preservar tanto a mecânica quântica quanto a relatividade espacial. Algo deve ser feito a respeito do paradoxo ERP - mas o que?

Em 1964, o Teorema de Bell sugeriu três possíveis interpretações do efeito ERP e todas elas controversas. O Teorema de Bell parece sólido como aço (pelo menos em 1977), portanto, pelo menos uma das alternativas deve ser incluida no novo paradigma, quando a Física finalmente apresentará um novo paradigma. Vamos ver quais são as alternativas...

a) a mecânica quântica fracassa.... e/ ou

b) a objetividade fracassa... e/ou

c) a localidade fracassa...

Se a mecânica quântica fracassa, ela fracassará radical e totalmente. A experiência Clauser (Berkley, 1974) demonstra que tentar redefinir as conexões quânticas não contornaria o Teorema de Bell, portanto, a teoria quântica como é conhecida deve ser revolucionada completamente se formos encetar esse caminho. Isso significa que estaremos por presenciar uma maior revisão epistemológica do que aquela relacionada com a própria relatividade e a própria teoria quântica. Provavelmente, estaremos presenciando a maior redefinição da realidade na história da ciência. Esse chocante acontecimento deverá ser a maior revolução da história ciêntifica, pois quase tudo na Física quântica moderna depende da verdade da teoria quântica. Desistir da mecânica quântica equivale à desistência de Deus na religiosidade de uma pessoa. Todas as coisas - e não só algumas coisas - mudarão em nossa mente. Saul-Paul Sirag resume essa alternativa como "um novo jogo de bola".

e/ou

Se a objetividade fracassa, deveremos presenciar uma revolução de pensamento igualmente gigantesca, mas podemos pelo menos sugerir a forma que assumirá. A objetividade, nesse contexto, significa a doutrina de que o universo existe independente das idéias ou da vontade do pesquisador. Dois modelos foram desenvolvidos sem a doutrina de objetividade. O primeiro é o "universo participativo" ou o "universo criado pelo observador", do Prémio Novel Werner Heisenberg e do Dr.John A. Wheelerm, de Princeton. Na versão de Heisenberg, eventos quânticos existem potencialmente antes do dimensionamento humano e na realidade somente depois que tal dimensionamento ocorreu. Heisenberg diz que a "estranheza" é a característica da potentia (do potencial); o tempo, aqui, flui para frente e para trás, e nenhuma lei comum da Física se aplica neste caso. Aquelas leis entram em funcionamento somente depois que a intervenção humana (dimensionalmente) ocorra.

e/ou

O universo criado pelo "observador" de Wheeler, como aquele de Heisenberg, descreve a "realidade" como o resultado da interação humana-quântica, mas acrescenta a possibilidade de que as transmissões ERP possam realizar esse resultado até antes de o dimensionamento ser efetuado. É claro que isso leva diretamente à possibilidade da psicocinese (magia..) e poderia explicar todos os tipos os tipos de eventos estranhos, desde os "milagres" religiosos até a habilidade de Uri Geller na transformação de metais, permitindo a alteração de seu estado físico, mudando a sua forma. Uma pequena extenção dessa hipótese nos permitirá considerar todos os meus 23 como o resultado de interações quânticas entre o meu cérebro e os eventos interceptados desde o meu interesse pelo número 23. Estamos muito perto da "Teia" de Jano Watt e do velho sistema de crença xâmancia que Sir James Frazer denominou de "lei de contágio". Crowley a chamou de "conexão mágica".

e/ou

O segundo modelo não-objetivo é a idéia de mundos paralelos, extensamente usada pelos autores de ficção científica. Uma formulação matemática dessa idéia foi desenvolvida por Wheeler, junto com Everett e Graham. Isso leva ao conceito de que há 10 elevado a 100 universos existindo "simlutaneamente" em diversas dimensões. (10 elevado a 100 é uma estimativa, mas significa dez elevado a centésima potência (um número inimaginável) como um valor mínimo de universos). Cada um desses universos é tão complexo e tão extenso no tempo e no espaço quanto o nosso, e nós existimos em cada um deles, mas de maneiras diferentes.

Em outras palavras, tudo aquilo que pode acontecer, acontece realmente. Assim, apenas Saul-Paul Sirag explica esse modelo : "No universo ao lado, eu ainda sou um físico, mas trabalhando em outra área de pesquisa. Em outrouniverso sou um ator que abandonou a Física sem nunca mais voltar a ela. Em outro universo ainda, morri em um campo de concentração e não existo mais no "presente".

A maioria dos físicos não pode considerar esse modelo seriamente e é comentando que Wheeler, Everett e Graham, que o criaram, também não acreditam nele. Entretanto, é uma interpretação legítima do problema levantado pelo Teorema de Bell.

e/ou

Se a localidade fracassa, encontramo-nos em um predicamento interessante. A localidade tem um significado um tanto quanto técnico na física, mas basicamente podemos pensar nela desta forma: o universo local, para qualquer ser inteligente, é limitado pela velocidade da luz. Isso quer dizer que qualquer sinal recebido viaja a uma velocidade igual ou menor do que a velocidade da luz. Esse universo "local" - tudo que podemos detectar movendo-se dentro da limitação da velocidade da luz -, de acordo com a relatividade Espacial, é o único universo. Um universo não-local seria um universo além da imaginação. Pela relatividade especial, esse universo não-local é metafísico e "insignificante", no sentido de que, mesmo que existisse, seria impossível detectá-lo.

Entretanto, se interpretarmos ERP e o Teorema de Bell para significar que os eventos quânticos, apesar de tudo, estejam em comunicação instantânea, poderemos então entrar em contato com um universo não-local por intermédio da teia de comunicação quântica. Isso não é diferente do que dizer que podemos então estar na Califórnia e no Arizona ao mesmo tempo, ou então na Califórnia e no sistema da dupla estrela de Sírius ao mesmo tempo, ou ainda no passado, no presente e no futuro "simulaneamente".

Uma forma possível de olhar para esse pensamento incompreensível foi desenvolvida pelo Dr.Jack Sarfatti, que presume que as transmissões ERP (mais rápidas que a luz) sejam informações sem transporte. Limitar o nosso ponto de vista a um universo local -na velocidade igual ou menor do que a luz- é um "chauvinismo eletromagnético", propôs Sarfatti. Informação sem transporte é informação sem energia e, no sentido comum, sem "sinais". O princípio da relatividade espacial dessa forma não é desafiado, mas meramente reduzido a uma definição de localidade e aplica-se somente a sinais e sistemas de energia. A informação pura pode tomar a forma de transmissões ERP, não limitada pelos sinais ou pela velocidade da luz.

Essa informação superluminosa (transmissões ERP), argumenta Sarfatti, pode dar suporte às Percepções Extra-Sensoriais (PES) interestelares revindicadas por autores recentes (inclusive eu mesmo), bem como as percepções comuns deste nosso planeta.

e/ou

A informação superluminosa também pode ser, como Sarfatti e Sirag propuseram em outros lugares, responsável pelo fenômeno incrível da sincronicidade; por exemplo, o meu holograma 23 do tempo-espaço. A sincronicidade, como é formulada por Jung e Pauli, simplesmente descreve o que acontece: coincidências se organizam em padrões aleatórios, mas significativos. A transferência da informação superluminosa ao nível quântico poderia explicar como isso acontece. Cada sistema subatômico no universo, ou nos multiversos, ajusta-se instantaneamente numa conformação com o todo, por meio de reação sinergética mais rápida que a luz. Aqui abordamos a "teoria Bootstrap" do Dr.Capra, que faz com que "todas as coisas sejam a causa de tudo", como no I Ching ou no Taoísmo¹.

Como esses modelos alternativos na vanguarda da Física, construímos uma série de explicações parciais dos dados estranhos que apresentei.

¹- Também dito pela lei máxima do Bela-Parrachianismo, segundo Bubleon Harashingá

Robert Anton Wilson, O Gatilho Cosmico, pg. 196-200.

terça-feira, agosto 09, 2005

útero masculino

"A histeria masculina tem a aparência de uma doença grave; os sintomas que produz são quase sempre pertinazes; a doença, em homens, de vez que tem a importância maior de provocar uma interrupção do trabalho, tem também maior importância prática - "

Estou histérico? droga! não posso trabalhar!

quarta-feira, agosto 03, 2005

Compreensões Biblicas e Apocrifas;

É reconhecido há muito tempo, a compreensão da Igreja Católica de que, todo conhecimento sagrado e válido provém da Bíblia, não reconhecendo assim nenhuma possibilidade de mudança (claro que fatos históricos demonstram que não é bem assim). Falamos aqui de mudanças, sobretudo no dogma da igreja ortodoxa (bizantina), romana e também dos protestantes, os quais, apesar de suas mudanças de práticas continua o mesmo.

Temos já como obvio o poderio da igreja e, seus dogmas se constituem obviamente, para a manutenção deste poder e é justamente nesta tentativa espúria de manutenção da hierarquia e da ordem ortodoxa que, os próprios textos bíblicos foram tanto manipulados e como são até hoje interpretados a bel prazer, cometendo desta forma, erros espúrios e grotescos... são os velhos arcontes em ação... as autoridades ctônicas impedindo o ser humano de entrar em contato diretamente com suas forças imateriais e originárias.

O objetivo deste post é, trazer passagens bíblicas, interpolações apócrifas e analíticas de passagens que demonstrem o ineptia ridiculus que é tanto o dogma do santo igreja apostólica romana, quando a opinião orto doxa que quer nos mostrar uma falsa episteme como o já feito pelos senhores "donos da verdade".

Com o envio do paráclito após a crucificação de Cristo, não se pode mais falar que apenas Cristo é um Filho de Deus, mas, cada ser é apartir dai um deus; O paráclito é para o catolicismo, o espírito da verdade, o Espírito Santo, o qual foi dado a humanidade na própria mudança de Javé mediante o processo ocorrido em Jó. Em Salmo 82,6 lemos:

“pois bem, eu vos disse: Sois deuses; sois todos filhos do Altíssimo"

O paráclito é totalmente indesejável para a Igreja, pois leva na verdade o contato com Deus (Self) ao próprio indivíduo e não mais é necessária mediação da Igreja ou dos padres, todo ser passa a ser, apartir dai, sagrado. E esta idéia não é minha a bel prazer, logo após essa passagem de Salmo, lemos "A Escritura não pode ser anulada". Logo, apesar da escritura dever ser continuada pelos próprios indivíduos em contato com Deus não existe meio de negar a deusificação dos homens, esta idéia quebra a própria idéia de autoridade eclesiástica, pois somos todos encarnações do logos.

Segundo Jung : "A ação continua e direta do Espírito Santo sobre os homens convocados à condição de filhos de Deus é, de fato, uma encarnação que se realiza permanentemente. Enquanto filho gerado por Deus, Cristo é o primogênito ao qual se seguirá um grande número de irmãos nascidos depois dele. Mas estes irmãos não são gerados pelo Espírito Santo, nem nascidos de uma virgem. Isto talvez possa prejudicar seu caráter metafísico, mas o seu nascimento puramente humano não constituirá ameaça alguma para a sua expectativa de um lugar de honra na corte celeste, como também não reduzirá sua capacidade operativa no que respeito aos milagres. Sua origem inferior (da classe dos mamíferos) em nada impede que eles se situem numa relação de íntimo parentesco com Deus, enquanto Pai, e com Cristo, enquanto irmão..."

Ora, se cada ser pode operar milagres, ou, segundo alguns, magia, quem irá dizer se o que de fato aconteceu é milagre ou não, magia ou não, vem de deus ou do capeta? Obviamente o poder eclesiástico. Mas porque assim é, se todos temos o espírito santo?

Outro ponto em que eu gostaria de tocar é o pretenso machismo que se apóia em algumas vertentes católicas ou protestantes. Temos aqui que partir do principio que não existe apenas Deus e que, existe também uma Sapientia Dei, uma Deusa feminina ou pneuma coeterno a Deus. A esta que nos refirimos é Sofia a qual podemos encontrar nos Provérbios de Salomão, que data de 600 a 300 a.C, idade próxima ao livro de Jó, segundo alguns. Nos provérbios de Salomão lemos:

“O senhor me criou, como primícia de suas ações, como princípio de suas obras, antes dos tempos mais antigos. Desde a eternidade fui constituída, desde o começo, antes da origem do mundo. Quando ainda não havia os mares eu fui concebida, e ainda não existiam as fontes carregadas de água..................... Quando ele fixava os céus, eu estava lá,............................... quando assentava os fundamentos da terra, eu estava lá, como predileta a seu lado, era toda encantamento dia após dia, brincando todo o sempre na sua presença, brincando sobre o globo de sua terra, achando minhas delícias estar junto aos filhos dos homens”.

Outra fonte citada por Jung em resposta a Jó é Jesus, filho de Sirac (+-200aC) que escreve:

“Saí da boca do Altíssimo e como a névoa cobri a terra. Tive minha morada nas alturas, e meu trono estava sobre uma coluna de nuvens. Sozinha percorri o circulo do céu e passei nas profundezas das águas. Andei sobre as ondas do mar e sobre os fundamentos da terra. Exerci o meu império sobre todos os povos e nações......................... Antes de todos os séculos, desde o princípio ele me criou, e até a eternidade não cessarei de existir. Exerci o ministério diante dele, no santo tabernáculo, e foi assim que tive uma morada firme em Sião. Repousei na cidade que ele ama tanto quanto a mim, e em Jerusalém exerci o meu poder......"

Ai gostaríamos apenas de validar Sofia, mas para o presente objetivo de desmistificar a idéia machista propomos uma integração da própria Assumptio Mariae que foi excluída principalmente pelos protestantes. O dogma da Assumptio Mariae (assunção de Maria, rainha do céu) revela que ela se uniu ao Filho como esposa e à divindade como Sofia, na câmara nupcial do céu. Citamos agora o papa:

“Constitutio Apostólica”Munificentissimus Deus", em Acta Apostolicae Sedis. Commentarium Officiale, 1950, 21: Oportebat Sponsam, quam Pater desponsaverat, in thalamis coelestibus habitare" (convinha que a Esposa que o pai desposara habitasse os tálamos celestes).

Toquemos agora, no ponto essencial da lei e da consciência reflexiva, ou seja, saber o que se faz, talvez esta seja a lei máxima, ter consciência do que fez, do que sente, dos sentimentos que brotam do inconsciente, dos complexos que formamos ao longo da existência. Já dizia Cristo sobre o assunto: "Se sabes o que fazes, és feliz, mas se não sabes, és um maldito e transgressor da lei". Nesta própria frase podemos ver o paradoxo de Cristo, ou ao menos, o paradoxo da visão criada pela igreja do mito de Cristo, mas muito pelo contrário desta raiva ou sentimento de Cristo parecer prejudicial são passagens como esta que demonstram que a ausência do Summum Bonum, tanto em Cristo, como em Deus (ai deveríamos ver toda passagem de Jó e também, todos os fatos empíricos).

Continuando o assunto, agora com João Batista, temos extraída de um manuscrito Cóptico intitulado "Evangelho de Maria", apócrifo, desde 1896 no Museu de Berlim. Depois de haver explicado vários pontos de sua doutrina, ele se despede de seus discípulos:
"... Quando o abençoado havia dito isto, ele os saldou a todos, dizendo: ‘A paz seja convosco. Recebei minha paz para vós mesmos. Cuidai-vos de que nenhum vos desvie com as palavras ‘Olha ali’, ou ‘Olha lá’, pois o Filho do Homem está dentro de vós. Segui-o: aqueles que o buscam o encontrarão. Ide pois, e pregai a Boa Nova do Reino. Eu não vos deixo nenhuma regra, e eu não vos dei nenhuma lei, qual fez o legislador (Moisés) para evitar que vos sentísseis obrigados por ela.’ E quando acabou de dizer isto, ele foi embora." Gnosticism, An Anthology, ed. Robert M. Grant, Collins, London, pp. 65—66, "The Gospel of Mary").

Apenas nos falta aqui, decorrer sobre a pretenção dos conceitos usados pela teologia muitas vezes do summum bonum e do privatio boni. Ora, se Deus é o sumo bem, como se justifica toda passagem de Jó e todas as atrocidades práticadas por Javé? O próprio unilateralismo só pode gerar um elemento em lado oposto de igual intensidade como foi o caso de Cristo e o Anti-Cristo que aparece no apocalypse de João. Se consideramos Deus o sumo bem portanto não pode haver o complexio oppositorum (união dos opostos) do próprio Deus, resultando na falta de moral que vimos em Jó e acima de tudo numa negação do principio de individuação.

Chegariamos a tese do "omne bonum a Deo, omne malum ab homine"¹ o que não parece haver justificação no que cabe tanto ao antigo testamento tanto quanto as tentativas de situar Jesus no novo testamento como redentor dos pecados da humanidade, o filho de Deus que salvaria a humanidade do próprio Deus? Bem, seria mais facil então ele ter nos perdoado... ao invés de sacrificar seu filho (filius sapientae) para tal... se quiserem depois refletimos sobre isto, mas o ponto é que não se pode negar o terror de Deus, melhor será portanto, descrever nas próprias palavras Dele ao falar com Jó:

"Queres tu aniquilar minha justiça, condenar-me, para assegurares o teu direito? Tens um braço semelhante ao de Deus? Tens uma voz trovejante como a dele?" Jó 40,3s

o Ruah Eloim agora esta dentro de vós, sois deuses.... sois deuses...

¹- Todo bem vem de Deus, todo mal deriva do homem

domingo, julho 31, 2005

Discurso e Sexualidade

Uma mudança brusca ocorreu em nossa sociedade e em nosso atavismo dogmatico é díficil percebe-la. Essa mudança se torna manifesta e é a mudança nos mecanismo do poder; continuamos ainda numa compreensão binária de governantes e governados, repressores e reprimidos como tudo viesse de um único, central, hegemonico e estático poder ideologico. Na sexualidade não é diferente, as compreensões psicanalíticas Freudianas e Reichianas permanecem até os tempos de hoje com a compreensão de que, a burguesia ou a sociedade reprime os indivíduos e estes recalcam seu desejo.

O que acontece é justamente o oposto, a burguesia tem incitado o discurso sobre a sexualidade apartir do seculo XVII e justamente é neste incitamento, que, ela estabeleceu seu novo mecanismo de controle. A troca entre burguesia e aristocracia foi paulatina e de ruptura ao mesmo tempo, como em toda revolução; a burguesia trocou o sangue e a genealogia dos indivíduos (o que tornava a casta nobre) pelo poder da norma. Isso se deu numa lenta diminuição do poder jurídico. A aristocracia que detinha o poder sobre a morte do indivíduo passou para a burguesia que quis controlar a vida dos mesmos. Ao invés de matar o poder de normalizar, dominar. Ja dizia Foucault "Quanto a nós, estamos em uma sociedade do 'sexo', ou melhor, 'de sexualidade': os mecanismos de poder se dirigem ao corpo, a vida, ao que a faz proliferar, ao que reforça a espécie, seu vigor, sua capacidade de dominar, ou sua aptidão para ser utilizada. Saúde, progenitura, raça, futuro da espécie, vitalidade do corpo social, o poder fala da sexualidade e para a sexualidade; quanto a esta, não é marca ou símbolo, é objeto e alvo." A tão procurada e temida, sexualidade.

Apartir dai se insere um dominio dos discursos, a classificação e rotulação frequente. A criação de sub-grupos no dominio da sexualidade. Isto não foi calcado sob o egide de um discurso único, mas de diversos saberes-poderes que se interagem para criar uma teoria da sexualidade, os saberes-poderes que são justamente o poder de saber, a verdade do sexo. Nisto podemos ter uma união de ciências distintas como demografia, medicina, psiquiatria, psicologia, entre outras com saberes que, ora se integram, ora são antagonicos entre si e sempre são dinamicos.

Obviamente a troca da enfase na norma ao invés do poder juridico não foi absoluta e o poder juridico permanece forte contra os que ainda fogem ao poder das normas. A repressão e o recalque continuam existindo mas também podemos considerar que não são mais a enfase dos mecanismos de controles.

Um dos mecanismos utilizados nas normas é a hierarquização dos saberes-poderes, trabalhando com o dito, o não dito e o interdito. Hoje existem locais apropriados, maneiras apropriadas, modelos apropriados de conduta para cada momento situação. Por exemplo, quando falamos de homosexualismo temos que dize-lo de modo pejorativo e como comédia, em forma de pequenas piadas; quando falamos de sexo existe local apropriado para dize-lo e isto se modifica de acordo com genero e idade.

Marques de Sade foi um dos divisores de àguas entre poder da soberania, da força, do sangue e o poder da sexualidade. Uma sexualidade em Sade sem norma ou um sangue sexuado. Após vieram Charcot que trouxe o discurso sobre a histeria, Freud sobre a sexualidade infantil, os Eugenistas e depois a psicopatologia o discurso sobre as "patologias sexuais" e assim cada vez mais o discurso sobre a sexualidade foi se proliferando e criando a normalidade sexual, a sexualidade burguesa, enquanto o "proletariado" permaneceu "sem uma sexualidade" até serem inseridos discursos sobre o mesmo; os discursos de controle (natalidade pela demografia, bio-loucura ou bio-patologia pela psiquiatria e medicina) e o discurso de incitação de uma sexualidade libertadora com Wilhelm Reich, porém Reich também incutiu numa normalização sexual, no seu livro Análise do Caráter ele faz divisões bem rígidas entre diversas patologias sexuais, inclusiva na impossibilidade de orgasmo e livre fluxo de orgone (ou libido) de "neuroticos-compulsivos, histéricos, sadomasoquistas, fálico-narcisistas, entre estes pessoas com energia voltada para zonas erogenas". Reich, portanto, fez a sua crítica histórico-política dentro dos mecanismos de sexualidade, foi segundo Foucault uma "reversão tática no grande dispositivo da sexualidade. "

Os modos de sexualidade então são inseridos em nossos corpos onde existimos de acordo com nossa sexualidade. A analítica de dominação e controle. Surgem esteriótipos de cada modelo de sexualidade, o machão, o viadinho, o enrustido, a lesbica, o libertino, etc... Inclusive, foi apartir desta inserção nos corpos que foram "legitimados" vários modelos de sexualidade (dentro da hierarquia) como o homosexual que só se constituiu como homosexual quando inserido no próprio corpo a marca de sua sexualidade. Não que, antes não existissem homosexuais, tanto existiam como poderiam em algumas épocas ser até queimados vivos. Todavia não existia uma nítida distinção tanto de conduta, persona, ou algo flagrante entre um homosexual e um heterosexual e a jurisdição era algo raro neste aspecto.

Deveriamos também aqui, fazer uma distinção entre as teorias da sexualidade ocidentais e as orientais, entre a scientia sexualis e ars erótica. A ars erótica procura o prazer do sexo, "Na arte erótica, a verdade é extraída do próprio prazer, encarado como prática e recolhido como experiência; não é por referência a uma lei absoluta do permitido e proibido, nem a um critério de utilidade, que o prazer é levado em consideração, mas, ao contrário, em relação a si mesmo..". E, enquanto a ars erótica oriental se torna a episteme do prazer, nossa ocidental scientia sexualis procura a verdade do sexo em sua confissão, procura sua patologias, sua analítica, procura dominar a sexualidade em todo dominio que ela esteja, até o mais obscuro. É justamente ai que encontramos o prazer do poder; na própria procura da verdade, no próprio dominio, ou seja, no proprio saber. Exatamente por isso, desde o incio do texto usamos a palavra saber vinculada ao poder; saber-poder.