domingo, março 27, 2005

Um dia a gente olha,
E se vê perdido
onde estou?
pra onde vou?
a vida nos parece mesmo assim,
sem sentido

um arco iris negro,
um futuro desperço
nas sombras da fumaça

e todas as lembranças
parecem tão repetidas
um olhar pro monitor,
o computador ligado
um vinho vazio
tudo se torna objeto
tudo se torna indijesto

A esperança se apaga
a gente joga a gimba fora

Uma hora a gente aceita
que a vida é mesmo assim
trabalha, come, deita
e resolve não pensar
divagar é se masturbar

viciados em viver,
uma vida não vivida
as possibilidades se esvaem
e a gente se torna
escravos,
de nos mesmos
de nosso tempo
de nosso medo
de nossa vida

aceitamos ser mais um robo
pra viver mecanizados
a gente ora
a gente cre
a gente reza
a gente vê
mais que depressa
a vida foi-se
mais uma reza
que não concretizou-se

sexta-feira, março 25, 2005

CAMPANHA: O MUNDO É DAS CRIANÇAS!!!

Estamos nessa jornada a quase 8 anos querendo garantir a proibição de pessoas de mais de 9 anos possam exercer qualquer cargo político e/ou cargos que exerçam poder institucional sobre a sociedade. A operação O Mundo é das Crianças acredita que Adultos ou Adolescente são pessoas que não estão aptas a gerirem ou utilizarem-se de autoritarismo ou autoridade para com os demais membros da sociedade e muito menos criarem a infraestrutura e superestrutura da mesma.

Entendemos, portanto, que as crianças, por serem ainda não dominadas por padrões rigidos ou mecanicos de comportamento, podem e deveriam ter o controle sobre essas estruturas e organizações sociais. A felicidade, o ludismo, a sinceridade, as pequenas brigas e a ingenuidade, portanto, deveriam governar a sociedade, mesmo porque, talvez sejam as formas primárias de conducta humana.

O MUNDO É DAS CRIANÇAS!!!!

quarta-feira, março 23, 2005

Divagações entre sinteses e antíteses.

O encontro entre a ordem, a harmonia, a lógica, a causalidade e o imprevisível, o sexual, o instintual na antiga Grécia antiga se davam no encontro entre a arte e a não-arte, a primeira representada por Apolo, deus da beleza (beleza entendida como os pontos acima mencionados) e Dionisio deus do vinho, do sexual, da falta de consciência, do brutal, do indominável. Era nesse encontro que se realizava a tragédia Grega que depois foi negada por Sócrates e Platão como um espetáculo não racional, logo, sem sentido.

Essa negação representa muito bem o que os filósofos supracitados desejavam, o encontro ao belo em si, ao real, a verdade, ao bom, o que levou a unilateralidade da procura do bem no Cristianismo (platonismo do povo nas palavras de Nietzsche) como ja foi dito em outros posts, apenas para sustentar o argumento re-lembro Santo Augustinho, que como Sócrates e Platão, diziam que o mal não existe per si e sim como ausência de bem (privatio boni).

Nietzsche ( 1844-1900 ) muito falava sobre a tragédia Grega –e sobre o período helênico-, porém criticando esse "principais" pensadores Gregos. Todavia, nem todos estavam em sua lista de fogo¹, um ótimo exemplo seria o próprio Heraclito (filosofo original ou pré-sócratico) que influenciou bastante o próprio Nietzsche com sua idéia de Devir e talvez mesmo na idéia dos opostos.

O filosofo Soren Kiekgaard (1813-1855) ja falava de três fases distintas da existência, a fase estética, a fase ética e a fase religiosa e uma pessoa só mudaria de uma "fase" para outra através de um salto, de uma de-cisão, um acarretar-se com sua responsabilidade, ou seja, caminharia para sua liberdade a qual só poderia ser alcançada na fase religiosa. A fase estética é a qual Nietzsche considerou sendo a única realidade, ja que havia a impossibilidade de se chegar a verdade e está servia de argumento para tornar o homem um ser submisso e em negação ao que ele chamou de Vontade de Potência.

A fase estética serviu para os propósitos de Nietzsche que desejava ser uma antítese do paradigma racionalista e domesticador de sua época, diria-se de uma intenção Apolinea, negando a natureza caótica, não linear e não possível de ser comensurada em modelos meta físicos. A fase estética de Kiekgaard (diferente da de Nietzsche porém com vários paralelos, ex: a não aceitação das normas sociais) ao qual o próprio Kiekgaard passou era uma fase onde só se buscava o belo, as mulheres, etc.. Todo relacionamento era apenas em busca ao sexo e quando conseguia-se o objetivo deixava-se a mulher só e chegava-se a dizer com a mulher aos prantos: "isto foi para seu bem, assim aprendes um pouco mais de teus sentimentos." Aqui também podemos notar a idéia de que a dor gera força e o mal é também bem.

A fase ética ja seriam uma inter-relação externo-interno superando o "teatro" (termo que o próprio Kiekgaard usa) da fase estética –totalmente voltado ao externo-, na fase ética se reconheceriam as normas sociais, poderia-se ter uma família, um emprego, e o indivíduo começa a se conhecer subjetivamente porém na procura por ser si próprio quer se considerar totalmente independente do "criador", talvez seria algo como Lucifer –a criação que enfrenta o criador- ou pode-se ignorar totalmente esses assuntos nessa fase.

A fase final é a fase da síntese, é a fase onde o ser ultrapassa as regras morais. Supera, por aceitar, a dualidade inerente ao ser humano que é ao mesmo tempo finito e infinito, criador e criatura, eterno e temporal, possibilidade e necessidade. Essa síntese relembra bastante o modelo Junguiano de processo de individuação ao qual o indivíduo ruma ao seu self ingrando conteúdos simbolicos e opostos, ou seja, como em Kiekgaard, faz isso através de sinteses.

Para Kiekgaard ai há um salto qualitativo imenso, em direção a fé. Fé para Kiekgaard seria aceitar incondicionalmente as vontades de deus, poderíamos dar o exemplo no Cristianismo de Jó, que foi testado de todas as formas pelo Capeta e obrigado a sacrificar seu filho Abraão em nome de Deus e pelo próprio Deus numa brincadeira com o Diabo. Ou seja, Jó quando ouviu Deus aceitou enfrentar todas as regras, morais, imposições religiosas, ouvindo o que Deus lhe dizia, ele foi em frente apesar de questionar várias vezes o próprio Deus (aqui Deus mostrada sua "outra face").

Cabe aqui pensarmos sobre que deus Kiekgaard falava, em sua época Kiekgaard por sorte não foi morto –apesar de muitos quererem faze-lo- pois sua concepção de deus era um ser imaterial ao qual nós seriamos uma parte deste "ser imensurável, incomunicável"...ai lembremos do deus Hindu que seria incomunicável, imensurável e Vishnu criador de todas as coisas, seria sua manifestação direta e criador de todos os outros deuses, inclusive de Shiva. Esse deus acabou por se transformar em nossa Vontade de Aliester Crowley, de Schopenhauer, o Nada de Satre, etc...

Este deus se transformou em nossa vontade pois a idéia seria que nos somos fragmentos de deus portanto nossa força interna e vontade interna seriam "vontades divinas", o nosso rumo ao interno seria nosso rumo não só ao encontro de nós mesmos mas também no encontro do criador.

As Vontades (que não são apenas meros desejos ou vontade de) se transformaram então em noções internas, Jung com seu modelo de Self "entenderá" que esse ser de Vontade é um ser de totalidade como Kiekgaard, porém, sua no Self a totalidade não é interna e sim interna e externa. O homem deve aceitar o que o seu si-mesmo ou self "diz" para seu ego, deve compreender a sua "sombra" e a sua "luz" para ultrapassar como na tragédia Grega o simples Dionisíaco ou Apolíneo. Para Jung, o homem deve escutar essas mensagem de si, observar os símbolos que brotam em sua existência, sejam eles manifestos no sonho, na cidade, no campo, no outro, etc..

A origem etimológica da palavra Símbolo é Sym + Balein, sym significa amalgamar e Bailen que significa em rumo á, uma meta. Os Chineses utilizavam a palavra symbailen para significar a união dos dois lados opostos de uma mesma moeda. Do mesmo modo então as sínteses Kiekgaard estarão presentes em Jung, apesar dos diferentes modos, essa questão das sínteses como "evolução" na vida do sujeito re-lembrará Hegel e sua idéia de que toda tese gera uma antítese que gerará sua superação, no caso, uma síntese. Isso mostra o caráter teleológico da teoria Junguiana e do Existencialismo enquanto a vida sendo meta há. Como diriam Niels Bohr e nosso amigo Kiekgaard:

"O sentido da vida consiste em que não tem nenhum sentido dizer que a vida não tem sentido." - Niels Bohr (1885-1962)

"A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas deve ser vivida olhando-se para a frente." - Kiekgaard

¹ - Aqui a ironia sobre a cosmogonia de Heraclito que se derivava do fogo.

Referências :

Curso de filosofia : Cap 11e 12
Apostila de Epistemologia, Elizabeth C. Melo

Que ajudaram por leituras anteriores :

O homem e seus símbolos, C.G.Jung
Os Pensadores, Platão
Fundamentos da Psicologia Analítica, C.G.Jung
Revista viver mente e cérebro: memórias da psicanalise ed.2
Além do bem e do mal, Nietzsche

Acho que é isso, falowz coleguinhas!
escrito em um momento de tristeza:

"A felicidade é uma fração mal educada,
aparece sem ser chamada,
vai sem se despedir;
Quando você a procura
Ela ja não está mais ali."

sábado, março 19, 2005

All Hail Hanuman! http://www.geocities.com/jobaga98/
All Hail Hanuman!
All Hail Hanuman!

quarta-feira, março 16, 2005

Post dedicado a dedicação do dedicado (em outras palavras, para Lidi)

Por todo caminho nesse mundo existem muitos espinhos e muitas vezes eles nos tornam mais resistentes, nossa pele mais grossa, apesar de continuar sentido as dores. Chegamos até mesmo a nos tornarmos mais preparados para como a vida nos aflinge. Pelo caminho da vida, do crescimento, do rumo ao si-mesmo, encontramos tanto essas adversidades -que tem seu valor-, como coisas maravilhosas. Em meu rumo não foi diferente e talvez por isso eu permaneça de pé.

Eu continuo provando o vinagre e o vinho, a ultima poesia expos grandes problemas as quais eu passei durante minha adolescencia mas a vida não é so feita de tentaculos mas também de flores, cores vivas e principalmente amor. Quando nosso coração manda não há nada nesse mundo que possa dete-lo, porque afinal, o que é um amor senão um arquétipo? Não existe uma possibilidade de compreendermos ele por nenhum modelo biologico, físico, quimico.... o amor é, o amor está sendo, o amor pode vir-a-ser. E este que está-sendo, surgiu em minha vida ha três meses e chama-se Lidiane. É incrivel como uma vida pode ser colorida, re-pintada, e todo aquele seu lado racional se esvai para dar lado a emoção, ao incontrolavel, ao imprevisivel. E quanto medo isso não nos tras? Mas o medo da lugar a felicidade e o momento então se eterniza, o amor modifica tudo, o tempo, o espaço, ultrapassa as leis da física e da quimica, o eterno é uma fração, dois seres são apenas um, duas moleculas ocupam o mesmo lugar no espaço, dois corações batem no mesmo peito.

Imagine-se na situação... (VISUALIZE)

"Tu es uma pequena formiga perante um gigantesco templo, com torres de marfim, toda arquitetura é feita de modo circular, tapetes perças, orquideas, rosas por todos os lados enquanto diversas pessoas dançam e meditam com trajes de tecido fino, fresco, altamente colorido. Estas a andar, a passos curtos mesmo porque maiores não poderias dar, dado o teu tamanho. Olhas de tão baixo e começas a analisar as pessoas e o templo, sente que és um grande analista mas quão tendenciosa não seria a visão de um angulo tão superficial para ditar verdades, também sabendo que há outro agravante para tua análise, tu só vees cores em preto e branco. Quando aceitas de fato o fato da vida, o amor, a alegria que existe mesmo na dor, elevaste-te a tão alto que agora podes ver o sol nascente, brilhando em teus raios dourados. Vees finalmente o rio que reflete os raios do sol, fluindo com a beleza que dele é natural. Tu és agora um Rei ou uma Rainha, não para comandar mas tens a capacidade de criar teus próprios valores, tua propria ciência, teus próprios amores, criar e colorir tua essencia, tua vida, és demasiadamente grande, demasiadamente mágico. Teu tempo é kaiorotico, e seu amor agora teu guia."

Lidi, obrigado por trazer pra mim o antidoto da felicidade, a formula do crescimento, o encanto de teus beijos, teus sonhos e teus desejos. Obrigado por existir-comigo nesse encanto de vida.

Te Amo.

Poe try

Por que ainda as lagoas da humanidade?
geradas por sangue e dor
por fim o grito agudo,
que reza de tanta dor
desumano!

Por que ainda os prazeres escopocentricos?
que discriminam a beleza,
por quão mais perto da baixeza
de ser o não-ser robotico

cegos,
etnocentricos e escatologicos
de fundo morbidos e sensuais
teus prazeres escondidos,
são os queridos prazeres anais

e no fundo do mais negro buraco
esta escondido o mais obscuro fardo
que deves carregar,
tua crença de ser inferior
é descontada então na dor
de um sujeito fraco e magro
que estas a ridicularizar

em mais um dia separados
pelas terras, por entre os lagos
meu desejo por ir-ser o mar
é perdido novamente
passa pelas mãos,
por entre os dedos,
por entre os entes
desta vida melancolica

quarta-feira, março 09, 2005

Era uma vez um jovem, potencialmente um criminoso, potencialmente um burgues, potencialmente um playboy, potencilamente qualquer bosta, afinal, a potencia era ele proprio que criava. Esse jovem pertencia a uma familia classe media, possuia um computador, uma guitarra, muitos livros, possuia muitas coisas, ou talvez, muitas coisas possuisem ele.
Seu maior sonho era abandonar tudo isso, toda aquela vida no meio da cidade grande, largar todo grande numero de responsabilidades que lhe sugavam a vida e que lhe levavam a um destino previamente conhecido, previamente estruturado pela "autonomia do dominio" ou pelo seu proprio medo, suas possibilidades e sua escolha, sua liberdade de consistia em responder se o que queria era A ou B.
- MAIS QUE MERDA! EU NÃO QUERO A OU B, EU QUERO SER A, B, C, D, E, F, G e muito mais, eu quero ser o infinito eu QUERO CORAGEM PARA LEVAR MEU SONHO PRA FRENTE.
A vida funciona como ondas, energias ondulantes, as quais tudo que se faz demais um dia será apensas requicio, e se nada for feito esse desejo se tornará necessidade ou neurose, na nossa vida precisamos viver as coisas mesmo que isso signifique que essas coisas acabarão, diminuirão a necessidade de seu desejo que ira para outro lugar e para outro e voltará ao mesmo e irá para outro e assim é o Devir da vida.
- Um dia eu morarei em um campo, numa comunidade, num sitio, num lugar que chamarei de meu, num lugar que chamarei de nosso e neste lugar a natureza falará comigo e eu com ela...
Mas esse jovem temia e temia, seu medo lhe impedia de tomar uma atitude radical e tomar a frente seu destino, sua autonomia. Precisava desse sonho! Precisava que o vazio fosse expulso, precisava de uma meta, precisava existir!
- Eu não quero um futuro ficticio e nem quero que me deem ordens, eu não quero ser super-heroi, eu não quero ser salvador, eu não quero ser dominador, eu não quero ser dominado, quero viver, quero sorrir, quero partir pra um lugar e criar o que desejo, porque o desejo, ora o desejo, ele move fronteiras, barreiras, e derruba a realidade a golpes de marreta.
Se um dia o sonho desse rapaz se tornar realidade, reza a lenda que todo universo se metamorfoseará em um lindo arco-iris, onde o pote de ouro cairá dos céus e as aguas serão pra todos.

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Kairós e Tempo Mítico

Revista Viver Mente e Cérebro : Coleção memórias da psicanalise - Jung
(pg.35)

Kairós e o Tempo Místico

Jung refere-se a um tempo mítico, ligado à maneira de pensar dos gregos e a seu universo de discurso. Os gregos tinham duas palavras para se referir ao tempo: chronos e kairós. Segundo a mitologia helênica, o titã Chronos devorava os seus filhos. A cronologia é, então, uma sequência de instantes homogêneos, que se sucedem ininterruptamente, como o tique-taque de um relógio. Mas os gregos também referiam-se ao Kairós: o tempo kairótico não mais é pensado como homogêneo, mas a ênfase é na diferença,a na ruptura, na des-continuidade. Vivenciar um tempo kairótico é vivenciar acontecimentos que cortam a sucessão temporal e, com isso, marcam uma significativa diferença entre o quem vem antes e o que vem depois. Os que habitam o tempo kairótico não podem determinar antecipadamente o tempo certo para então agir. Eles aguardam um futuro desconhecido e se preparam para responder. A resposta, aliás, é vital, já que no tempo kairótico o presente não está predeterminado e plenamente formado; antes, o presente é oportunidade e desafio: é um tempo aberto para o novo.

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Como Manipular o Seu Patrão?

Hoje falaremos sobre o querido e gostoso B.F.Skinner criador do Behaviorismo radical, behavior vem do inglês e significa comportamento, portanto Skinner é criador da corrente psicologica Comportamentalista que se "baseia na premissa" que o ser humano é total produto de estimulos, respostas, modelamentos, reforços condicionados e incondicionados, condicionamentos e de seu lado fisiologico e genético. Bem, isso que eu disse é o que sempre se escuta mas também não é bem assim... o Comportamentalismo não estuda o subjetivo por entender que seria isto anti-ciêntifico pois o inconsciênte ou a consciência não são passiveis de serem observados empiricamente mas existem comportamentalistas que creem existir o subjetivo apesar de não trabalharem com ele. (inclusive muitos comportamentalistas trabalham com a para-psicologia e dizem ser o pensamento um produto externo e não interno, ex de "pensamento externo" - telekiness)

Skinner entre muitas coisas divertidas chegou a condicionar pombos para guiar misseis para alvos determinados e chegou a ser tão extremo que colocou sua filha em um aparato criado por ele que chamou de Caixa de Skinner. A caixa de Skinner seria uma "gaiola" onde não haveria possibilidade de estimulos que não podessem ser controlados entrarem em contato com o respondente, no caso, sua própria filha. Diz ele que sua filha se tornou extremamente saúdavel (coitada..).

Que Skinner é a base de toda propaganda, meios de manipulação, isso é certo... mas como poderemos usar Skinner a nosso favor? Foi pensando nisso que começei a escrever esse compêndio :

COMO MANIPULAR O SEU PATRÃO?

Para começar é importante que as pessoas conheçam os principais "conceitos" da teória comportamental para que possamos juntos criar situações e comportamentos atrativos para se "brincar" com seu patrão. Vamos portanto a esses conceitos....

Condicionamento - é de praxe ja do leitor (se é que existe algum) que o comportamentalismo trabalha apenas com comportamentos e não com estados internos...o condicionamento pode ser dividido aqui em duas partes, Condionamentos Operantes (trabalhados mais por Skinner) e o Condionamento Classico (trabalhado por Pavlov).

Condicionamento Classico - O condionamento classico consiste em tornar um estimulo neutro em um estimulo condicionado com o uso de um reforço positivo (que aumentara a probabilidade do comportamento desejado). Vamos ao exemplo para clariar as vistas: Temos o exemplo classico do cão de Pavlov, Pavlov observou que sempre quando mostrada uma carne para o cão ele produzia a Resposta de Salivar (ao ver o estimulo carne). Salivar é uma reposta incondicionada (no caso resposta fisiologica) ao ver o estimulo carne. Bem, agora Pavlov antes do cão ver a carne tocava uma campainha (estimulo neutro), com o tempo o cão não mais precisava ver a carne para produzir a Reposta Salivação, quando a campainha tocava o cão ja produzia a Resposta. Neste caso a Carne serviu de elemento reforçador positivo aumentando a probabilidade do comportamento salivar.

Apesar desse condicionamento ser mais simples e ser mais estrito a estimulos incondionados primeiramente ele também pode ser utilizado de alguma forma trabalhando-se com váriaveis como a privação de dormir do patrão, a privação de comida, temos que pensar juntos aqui, mas os memes ja foram dados. Aqui agora vai o primeiro exemplo de condionamento classico para usar em seu trabalho: Toda vez que seu patrão liberar vocês mais cedo produza um estimulo neutro, exemplo: toda vez que ele liberar você mais cedo você toca alguma musica, canta ou sei la, faz alguma coisa que seja um estimulo neutro e se repita facilmente..... Com o tempo, poderá ser que a simples musica aumente a probabilidade de libera-los mais cedo...claro que isso não é o ideal, o ideal seria que você conhecesse o que leva ele a libera-los mais cedo para que ai sim possa ter um controle "total" sobre o comportamento do patrão estimulando a resposta liberar mais cedo.

Condicionamento Operante - Skinner então observou que nem todo comportamento se ajustava ao paradigma do condicionamento classico como pintar um quadro, ou sei la ver tv, mecher num computador. A frequência da resposta do comportamento respondente (o que o diferencia ja do condicionamento classico) é que a frequência de respostas muda de acordo com o reforço utilizado. O comportamento operante não necessita de um estimulo eliciador (ex: a carne que era um estimulo incondicionado quando o cachorro estava privado de comida), contúdo o condicionamento operante precisa da manutenção do reforço para manter o comportamento desejado no caso o do patrão. (Ex: uma criança pede balas a você, você as da sempre e reforça positivamente a reposta pedir balas, caso você pare de dar as balas o comportamento pedir balas será extinto)

Quando você estiver manipulando seu patrão de que modo você pode querer que o comportamento dele não se extinga sem você continuar dando reforços para ele continuamente?
Ai cabe conhecer os tipos de reforço que você pode oferecer a ele...

Reforço - O reforço no condicionamento operante esta relacionado a Reposta, ou seja, ele deve ser usado depois da mesma para manutenção da Resposta, no caso, da manipulação. O reforço positivo no caso será algo que aumentará a probabilidade do comportamento desejado se repetir, ex: Seu patrão gosta de mulher, você faz alguma coisa para produzir a Reposta "liberar os funcionarios antes da hora" (ou algo acontece para tal), após ele liberar os funcionarios você chama uma amiga sua que estava afim dele, logo você reforçou o comportamento liberar os funcionarios caso ele goste de sua amiga (não que isso seja humano com sua amiga, foi um péssimo exemplo mas creio ter servido para explicar..).

Reforço de Intervalo - É um reforço com funcionará em tempos fixos, exemplo : um empregado ganha seu salario de 1 em 1 mês, e assim é reforçado seu comportamento trabalhar periodicamente.
O reforço de intervalo também pode operar com intervalos variáveis e nesse caso a extinção do comportamento demorará mais tempo para se efetuar do que utilizando um reforço de intervalo continuo.

Reforço de Razão - Não existe relação temporal, apenas se relaciona com a Reposta. Nos reforços de razão a extinção é ainda mais lenta do que os reforços de intervalo.
Reforço de Razão Fixa - Ex: A cada 10 ou 20 respostas que você deseja você da um reforço
Reforço de Razão Variavel - bem, acho que o nome ja diz tudo... varia o numero de respostas produzidas para você dar um reforço, esse tipo de reforço é um dos que mais demoram a extinção.

Bem, cabei por aqui por enquanto...vou pensar agora que a teória de Comportamento e Reforço foi simplificadamente passada para poderem criar modos de manipular os patrões em minhas idéias de como possibilitar essa manipulação, alguns memes ja foram passados durante o texto...é so pensar e botar lenha na brasa. Se alguém pensar em algo me manda porque ai posso botar aqui no blog para as pessoas poderem botar em prática.




Bem, enquanto conversava com um amigo, veio uma outra idéia sobre condicionamento que gostaria de expor aqui :

COMO DEIXAR UMA PESSOA BEBADA SEM BEBER E CHAPADA SEM FUMAR: (cond.classico)

Vamos usar o exemplo do fumo: o desejo de fumar ja deve ser condicionado pela prazer que segue o fumo, então temos que fumar é EC (estimulo condicionado). A Resposta a fumar é ficar chapado, logo RC (resposta condicionada = chapar).

Agora vamos ao condicionamento : Antes da pessoa fumar você coloca uma musica (repita sempre a mesma) , a musica é um EN (estimulo neutro), logo segue a cadeia EN - EC - RC, com o tempo a pessoa o EN se ligará imediatamente com a Resposta condicionada (chapar) e não haverá necessidade de sempre haver o elemento "cigarro" para eliciar a Resposta Condicionada, em outra palavras, ao ligar a musica a pessoa ficará chapada.

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Verdades.

É frequente em nossa história, a procura pela verdade, pelo belo, pelo real em si. Essa busca se deu por exemplo entre Religiosos, entre Filosofos, entre Cientistas e entre diversos outros paradigmas epistemologicos.

Platão e Sócrates por exemplo diziam que nada se aprende no mundo físico, sobre o real, tudo se recorda. Isto porque a realidade imediata experimentada pelos sentidos é sempre uma mentira (ausência de verdade, Privatio Boni) enquanto não formos capazes de filosofar e recordar a verdade - o belo em si, Summum Bonum- conhecida por nossa alma que esteve no Hades¹ e conhece este real. O corpo, portador dos sentidos, seria o grande Belzebu para Socrates na procura do encontro com a verdade e esta só seria recordada caso o indivíduo entrasse "dentro de si" e ignora-se os sentimentos, as paixões, as riquezas, em suma, o corpo e o mundo material. Dai se provém a distinção entre o mundo da matéria, mundo dos sentidos e o mundo das idéias com seus arquétipos do Hades (o mundo real, dos deuses).

Muitos se enganariam caso achassem que esta doutrina se perdeu por la, ela foi grande influenciadora da filosofia Cristã e do pós-Cristianismo (ex: Gnosticos), inclusive para quem conhece ja algumas idéias Gnosticas irá se deparar com a grande semelhança entre estado de Sistase e a prisão dos sentidos de Sócrates. O estado de sistase para os Gnosticos se trataria de uma prisão criada por Demiurgo - criador do mundo material -, e esta prisão seria mantida por seus "demonios" chamados arcontes, os arcontes se encarregariam de prender os âtmas, particulas divinas e o próprio ser humano que também estaria nessa prisão.

Até aqui tudo inter-ligado mas isso não basta, vamos a ciência... A ciência sempre buscou a verdade per si, basta ver a pretenção da maioria dos cientistas de serem imparciais, mas a pergunta a ser feita é: é possivel algum tipo de imparcialidade enquanto estamos "presos" a nossa consciência? A micro-física moderna diz que não, ao se deparar com as particulas sub-atomicas, os quartz, os leptons, etc... observa finalmente que por trás do nosso ordenado universo - ordenação da matéria -, da nossa causalidade, e pretenso determinismo existe um mundo indeterminado, um mundo acausal onde não é possivel sequer delimintar algum movimento linear, quanto mais procuramos determinar a posição de uma particula menos sabemos quanto a sua velocidade e quanto mais procuramos determinar sua velocidade menos sabemos acerca de sua posição.

O mundo da física demonstra o caos por trás de nossas percepções, e em alguns pontos entra em conformidade com a fenomenologia, que é uma superação filosofica do realismo e do idealismo. O realismo supõe que a realidade seja tal qual a vemos, ou seja, se vemos uma parede ela é real, se tocamos num pão ele é real.... o Idealismo pelo contrário diria: nada é real, toda realidade esta em nossa mente, sem nossa percepção não existem as cores, o cheiro, etc... ou seja, tudo esta em nossa cabeça. A fenomenologia vem ultrapassar esses paradigmas epistemologicos dizendo que o real per si é impossível de ser alcançado e a realidade a qual presenciamos não é o real da mente ou do mundo externo e sim uma interação entre ambos, por exemplo: Cai um coco de uma arvore, caso não haja observadores não haverá som, apenas particulas em onda que não encontrarão receptáculo. Se não há observador sequer podemos dizer que a árvore existe, ela apenas existe como possibilidade, ou seja, ela é uma virtualidade que se tornará real após a percepção de alguém de que lá ela está.

Agora ja passamos pelas pontes e fizemos razoavelmente uma linha, a procura pelo real até a impossibilidade de chegar ao real, contúdo mesmo assim vimos que existe uma possibilidade deste real existir, isto não é negado... o que parece terminar é a busca pelo belo em si, pelo bom em si que ja são outros conceitos - porém também ligados a verdade -. Sobre esses conceitos gostaria de lembrar Santo Augustinho :

"todas as coisas são boas porque umas são melhores do que as outras e a qualidade das coisas menos boas faz crescer o valor das boas... Mas aquelas que chamamos más, são falhas da natureza das coisas boas e nunca podem existir absolutamente por si mesmas, fora das coisas boas... Mas até mesmo estas falhas testemunham a bondade da natureza dos seres, Com efeito, o que é mau por alguma falha essencial, é verdadeiramente bom por natureza. A falha essencial, com efeito, é algo contra a natureza, porque prejudica a natureza. E não poderia prejudicar, senão por diminuição de sua bondade. Por conseguinte, o mal nada mais é do que a ausência do bem. E por essa razão só se encontra em alguma coisa boa. E é por isso que as coisas boas podem existir sem as coisas más, como, por exemplo, o próprio Deus e todos os seres celestes superiores: não são maus...; se, porém, prejudicam, diminuem o bem e se continuam a prejudicar, é porque encontram ainda algum bem que podem diminuir; e se o consomem todo, a natureza já não tira mais nada que possa ser prejudicado; por isso, quando já não houver uma naturezas cujo bem diminua, ao ser prejudicado, também já não existirá mal algum para prejudicar"

Aqui fica evidente a influência de Platão em Augustinho mas não é ai que quero chegar.... O fato -aonde desejo chegar- é que grande parte do movimento político anti-cristão segiu a esperança de encontrar a verdade, o belo e ver-se como salvadores, como socialistas útopicos, comunistas e mesmo anarquistas. Nietzsche constata muito bem isso chamando-os de cristãos, apesar de também elogia-los por suas coragens. Um otimo exemplo dessa busca pelo bom é o Marxista, Psiquiatra e Cientista Wilhelm Reich, que afirma existir no ser humano mecanismos que o impedem de manifestar sua natureza que apriori seria boa, um amoralismo bom biologico. A economia capitalista e a moral cristã resultariam num tipo de sistema anti-sexual que inibiriam a autonomia dos indivíduos resultando em pessoas submissas ao poder constituido. Semelhanças? Tem mais, essas prisões se dariam por mecanismos criados empiricamente chamados de Couraças, que reteriam energia e causariam uma séria de disturbios, existiriam as couraças musculares e a couraça caracteriológica. O mais engraçado é que as couraças musculares ja existiram bem antes de Reich para os médicos e advinha o nome que elas eram chamadas? Sistase!

Entre os comunistas também vale resaltar a idéia de Marx de que o comunismo seria o sistema final, ou seja, perfeito e ideal - notem a semelhança desde ja com o Éden -. Isso provém da utilização da idéia de Hegel de evolução -em forma espiral- de modo que uma tese geraria uma antítese e dai surgiria uma sintese. Os anarquistas também não passaram longe dessa idéia, consideraram sempre o anarquismo como sistema perfeito, onde não haveria mais guerras, fome, miséria, e isso muitas vezes acabou tomando um rumo moral onde apesar da luta contra a burguesia os revolucionarios mantiam uma moral altamente rigída, seja sexual ou de qualquer espécie.

Isso foi e tem sido em minha visão um dos grandes equivocos do movimento revolucionário ja que esse desejo incondicional ao bem, ao belo, ao bom, ao Éden, cria uma repressão ao outro lado do ser humano e acaba potencializando este lado e criando uma série de patologias, inclusive a projeção desse conteúdo tornado inconsciênte (ou que sempre esteve la) em outros, ou Outros, exemplo : a visão dos ricos pelos anarquistas e comunistas como uma espécie de Satan, ou com excessivos desejos materiais enquanto muitas vezes esse desejo material é do próprio sujeito revolucionário. Jung ja falava muito dessa dualidade do homem e quão prejudicial era ver apenas um dos dois lados, ele dizia que para o crescimento do ser era necessário perceber este lado em si mesmo, em suas proprias palavras:

"Só o autoconhecimento mais amplo e severo possível, que olhe o mal e o bem numa relação correta e seja capaz de ponderar todos os aspectos, oferece uma certa garantia de que o resultado final não será muito ruim"

¹ - Hades era o deus Grego da morte, porém foi também reconhecido como o invisível verdadeiro, o eterno, criador do real em si por Sócrates.

Auxiliares:

http://www.rubedo.psc.br/artigosb/quesmal.htm
http://www.montfort.org.br/cadernos/guenon5.html
http://malprg.blogs.com/francoatirador/2004/05/index.html
acho que é isso..

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Nietzsche para os Nietzscheanos?

"O gênio do coração¹, como possui aquele grande desconhecido, o deus tentador e sedutor de conscências, cuja voz sabe descer até os últimos desvãos da alma, de quem cada palavra, cada olhar, são alimento, cuja propriedade especial é saber parecer, não aquilo que ele é, mas aquilo que para seus seguidores é mais uma imposição para se aproximarem mais e mais e segui-lo sempre mais intima e radicalmente; o gênio do coração que faz emudecer todas as vozes altas e vaidosas e ensina a escutar o silêncio, que nivela as almas rudes inspirando-lhes novos desejos, de jazer silenciosas como as águas de um lago a fim de que os céus possam se espelhar nelas; o gênio do coração que sabe reter toda mão inabíl e pressurosa, ensinando-a ser mais delicada, que sabe advinhar o tesouro escondido e esquecido, a gota de bondade e de espiritualidade escondida sob a crosta endurecida do gelo, que é uma vara mágica para cada pepita de ouro, aprisionado demoradamente no lodo e na areia; o gênio do coração a cujo contato qualquer um se sente mais rico, não surpreso e beneficiado, não feliz e oprimido por ter se renovado, desabrochado, vergado e acariciado pelo sopro do zéfiro, mais terno, mais frágil, mais confuso, mas pelo de esperança inominável, de nova vontade, novas energias, novos desdéns, novos valores do passado - mas que faço eu, meus amigos?

De que estou falando? Tive tamanha desconsideração a ponto de não citar seu nome! Se não tiverem adivinhado até agora, quem é este espírito, este deus misterioso, que deve ser louvado como tal. Como acontece com aqueles que desde a infância sempre se encontraram em marcha e entre estranhos, também a minha vida foi atravessada por muitos e vários espiritos, de muitas espécies, singulares e por vezes periogosos. Porém, antes de qualquer outro, por Dionísio, aquele deus ambíguo e tentador, o qual, como sabeis, em todo segredo e veneração, em tempos passados, sacrifiquei minhas premissas (o último talvez que ofereceu sacrificios a ele, uma vez que não encontrei ninguém que tivesse compreendido aquilo que eu fiz então). "

Parte do trecho 295 do livro Além do bem e do mal.

¹ - Aqui -e nos resto do texto- fica visivel as utilização de termos da Grecia antiga, o gênio do amor é descrito no livro O Banquete de Platão, o termo gênio é utilizado pelo amor não ser nem um deus e nem um homem e conter em si o belo e o feio. Nietzsche parace fazer um discurço sobre o amor utilizando sua visão Dionisiaca, além do bem e do mal ( ? ) .

O homem

Sapiênte animal,
ilustre lustre das sombras
Dará a cara a tapa,
apenas para dizer
que não é o que deve ser?

Só se deteriora por querer ser só o bem
Só se expande o mal por dizer que mal não ha em ti também
Permancendo em teu caminho
de luz e ilusão
permanece em seda pura
e com vontade de matar

Procura ainda o paraiso,
Ha! Que vontade de sonhar
Mas deve-se lembrar que todo paraiso
É feito de pedras, mares, luas e luzes
E voltará sempre ao vislumbre
do caos e do que não pode conhecer
Se em caminho unico
ainda assim permanecer

Se ainda assim procurar o paraiso,
lembre-se do amor, do odio e da dor
E então siga em frente,
Em busca de um novo expoente
evoluido,
porém como o anjo caido
Não só de superação,
mas também de maldição

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

As vezes é necessária a calma,
para conhecer o mar da alma
ao invés de cuspir em tudo

Revoltar-se, a grande piada
Quando desconhece-se a vontade
E sabe-se em falsa realidade
Esta que deve ser superada,
pelo homem de alma lavada?

O estado de sistase permanece,
Demiurgo em chamas re-aparece

I
L
U
S
Ã
O

Óh, pequeno Zorro
Ordena tua visão
Teu estado de consciência agora é vão
Se segue a unilateralidade do causal
E o determinismo do animal

Alerta-te e reverbera a luz em ti
Esforça-te, Exorta todo caroço ja chupado
Destroi tua casa com teu cajado

Revolta-te, pois ja não é mais um homem
és deus, és deus
Para a maioria das pessoas:

"Eis o que desagrada! Ainda a velha história! Assim que se acabou de construir a própria casa é que se nota que se começou algo, que se deveria conhecer antes de aventurar-se a edificar, é sempre o maldito: "Muito tarde." A melancolia de alguma coisa acabada."
Nietzsche, Além do Bem do Mal 277

Eu modificaria o seguinte ponto : não concordo que as pessoas só após terem construido é que vão observar que é muito tarde e sim que elas não constroem totalmente, em grande parte é contruida a casa pra elas, e elas "tem" (por fraqueza) que ficar lá, em "suas próprias casas".
Como diria Raul (sobre outra coisa..)...."esse imovél ta pra alugar..."

Ou seja, as pessoas não só ficam em suas próprias casas e sim em casas "alugadas", além do simples e melancolico fato de estar em uma casa que ja é por si só tenebroso e ilusorio, talvez seja melhor morar a vida inteira no mundo e não só numa casa, e se assim for, que esta casa tenha as portas e as janelas abertas, e seja de um instrumento de facil troca, porque esse negocio de ficar preso é pra prisioneiro...

domingo, janeiro 30, 2005

..

Divagar é bom, ja me disseram isto muito sinceramente, devo salientar, mas não nego em responder que este dito bom é uma reminiscência de pior espécime, principalmente para nós, estóicos. A dor é um imperativo que sucede temporariamente (mesmo que o tempo possa ser eterno em cada fração) o resultado desse modu estrictu pensare provindo em uma análise superficial do decadant Santo Augustinho, meu querido.

É no divagar sincero, ou seja, quando ultrapassamos nosso ego, que encontramos nossos monstros, ou nossos Deuses, como preferirem. Descobrimos então a cálida dor, a pedra filosofal, elemento essencialmente detestável, amável, em suma, simbólico, diria mesmo que esse tenaz monstro é a cara e o focinho, - se me permitem a referência- da própria e sensacional Vida.

A Vida, que bela é em sua ambigüidade divina, está que a todo dia renegamos com nossa cientificidade calhorda, tentamos a todo modo desprezar e cuspir em sua natureza Dionísiaca, resaltando a certeza ilusória de Apolo. Hail Apolíneo! – a única verdade - ?

Rir, esse é o remédio contra e afavor da estupidez, não dos outros, é evidente, mas de nos próprios que tentamos de tudo para nós fazermos de superiores, inferiores ou mesmo medianos e iguais. Zaroistras, Caoticistas, Direitistas, Esquerdistas, Anarquistas! Certos ou Errados? Reconheço em meu momento de catarse estar muito além e muito aquém de qualquer desses postulados.

Enquanto procurarmos seguir a risca ideais e postulados, morais e vibrações coletivas estaremos sempre – arrisco-me a dizer esta palavra – fugindo de nós mesmos, enquanto seguirmos a unilateralidade do bem ou do mal, do certo ou do errado, do justo e do injusto seremos escravos da ilusão, pois ao vermos apenas a figura, esquecemos do que está a seu fundo, não tão visível a nossa percepção.

Integrar, Amalgamar, Unir, Aceitar, Enfrentar, Subjulgar o que tenho em mim e em meu para-pessoal, ser ativo e passivo em relação a vida, é o que será por mim feito, pelo menos, por equanto.

sábado, janeiro 22, 2005

Algo de muito estranha ta acontecendo. Acordei agora as 19:30 da noite, fui dormir eram 2 da manha, ou seja, 17 horas e 30min de sono.... deixei o telefone no quarto, com certeza muitas pessoas me ligaram e eu não acordei. Perdi + um encontro de TP que eu garanti que ia, mas esse eu realmente ia, imprimi as paradas, marquei tudo certo com a Lidiane e o Felipe...e o pior eu tinha marcado várias coisas com a Lidiane e simplesmente eu dormi e desapareci.... acordei agora tentei ligar pra ela, o celular ta fora de area, o do felipe ninguem atende, nem o celular nem em casa.... liguei o cpu pra ver c achava alguém, liguei o msn q sábado a essa hora ta sempre cheio (nunca vi meu msn vazio) e ele tava la, vazio..... ja se passaram 15 minutos da hora q acordei e ainda não consegui falar com ninguem... tudo ta muito confuso, sei que pessoas vão ficar chateadas comigo, com razão. Eu sou uma dessas pessoas, mas to achando tudo estranho demais ainda pra poder me punir.

editando post: São 20:40 agora e ainda não consegui falar com nenhum mortal, ainda não almoçei ou jantei...sei la...

edit 2: São supostamente 21:20, mas to começando a achar q na verdade são 9:20 da manhã....o tempo continua nublado e se ja fosse noite taria escuro.... to começando a ficar aliviado, a angustia aguda começou a diminuir....afinal, talvez eu ainda possa ir no encontro de TP e ninguem vai ficar bolado comigo.... caralho, essa é a coisa maior aberração que ja aconteceu comigo, ou uma das mais....vou deixar esse post aqui para rirem de mim, e eu mesmo rir.... não to acreditando.... AINDA não falei com ninguem, deve ser dia mesmo....

edit 3: hahahhahahahahhahahahah, no meu ultimo post eu tava certo, SÃO 11:10 agora DA MANHÃ! Ja dormi dnovo mais um pouco...e porra, eu quase fui almoçar aqui do lado no girafas as 7:40 da manhã achando que eram 19:40...isso é engraçado e bizarro...podem me chamar de lerdo, doente, ou sei la, eu concordo...mas foi engraçado. Eu me senti como Marcovaldo quando acorda e a sua cidade está encoberta de neve, todas as casa, ruas, e ele fica imaginando, será que a cidade por baixo dessa neve ainda mantem-se do mesmo jeito? Marcovaldo então começa a tentar criar tunei e fazer uma outra cidade, ao seu modo...etc....mas no meu caso apesar das coisas terem mudado por um tempo também, foi por um periodo de forma negativa....aparenetemente..

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Num quarto de um prédio

Por qual encantamento
estarei envenenado?
Devo confesar-me aos prantos
deste meu grande enfado

Amo em demasia as pessoas,
e por elas sou condicionado
Em solidão a procura de mim
sinto-me um peixe a procura de um rato

Contudo, continuo na estrada de terra
Cercado, de pedras sem ver nenhuma delas
E de loucura e desespero sigo em meu apego
a procura do indeterminado

E a cafeina tomada
é só a profilaxia bem demonstrada
do espirito fraco que sou

Espirito esse,
Que ao seu próprio deleite
Permanece com fé
De descobrir quem se é
Em pura teimosia

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Pensamentos e/ou exposições sobre a teória da evolução das espécies.

Darwin, após anos de estudo, chegou a teória da evolução das espécies, também chegada sincronicamente (em pouco tempo de observações) por A.R.Wallace o que foi o estopim para publicação da mesma por Darwin (quando viu que o jovem intuitivamente chegara a conclusões muito similares as dele).

Muito tem se discutido sobre a teória da evolução, alguns conceitos hoje estão sendo readimitidos, como o conceito de vontade de Lamark. O que os biologos tem percebido é que a evolução e as mutações evolutivas acontecendo ao acaso levariam mais tempo para terem acontecido do que o próprio tempo de vida do planeta Terra.

Isso nos faz relembrar as acusações de Nietzsche sobre Darwin, na qual o mesmo acusa-o de "conservação durante a vida" ignorando o conceito de auto-superação, talvez um dos principais conceitos na filosofia Nietzscheana, a própria capacidade criadora do homem.

Nós podemos relembrar algumas teórias de Lamark então :

1:: em todo animal que não ultrapassou ainda o termo de seu desenvolvimento, o emprego mais freqüente e continuado de um órgão qualquer fortalece pouco a pouco esse órgão, desenvolve-o, leva-o a crescer e lhe dá uma potência proporcional à duração desse uso, ao passo que a constante falta de uso do órgão enfraquece-o gradativamente, deteriora-o, diminui suas faculdades e acaba por fazê-lo desaparecer

2 :: tudo o que a natureza acrescenta ou suprime nos indivíduos (por força das circunstâncias a que sua raça há muito se acha exposta e, em conseqüência, por influência do emprego predominante de tal órgão ou pela falta constante de seu uso), ela conserva, pela geração, na espécie futura, desde que as variações adquiridas sejam comuns aos dois sexos ou àqueles que produziram os novos indivíduos.

A primeira teória inspirada ainda continua sendo bem aceita, contúdo a segunda, inspirada em Diderot, é bem controvertida mas talvez ainda nós faça pensar bastante.

Até agora foram expostas, 1o - Darwin que coloca a teória da evolução na mão do acaso e do meio 2o - Nietzsche que acrescenta a isso o poder evolutivo na mão do homem, 3o - Lamark, com sua teória de caracteres adquiridos, que põe grande poder da evolução na natureza e na adaptação.

Agora poderiamos ainda acrescentar a esse bolo, a teória da sincronicidade de Jung na teória evolutiva, a teória da sincronicidade de Jung consiste simplificadamente no seguinte : São eventos que ocorrem paralelamente entre psique e matéria, na ativação de um arquétipo, por exemplo: o jovem Wallace intuitivamente descobrir a teória das evoluções, algo totalmente revolucionario, novo, em pouquissimo tempo e ele nem sequer conhecia os trabalhos ou estudos de Darwin, na época ainda não lançados. Um exemplo ainda melhor seria: você sonha que alguém vai morrerm, ou com algum simbolo representando isso e no dia seguinte aquela pessoa morre.

O conceito de sincronicidade (ou atos de criação eventuais, coêncidencias significativas), poderia mesmo facilitar essa evolução, nas palavras de M.Von Franz sobre o assunto: "o conceito de sincronicidade pode nos ser util neste assunto pois esclarece a ocorrência de certos "fenômenos-limites" ou acontecimentos excepcionais; explica-nos, assim, como adaptações e mutações "significativas" podem ocorrer em menor prazo de tempo do que o requerido por mutações inteiramente devidas ao acaso. Hoje em dia conhecemos muitos casos em que acontecimentos significativos "acidentais" foram produzidos graças à ativação de um arquétipo."

Agora mistura tudo, joga na panela, põe uma pitadinha de carinho e deixe sua opnião sobre a bizarridade que apareceu, ou a beleza florescente.
Para mim:

- Lidar com pensamentos é facil, lidar com sentimentos é dificil,